quarta-feira, 18 de maio de 2016

Lições biblicas BETEL longaminidade n.8


ESCOLA DOMINICAL BETEL - 
Conteúdo da Lição 8 - Revista da Editora Betel 



Desprezando Ofensas Através da Longanimidade 
22 de maio de 2016 
Texto Áureo


“Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados”. Efésios 4.1

Verdade Aplicada
A longanimidade nos capacita a sermos generosos e pacientes, mesmo em momentos de grande adversidade.

Textos de Referência.

Isaías 53.7,9
7 Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.
9 E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

Efésios 4.1-2
1 Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,
2 Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.

Introdução
Difíceis de serem encontradas nos dias atuais, a longanimidade, benignidade e bondade são características que envolvem posicionamentos, em muitos casos, contrários à nossa personalidade.

1. Resistindo ao nosso ego.

Ao estudarmos esta nova seção do fruto do Espírito, descobriremos o quanto é difícil para o homem desenvolver meios para o amadurecimento do fruto. As três características em questão nos mostram que em muitas situações que poderão, em algum momento, ferir o nosso ego. Sendo assim, descobriremos que não é nada fácil negar o nosso eu em favor dos outros (Mc 8.34).

1.1. Desenvolvendo a longanimidade.

Aqueles que desenvolvem a longanimidade recebem de Deus a capacidade de pensar antes de qualquer tomada de atitude, ou seja, desenvolvem a paciência e a perseverança como forma de suportar as adversidades (Rm 5.4). A longanimidade também é responsável pela capacidade que o servo de Deus tem de prosseguir em direção ao seu objetivo, mesmo quando tudo parece conspirar ao contrário. Ser longânime produz no indivíduo a capacidade de desprezar as ofensas. Ainda que esteja sendo perseguido por causa do amor a Cristo, ele não desiste de permanecer fiel ao seu Salvador (Mt 5.11).

1.2. A Bênção da longanimidade.

Enquanto o mundo oferece, através da mídia e apelos tecnológicos, oportunidades de crescimento social rápido e ilícito, o salvo em Cristo nunca abre mão dos princípios verdadeiros da Palavra de Deus (2Pe 1.10), pois tem a plena certeza de que será abençoado através da sua fidelidade e que nada poderá o afligir, uma vez que tem a completa cobertura fornecida pela presença do Espírito Santo em sua vida. Ser longânime proporciona ao indivíduo a oportunidade de conviver em qualquer ambiente e em companhia de qualquer tipo de pessoa sem prejuízo algum para si ou para os outros.

1.3. A longanimidade produz a credibilidade.

A longanimidade não só produz uma defesa para o indivíduo como coloca no mesmo o desejo incontido de interceder em prol daqueles que notoriamente necessitam de oração, fazendo com que o servo longânime se transforme numa coluna de oração. Em sua carta aos Efésios, o apóstolo Paulo determina que a Igreja do Senhor deve orar o tempo todo uns pelos outros (Ef 6.18). Sempre que um membro do Corpo é identificado como longânime, este se destaca nesta função, pois tem uma postura que dá credibilidade à sua oração. A oração do longânime tem credibilidade, por este nunca ter uma postura de ira e contenda (1Tm 2.8).

2. O verdadeiro exemplo de longanimidade.

A profecia acerca do Messias proferida pelo profeta Isaías deixou claro o tamanho do sofrimento pelo qual Ele havia de passar. O Messias deveria ser amado, entretanto, foi oprimido e afligido, provando ser longânime por amor à humanidade (Is 53.7).

2.1. Longanimidade é amar sem ser amado.

Jesus Cristo se entregou ao sofrimento por amor. A Sua trajetória terrena culminou com Sua morte e ressurreição. Em nossa trajetória terrena não teremos como superar o que por nós sofreu o Senhor, entretanto, uma das exigências que nos é imposta pela Palavra de Deus é que, para alcançarmos a ressurreição em Cristo, deveremos suportar uns aos outros em mansidão e sobretudo em longanimidade (2Pe 1.5-7). Jesus escolheu sofrer por nós para que alcançássemos a salvação. Logo, teremos que passar por algum tipo de sofrimento para sermos glorificados com Ele. Que sofrimento é este? Amar sem ser amado (Efésios 4.2).

2.2. Ser longânime garante salvação.

Muitas vezes nos questionamos porque devemos suportar tanto os outros se a recíproca não acontece Somos escolhidos para darmos exemplo de Cristo, isto é, através de nós a longanimidade de Cristo é mostrada de maneira mais enfática para que outros possam ser alcançados pela salvação (1Tm 1.16). Ao examinarmos este texto da primeira carta de Paulo a Timóteo fica claro para nós o que o Senhor espera de Seus servos fiéis (1Tm 4.12b). Não interessa o que está sendo apresentado pelos meios de comunicações que dizem que se doar é falta de inteligência. Para o cristão importa o que ensina a Palavra. Ser longânime garante a salvação.

2.3. A longanimidade opera a paciência.

Tanto o cristão imaturo quanto o homem sem Deus não conseguem entender como se desenvolve o amadurecimento do fruto do Espírito Santo. Por este motivo é que aprendemos que uma das principais maneiras que a longanimidade tem de se manifestar é através do exercício da paciência (Rm 5.3-5). O exercício da paciência capacita o servo de Deus a ter o equilíbrio necessário para esperar que o entendimento daqueles que não compreendem o agir do Senhor possa ser tocado pela ação do poder de Deus. Precisamos saber que como ministros de Deus devemos ser recomendáveis em tudo (2Co 6.4). Se recebemos a paciência de Cristo por nós, temos que exercitá-la para com os outros (2Ts 3.5).

3. Lições práticas.

A longanimidade nos faz chegar à conclusão de que todos devem ser alcançados por Cristo. Ser longânime é entender que não temos nenhum mérito a mais do que o outro diante de Deus. Somos todos iguais, pois Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34).

3.1. Longanimidade é controlar impulsos.

Longanimidade é ter o espírito controlado por longo tempo, isto é, ser tardio em irar-se. Viver em grupo é sempre complicado, pois devemos procurar compreender o limite dos outros membros do grupo. Ser longânime é saber controlar seus impulsos. O indivíduo que se ira facilmente sempre sai perdendo (Pv 16.32).

3.2. O bom evangelista tem que ser longânime.

Ao orientar a Timóteo acerca da postura que ele deveria tomar em relação à pregação da Palavra, Paulo foi enfático em dizer que o jovem pastor deveria ser insistente quando estivesse evangelizando. Entretanto, o apóstolo destacou que, mesmo quando estamos ávidos pelo desejo de ganhar almas (Mc 16.15), devemos nos posicionar com longanimidade, pois temos, em muitas situações, que ter paciência para alcançar alguns corações (2Tm 4.2). Existem pessoas que ao ouvirem poucas palavras acerca do Evangelho já se sentem tocadas pelo Espírito. No entanto, existem outras que necessitam de algum tempo para serem convencidas de que servir ao Senhor é o melhor caminho. O bom evangelista deve saber produzir o amadurecimento do fruto para alcançar êxito em sua tarefa de ganhar almas.

3.3. Aprendendo a ser longânime.

O ser humano tem em si uma característica que lhe é peculiar: esperar que todos o compreendam em suas questões pessoais. Mas é muito difícil encontrarmos alguém que está disposto a compreender o próximo como este espera ser compreendido. A Palavra de Deus nos mostra que a nossa salvação é a longanimidade do Senhor. Se Ele não fosse longânime, toda a humanidade estaria perdida (Rm 2.4; 1Pe 3.15).

Conclusão.
Através do estudo da longanimidade, pudemos perceber que o amadurecimento dessa característica do fruto do Espírito Santo fará com que venhamos a nos sentir muito melhor diante das adversidades da vida.

Questionário.

1. Qual a orientação de Paulo em Efésios 6.18? 
2. O que tem a oração do longânime? 
3. O que aprendemos em 2 Coríntios 6.4? 
4. O que acontece com o indivíduo que se ira facilmente? 

5. O que a Palavra de Deus nos mostra?


Lições biblicas CPAD adultos Israel e salvação n.8


Lições Bíblicas CPAD
Adultos
2º Trimestre de 2016


Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos
Comentarista: José Gonçalves 
Lição 8: Israel no Plano da Redenção
Data: 22 de Maio de 2016  

TEXTO ÁUREO

“Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

VERDADE PRÁTICA 
A eleição da graça é formada no presente por gentios e judeus nascidos de novo, bem como, no futuro, pela conversão da nação de Israel.

LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Rm 9.1-3
Paulo estava disposto a se sacrificar em favor da conversão dos judeus 
Terça — Rm 9.4
Os israelitas não mereciam a salvação, mas Deus os adotou como filhos 
Quarta — Rm 9.6,7
Todos os que confiam no sacrifício de Cristo são descendentes de Abraão 
Quinta — Rm 2.29
A verdadeira circuncisão ocorre no interior, isto é, no coração e espírito 
Sexta — Gl 3.7
Todos os que creem em Jesus Cristo são filhos de Abraão 
Sábado — Gl 3.8
Todas as nações da Terra seriam abençoadas por intermédio de Abraão

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 9.1-5; 10.1-8; 11.1-5. 
Romanos 9
1 — Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo):
2 — tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.
3 — Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;
4 — que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas;
5 — dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!

Romanos 10
1 — Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.
2 — Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento.
3 — Porquanto,não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.
4 — Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.
5 — Ora, Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas.
6 — Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu (isto é, a trazer do alto a Cristo)?
7 — Ou: Quem descerá ao abismo (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo)?
8 — Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,

Romanos 11
1 — Digo, pois: porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
2 — Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo:
3 — Senhor, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?
4 — Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal.
5 — Assim, pois, também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça.

HINOS SUGERIDOS

1, 290 e 310 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Compreender a “sorte” de Israel no plano da salvação.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Mostrar a eleição de Israel dentro do plano da redenção;
II. Analisar o tropeço de Israel dentro do plano da redenção;
III. Explicar a restauração de Israel dentro do plano da redenção.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Professor, no decorrer da lição ressalte a soberania de Deus na história da redenção. Mostre que os israelitas foram escolhidos pelo Senhor para receberem o Messias, independente das obras dos patriarcas. Contudo, Deus não queria trazer somente favores e privilégios para os judeus, mas Ele desejava, por intermédio deles, abençoar todas as famílias da terra. Israel não compreendeu essa verdade, nem o plano da redenção de Deus, rejeitando o Salvador. Os judeus acreditavam que por serem descendentes de Abraão e ser também o “povo escolhido de Deus”, não necessitavam de salvação. Eles rejeitaram o Messias, porém, Deus não os rejeitou e por sua misericórdia fez com que nós, “zambujeiros”, fossemos enxertados na oliveira (Rm 11.17).
O Israel de hoje, segundo Lawrence Richards, “a comunidade da aliança escolhida por Deus, é composta de gentios bem como de Judeus que creem nas promessas de Deus sobre Jesus”.

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

Paulo discorreu a respeito da Doutrina da Salvação nos capítulos 1 a 8 da Epístola aos Romanos. Veremos nesta lição que nos capítulos 9, 10 e 11, ele abre um parêntese para tratar a respeito da “sorte de Israel” no plano da salvação. Aprendemos com estes capítulos que Deus tem um plano especial para com Israel e que a rejeição deles é apenas temporária até se cumprir a plenitude dos gentios, quando todo o Israel será salvo.


PONTO CENTRAL 
Deus tem um plano especial para com Israel. 

I. A ELEIÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.1-29) 
1. O anseio de Paulo e a incredulidade de Israel. O apóstolo deixa explícito a elevada estima que possuía por seus compatriotas. Ele abre o seu coração para expressar seus sentimentos em relação ao seu povo (Rm 9.1-5). Ele desejava que todos, assim como ele, entendessem o plano perfeito da salvação revelado em Jesus Cristo. Esse desejo de Paulo se intensifica quando ele lembra os crentes romanos de que aos judeus foi dada a adoção, a glória, os pactos, a Lei, o culto e as promessas. Paulo também os faz recordar que deles (dos judeus) também descendem os patriarcas e o próprio Cristo! Mas, apesar de todas essas bênçãos, o entendimento do povo judeu continuava, e continua, endurecido.
2. Os eleitos e as promessas de Deus. O argumento de Paulo em Romanos 9.6-13 revela que as promessas de Deus relativas à nação de Israel não falharam, mesmo que a maioria deles as tenha rejeitado. As promessas terão seu fiel cumprimento através dos judeus remanescentes, dos gentios que abraçaram a fé e do Israel que será restaurado no futuro. Essa porção das Escrituras é uma das mais debatidas entre os teólogos. As posições se polarizam quando o debate é entre determinismo e livre-escolha. Todavia, Paulo não está se referindo a eleição individual, mas coletiva. O exemplo dos irmãos Jacó e Esaú, dado para ilustrar o argumento do apóstolo, deixa isso evidente (Rm 9.10-13). A citação que Paulo faz de Jacó e Esaú, nesse texto, é tirada do livro do profeta Malaquias 1.2-4. Basta uma olhada nessas passagens para ver que o profeta não estava se referindo às pessoas ou aos indivíduos “Jacó” e “Esaú”, que nessa época já haviam morrido há muito tempo, mas a grupos ou povos. Isso é demonstrado em Malaquias 1.4, onde Esaú é identificado com Edom, um povo e não um indivíduo. Fica, portanto, evidente à luz desse contexto que a predestinação é corporativa, isto é, de um grupo, povo, ou nação, e não de pessoas.
3. Eleição, justiça e soberania de Deus. Nos versículos 14 a 29, do mesmo capítulo nove, Paulo responde as indagações sobre a justiça de Deus e sua soberania. Deus não poderia ser acusado de ter sido injusto com Israel por eles se acharem no estado em que se encontravam. Paulo toma Faraó para exemplificar sua argumentação. O apóstolo afirma que o endurecimento do coração de Faraó ocorreu quando este resistiu à vontade de Deus (Êx 7.14,22; 8.15,32; 9.7). Da mesma forma, Israel foi endurecido porque não aceitou a justificação que lhe foi dada através de Jesus Cristo. O exemplo extraído da metáfora do vaso do oleiro serve para fundamentar mais ainda a argumentação em favor da justiça e da misericórdia de Deus. O argumento determinista que vê os “vasos de ira” e “vasos de misericórdia”, como sendo uma referência aos salvos e condenados, cai diante da exposição do próprio texto. Deus suportou os vasos da ira e eles se tornaram, por si mesmos, objetos da ira de Deus; mas os vasos de misericórdia participarão da glória de Deus, através da fé, pela graça de Deus, e não como resultado das suas próprias obras. 


SÍNTESE DO TÓPICO (I) 
Deus em sua justiça e soberania escolheu a Israel para fazer parte do seu plano redentivo. 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO 
“A Tristeza de Paulo (9.1-3)
Nestes versículos o apóstolo Paulo declara seu amor por sua gente, os judeus. Ele começa declarando: ‘Em Cristo digo a verdade, não minto’. Visto que era conhecido como judeu zeloso, sua conversão a Cristo o torna antipático para os judeus, que o viam como ‘um traidor de sua gente’. Entretanto, Paulo garante que seus sentimentos são sinceros e que sua consciência tinha o testemunho do Espírito Santo (v.1). Esse texto mostra que sua consciência agia sob a orientação iluminada do Espírito Santo.
No versículo 2, Paulo ainda declara dizendo: ‘Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração’. É uma expressão de profundo sentimento de amor e respeito pela sua gente, e não de traição. A despeito da hostilidade dos judeus contra a pregação do Evangelho e contra a sua pessoa, Paulo diz que, se fosse possível ele mesmo ser separado de Cristo, para salvar ‘seus parentes segundo a carne’, ele o faria por amor a eles. Essa linguagem é bem típica de quem ama profundamente e é capaz de dar a sua vida para salvar outras.
Por que essa tristeza de Paulo para com seus irmãos de sangue? A resposta é simples e objetiva: o repúdio do povo judeu para com Jesus Cristo. Sua tristeza tem duas razões específicas: Primeira, Paulo declara que os judeus são seus ‘parentes’ segundo a carne, mas não querem ser seus irmãos segundo o espírito. Segunda, pelo fato de que os judeus, possuindo privilégios especiais como nação, rejeitaram o ‘privilégio maior’, que é a salvação em Cristo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.104). 

II. O TROPEÇO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.30 — 10.21)

1. Tropeçaram em Cristo. Partindo do princípio de que a igreja de Roma era formada em sua maioria por gentios, a parte judaica teria dificuldade de entender porque os gentios haviam sido aceitos por Deus enquanto a maioria dos judeus não. Paulo argumenta que o tropeço de Israel se deve ao fato de não terem crido em Jesus, o Messias prometido (Rm 9.30-33). O que deveria ser solução para eles tornou-se em tropeço. Por outro lado, os gentios, ao crerem na graça de Deus, foram justificados, visto que a sua justificação veio em decorrência da fé e não dos seus méritos.
2. Tropeçaram na lei. Nesse ponto, o apóstolo realça algo que ele já vinha argumentando desde o capítulo 3. Os judeus, ao buscarem a sua justiça própria através da Lei, acabaram por rejeitar a justiça de Deus que vem através de Jesus Cristo (Rm 10.1-4). Querer agradar a Deus, seguindo os preceitos da Lei, era andar na direção errada, visto que Cristo é o fim da lei (Rm 10.4).
3. Tropeçaram na Palavra. O evangelho de João já havia mostrado que Jesus veio para o que era seu, mas que os seus não o receberam (Jo 1.12). Aqui Paulo mostrará que a rejeição de Israel aconteceu, não por falta de aviso, mas porque não quis ouvir aquilo que Deus havia planejado para ele. Endureceram seus corações e tropeçaram na Palavra (Rm 10.14-21). Por outro lado, os gentios responderam positivamente a essa mesma Palavra e, por isso, foram aceitos.


SÍNTESE DO TÓPICO (II) 
O tropeço de Israel não invalidou o plano de redenção de Deus para com o seu povo. 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A rejeição judaica da justiça pela fé em Deus abriu espaço para um número muito grande de gentios a serem enxertados na árvore enraizada na antiga aliança de Deus com Abraão. Esta não deveria ser objeto de orgulho gentio, mas de advertência. Nunca abandone o princípio de salvação pela graça através da fé” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.747). 

III. A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 11.1-32)

1. Israel e o remanescente. Os teólogos chamam a atenção para a importância que a doutrina de um “remanescente” possui dentro da cultura judaica (Rm 11.1-10). De fato, os profetas que se levantaram contra a apostasia e o formalismo religioso acreditavam que Deus tinha uma reserva formada por aqueles que eram fiéis (Am 2.12; 5.3; Is 1.9; 6.9-13; Sf 3.12,13; Jr 23.3). Em Romanos 11.1-10, Paulo, que se considerava um dos remanescentes, cita o exemplo de Elias. Para Paulo, da mesma forma que Elias se manteve fiel no meio do Israel apóstata, assim também havia um remanescente que se mantinha fiel através de Jesus Cristo.
2. Israel e o enxerto gentílico. Israel não conseguira entender que o plano de Deus para a salvação incluía também os gentios (Is 9.6). Tropeçaram ao não aceitarem a justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo. Foi graças a esse tropeço, argumenta Paulo, que os gentios entraram como um enxerto no plano da salvação. Os gentios, portanto, não deviam assumir uma posição de orgulho, mas de temor. Eles não eram os ramos naturais, mas faziam parte da “oliveira brava” (Rm 11.11-24). Se Deus não havia poupado os ramos naturais, muito menos pouparia os ramos enxertados.
3. Israel e a restauração futura (11.25-32). Embora Paulo se entristecesse com a situação espiritual de seus compatriotas judeus, a sua posição em relação a eles é de esperança e não de desespero (Rm 11.25-32). Paulo estava convencido de que no futuro Israel será salvo. Para ele, isso terá seu cumprimento quando se completar a “plenitude dos gentios”. A rejeição dos judeus trouxe a justificação ao mundo gentílico. Quando Deus cumprir seu propósito para com os gentios cumprirá também suas promessas de restauração para todo o Israel. 

SÍNTESE DO TÓPICO (III) 
Deus não rejeitou Israel, e todos que creem na graça de Jesus Cristo serão restaurados.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Gentios e judeus (11.11-21)
A rejeição judaica da justiça pela fé em Deus abriu espaço para um número muito grande de gentios a serem enxertados na árvore enraizada na antiga aliança de Deus com Abraão. Esta não deveria ser objeto de orgulho gentio, mas de advertência. Nunca abandone o princípio de salvação pela graça através da fé.
Todo o Israel será salvo (11.25,26)
Paulo lança seus olhos ao passado para as promessas feitas a Israel por Isaías (59.20; cf. Jr 31). A conversão em massa de gentios a Cristo não significa que Deus repudiara as palavras dos profetas do Antigo Testamento. Somente quando todos os gentios forem convertidos é que o foco da história voltará a se concentrar em Israel (11.29)” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.747). 

CONCLUSÃO

Como vimos, os capítulos 9 a 11 de Romanos demonstram a soberania de Deus na história da redenção. Revela que o propósito de Deus concernente à eleição jamais poderá ser frustrado. Diante disso, a atitude deve ser de temor, não de jactância. A história de Israel, seu antigo povo, bem como a inclusão dos gentios no plano da salvação, mostra que Deus respeita as escolhas, mesmo que estas se revelem danosas para aquele que as fez. Em todo caso, o arrependimento e a fé são os caminhos que darão acesso ao portão da graça de Deus.

PARA REFLETIR 
A respeito da Carta aos Romanos, responda:
 Os patriarcas e o Cristo descendiam de que povo?
Os patriarcas e o próprio Cristo descendiam dos judeus. 
As promessas de Deus em relação a Israel falharam com a rejeição deles?
As promessas de Deus relativas à nação de Israel não falharam, mesmo que a maioria deles as tenha rejeitado. 
Segundo a lição, por que Israel foi endurecido?
Israel foi endurecido porque não aceitou a justificação que lhe foi dada através de Jesus Cristo. 
Paulo se considerava um dos remanescentes?
Sim, ele se considerava um dos remanescentes. 
Como os gentios passaram a fazer parte do plano da salvação?
Como os judeus tropeçaram ao não aceitarem a justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo, os gentios entraram como um “enxerto” no plano da salvação.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Israel no Plano da Redenção 
“E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Rm 11.17,18). Infelizmente, não são poucos dentro da igreja evangélica que esquecem essa advertência e reverberam a ideia equivocada da Teologia da Substituição. Penso ser importante usar este espaço para falar um pouco da origem dessa teologia, pois pode haver alguém da sua classe que desconhece esse tema e lhe faça algumas perguntas.
A questão do papel do povo judeu hoje no plano de Deus tem despertado sentimentos variados nos cristãos do mundo atual em relação ao Israel contemporâneo. Tais sentimentos atrelam-se ao método adotado na interpretação bíblica ao longo da história eclesiástica. Assim, o método alegórico foi importantíssimo para o surgimento da Teologia da Substituição.
A destruição de Jerusalém, a Cidade de Deus, no ano 70 d.C, foi um acontecimento crucial para a eficácia desse método. No século IV, o clero cristão era constituído por bispos ocidentais e orientais influenciados pelo método alegórico — ele uniu-se ao império romano, mediante Constantino, o imperador de Roma. Esses clérigos consideraram a destruição de Jerusalém um sinal de que Deus havia rejeitado o povo judeu.
Neste contexto, a Teologia da Substituição ganhou força dentro do Cristianismo. A igreja romana advogou para si o título de o “Novo Israel de Deus”. E, a exemplo de outras tradições cristãs, passou a julgar os judeus como “O povo rebelde que matou Jesus” e para sempre fora rejeitado por Deus. Por isso, o estudioso Arnold Fruchtenkbaum conceitua a Teologia da Substituição como corrente que rejeita o moderno Estado de Israel como cumprimento da profecia bíblica. Neste caso, todas as profecias sobre o povo judeu já foram cumpridas e, por isso, não se deve esperar nenhuma restauração futura de Israel (cf. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. CPAD, 2008, p.372). Ora, algumas respostas sobre a profecia bíblica deveriam responder a estas questões: Qual o público alvo da profecia bíblica? Cumpriu-se toda? A quem Deus prometeu uma terra localizada no Oriente Médio? À Igreja ou a Israel? Tal promessa se cumpriu plenamente? Então, o estudioso sério das Escrituras pensará muito antes de afirmar que a Igreja substituiu Israel.




Lições biblicas CPAD jovens a comunidade n.8


Lições Bíblicas CPAD
Jovens 2º Trimestre de 2016


Título: Eu e minha casa — Orientações da Palavra de Deus para a família do Século XXI
Comentarista: Reynaldo Odilo
Lição 8: A comunicação na família
Data: 22 de Maio de 2016 


TEXTO DO DIA

“Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19).

SÍNTESE

A boa comunicação transmite não apenas uma mensagem, mas, sobretudo, vida e emoções.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Gn 11.5,6
A importância da comunicação 
TERÇA — Gn 11.7,8
Acabando a comunicação, acabam-se os projetos 
QUARTA — Gn 6.18; 7.13
A boa comunicação na família de Noé 
QUINTA — Gn 12.11-13; 21.10,14
A boa comunicação na família de Abraão 
SEXTA — Gn 25.28; 27.6-14
A má comunicação na família de Isaque
SÁBADO — Gn 30.1,2,14,15
A má comunicação na família de Jacó

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
MOSTRAR a importância do fruto do Espírito na comunicação no ambiente familiar;
APRESENTAR bons exemplos bíblicos de comunicação familiar eficiente;
COMPREENDER que saber ouvir é requisito indispensável para a conquista de um grau satisfatório de comunicação entre os membros da família.

INTERAÇÃO

Professor, de quanto tempo você dispõe para ministrar sua aula? Será que é suficiente? Não é difícil ouvirmos relatos de aulas não concluídas porque acabou o tempo, ou ainda porque a discussão do primeiro tópico foi tão empolgante que não restou tempo para os demais. Para melhor administrar seu tempo de aula, sugerimos que faça um plano de aula, definindo quantos minutos serão usados em cada parte: introdução, tópicos, conclusão, atividades, etc. Esse cronograma deve ser flexível e adequar-se a cada lição, considerando, por exemplo, tópicos que trazem assuntos polêmicos, o que demanda mais tempo de aula. Fique atento à inclusão de assuntos alheios à aula e a participações prolongadas. Administre o tempo. Sua aula deve ter começo, meio e fim.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, com certeza você conhece a brincadeira “telefone sem fio”. É uma brincadeira que começa quando alguém, em um grupo de pessoas, cria uma fala (secretamente) e diz no ouvido de quem está ao seu lado. Logo após, o ouvinte repassa a informação para o próximo, até chegar à última pessoa do grupo, que tem a responsabilidade de dizer a fala secreta em voz alta. Geralmente a fala inicial chega totalmente diferente ao destino. Pois bem, professor, a sugestão hoje é que você realize essa brincadeira com seus alunos no início da aula, o que já vai envolver todos eles com o assunto da lição. Após o momento de descontração, ressalte que a boa comunicação é aquela que não sofre ruídos, interferências, e que é imprescindível a qualquer família desenvolver um processo de comunicação eficiente.

                                              TEXTO BÍBLICO

Provérbios 4.1-5,10. 

1 — Ouvi, filhos, a correção do pai e estai atentos para conhecerdes a prudência.
2 — Pois dou-vos boa doutrina; não deixeis a minha lei.
3 — Porque eu era filho de meu pai, tenro e único em estima diante de minha mãe.
4 — E ele ensinava-me e dizia-me: Retenha as minhas palavras o teu coração; guarda os meus mandamentos e vive.
5 — Adquire a sabedoria, adquire a inteligência e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca.
10 — Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os anos de vida.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

A comunicação em família é um dos grandes desafios da vida. Isso porque temos personalidades e temperamentos diferentes. Afinal, todos nós temos somente algo em comum: todos somos diferentes. A engrenagem de uma vida familiar saudável passa por uma comunicação límpida, capaz de estabelecer convergência de sentimentos, cosmovisões, ideais, para se chegar à unidade. Aconteceu isso na torre de Babel. Está escrito: “E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (Gn 11.6). Lamentavelmente, o objetivo dos construtores da torre de Babel era mau e egoísta: construir um nome para si (Gn 11.4), mas o entrosamento motivacional, entre eles, foi excelente e até Deus reconheceu isso. Sem dúvida, com uma boa comunicação, não haverá nenhuma restrição para tudo que a família planejar fazer de acordo com a vontade de Deus.

I. O FRUTO DO ESPÍRITO NA COMUNICAÇÃO

1. Alegria. Alegria é fruto do Espírito Santo. Todos devem buscá-la, em Deus. Jesus falou sobre alegria completa nEle (Jo 15.11; 17.13). O bom humor é algo indispensável para a vida. Uma boa comunicação no lar, ou em qualquer ambiente social, depende do estado de espírito das pessoas. Basta uma pessoa mal-humorada e toda a comunicação ficará comprometida.
Tudo leva a crer que Jesus era simpático e alegre, pois, como se sabe, nenhuma criança se afeiçoa por pessoas com mau humor, mas os infantes frequentemente se aproximavam do Senhor (Lc 18.15,16; Mt 21.15). Em Marcos 10.13-16 os pais levaram seus filhos a Jesus para que Ele os tocasse. Entretanto o Senhor foi além. Está escrito: E, tomando-as nos seus braços e impondo-lhes as mãos, as abençoou (Mc 10.16). Isso é que é simpatia! O Senhor era muito eficiente em sua comunicação. Ele é o nosso exemplo. Sorrir é um bom remédio e ajuda muito na convivência.
2. Sinceridade. “A sinceridade dos sinceros os encaminhará, mas a perversidade dos desleais os destruirá” (Pv 11.3). Falar com sinceridade (Ef 4.25) é o caminho da prosperidade, da confiança recíproca, da criação de laços indestrutíveis de lealdade. Está escrito que Jó era sincero (Jó 1.1), o que levou sua família a ser muito unida (Jó 1.4). Com sinceridade, os alicerces do relacionamento familiar se estabelecem, os quais se constituem na base de toda empreitada vitoriosa. A mentira, porém, traz desunião e derrota (1Sm 20.30-34).
3. Perdão. Na vida, sempre haverá conflitos entre os familiares. Uma família vitoriosa tem, sempre consigo, a capacidade de perdoar os de dentro e os de fora. Está escrito que, se não perdoarmos, seremos vencidos por Satanás (2Co 2.10). Ismael e Isaque, Jacó e Esaú, José e seus irmãos, todos se desentenderam fortemente, mas no fim houve perdão recíproco. O perdão fechou as brechas de acesso do mal e forneceu às famílias patriarcais a possibilidade de cumprirem sua missão como ascendentes do Redentor.
4. Paciência. A Bíblia recomenda que devemos ter paciência com todos (1Ts 5.14). O pai magoa o filho, o qual, por sua vez, ofende a mãe, e ela, de vez em quando, entristece o marido. Esse é o ciclo de alguns relacionamentos. Se um desistir do outro, nunca haverá felicidade na família. Os cristãos deviam ser as pessoas mais pacientes da terra, porque Deus é profundamente paciente conosco. O Senhor exige minimamente, de cada pessoa, o que Ele oferece a todos abundantemente! A paciência do pai do filho pródigo é um belo exemplo para todos (Lc 15.20). 

 Pense! 
No meio de tantas conturbações, incompreensões, comportamentos egoístas, como conseguir alcançar um grau de comunicação satisfatório na família? 

Ponto Importante 
O cultivo contínuo do fruto do Espírito na comunicação da família, estabelecerá um paradigma indestrutível que criará laços de lealdade duradouros. 

II. BOA COMUNICAÇÃO

1. Exemplos patriarcais. Vejamos alguns: a) Noé. Vários servos de Deus são exemplos no quesito comunicação familiar. Um deles é Noé. Ele conseguiu colocar no coração da sua família confiança na veracidade de seu projeto. Noé foi ridicularizado por todos por muito tempo, menos por sua família, que suportou as afrontas contra o patriarca, o pregoeiro da justiça (2Pe 2.5). Isso foi tão decisivo, que Deus fez, posteriormente, um pacto com Noé e seus filhos (Gn 9.8-12). A mulher de Noé, por seu turno, estabeleceu um elo indestrutível com o patriarca de, pelo menos, 450 anos de casamento (Gn 5.32; 9.29). Tudo isso se deveu, em grande parte, a uma comunicação familiar eficaz. Todos falavam a mesma língua do patriarca, tinham o mesmo projeto e serviam ao mesmo Deus. b) Abraão. Outro caso importante foi o de Abraão (seu nome era Abrão, que significa “pai ilustre”, e realmente o era, e Deus mudou para Abraão — “pai de uma multidão”). Ele soube comunicar todo o conselho de Deus à sua família. Sara, Agar, Eliezer, Isaque, Ismael e Ló puderam desfrutar de uma comunicação salutar, que incluía, sobretudo, a importância da oração e a necessidade de conhecer a Deus. É notório como todos esses personagens tiveram experiências com o Deus de Abraão! Por outro lado, ele sabia ouvir Sara (Gn 21.12-14), era pacificador (Gn 13.8), não agia com ganância (Gn 13.9), dispunha sempre de tempo para Isaque (Gn 21.8; 22.7,8; 24.1-4), tinha humildade para reconhecer seus erros (Gn 20.10-13), era sensível com a dor dos outros (Gn 18.23-33). Não é à toa que ele é considerado o pai da fé (Rm 4.16) e amigo de Deus (Is 41.8), pois quem anda com Deus aprende a se relacionar bem com o próximo, principalmente com os seus familiares.
2. Sentindo-se amado com Jesus. Uma boa comunicação noticia mais do que mensagens, pois transmite amor. Sem palavras, o amor brota por todos os lados. Foi assim com Jesus e seus discípulos. Até a noite da traição, Jesus não havia dito que amava seus discípulos, mas nenhum duvidava disso. Quando o Senhor falou “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13.34; 15.9,12) não foi uma surpresa para eles. Os discípulos sabiam disso há muito tempo. A comunicação de Jesus acenava constantemente para esse fato (Jo 11.36). E isso consolava os corações dos que estavam ao seu redor.
3. Sentindo-se integrado com Jesus. A boa comunicação faz as pessoas se sentirem úteis e integradas, motivando-as a trabalhar por mais tempo e com mais afinco. A forma de Jesus se comunicar fazia as pessoas reconhecerem a importância de sua contribuição individual. Quando o Senhor foi multiplicar pães e peixes, Ele já sabia o que fazer, mas perguntou aos discípulos qual atitude tomar (Jo 6.5,6), para que todos fossem participantes daquele milagre. Em sua família a comunicação é eficaz a esse ponto? Todos se sentem participantes das vitórias? 

Pense! 
O que fazia Jesus ter tanto êxito na comunicação com todas as pessoas, desde as mais cultas até aquelas com pouca instrução? Como alcançar esse grau de excelência? 

Ponto Importante 
O Senhor Jesus tratava as pessoas singularmente. Ele se comunicava na frequência de cada ouvinte, mas à multidão, ele falava por parábolas.


III. A ARTE DE OUVIR

1. A exortação de Deus. A arte de saber ouvir é um dom, uma virtude. Vivemos na geração “fone de ouvido”, onde praticamente ninguém quer mais ouvir os outros, mas somente a si mesmo. Na família cristã, porém, deve ser diferente. Tiago, ao escrever sua carta, diz que não apenas alguns, mas todos devem ser prontos para ouvir e tardios para falar (Tg 1.19). Essa regra de ouro da vida em família salvou Naamã da morte iminente (2Rs 5.1-4; 13.14) e pode salvar muitas famílias, hoje em dia, se pararem para ouvir a voz de Deus.
2. A arrogância dos filhos desobedientes. Arrogância na comunicação em família é algo terrível e destruidor. Roboão, filho de Salomão deixou de ouvir os conselhos dos mais velhos. Achou melhor seguir a orientação daqueles que não tinham experiência na vida. Causou um dano irreparável ao seu reino. Seu pai já tinha dito: “Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço” (Pv 1.8,9 — NVI). Certamente o ensinamento não foi bem compreendido por Roboão. Sua vida foi sem brilho, um garoto mimado, que esteve no trono tão somente pela promessa que Deus fizera a Davi, seu avô. Poderia ter feito uma grande diferença.
3. A falta de tempo (e paciência) dos pais. Um dos graves problemas familiares é a falta de tempo dos pais para ouvir seus filhos. Frequentemente, eles precisam de apoio, conselhos, atenção. Entretanto, às vezes, os pais estão ocupados demais. Tal situação também ocorre dentro do relacionamento do casal. As consequências são muito ruins. Isso aconteceu com Davi. Um grande rei, mas um péssimo pai. Nunca teve tempo para ouvir as angústias de seu filho Absalão. Nunca o repreendeu. Nunca o aconselhou. Nunca o elogiou. Quando, por fim, Absalão se revoltou e tomou-lhe o reino, parece que Davi entendeu que a culpa era toda paternal. Ao orientar seu general, que iria guerrear para retomar-lhe o poder, pediu que tratasse brandamente seu filho Absalão (2Sm 18.5). Joabe, o general, não atendeu ao rei, e matou o insurgente filho. Ao saber da notícia da morte de Absalão, Davi ficou devastado. Está escrito: “Então, o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e, andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” (2Sm 18.33). 

Pense!

Como pode um homem segundo o coração de Deus, como o rei Davi, ter conseguido ser tão deficiente no papel de marido e pai? Como explicar isso?

Ponto Importante

Josué escolheu, com sua casa, servir ao Senhor (Js 24.15). Davi, porém, priorizou sua devoção particular e esqueceu sua família. Por isso, deu tudo errado. 

 CONCLUSÃO

O corre-corre da vida e as preocupações com o amanhã, às vezes, transformam os jovens em ativistas, os quais não dispõem de tempo para ouvir... Ouvir a voz da consciência, os pais, os irmãos, ouvir a voz do Espírito Santo... Com isso, deixam de desfrutar de momentos especiais com a família e com Deus. Perde-se, assim, o melhor da vida! “Quem tem ouvidos, ouça, o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.29).

HORA DA REVISÃO

1. Segundo a lição, o que todas as pessoas têm em comum?
Todas são diferentes. 
2. Cite dois patriarcas que souberam se comunicar bem.
Noé e Abraão. 
3. Nome de dois patriarcas que tiveram excelente comunicação familiar.
Noé e Abraão. 
4. Conforme a lição, quem era segundo o coração de Deus, mas um péssimo pai?
Davi. 
5. Cite um argumento que demonstra que Jesus era simpático.
As crianças sempre estavam perto dEle.

SUBSÍDIO I

“A comunicação com a pessoa amada é mais do que mera troca de palavras, mesmo se feita com uma habilidade elegante. A comunicação, se usada de forma a oferecer o seu proveito total, possui a promessa de aproximar as pessoas que se amam em um nível tão profundo que qualquer pessoa de fora jamais poderá compreendê-la verdadeiramente.
Temos visto, repetidamente, linhas de comunicação defeituosas puxarem para baixo um relacionamento. [...] Desapontados, os casais erguem defesas um contra o outro, tornando-se cautelosos. Eles param de confiar um no outro e se retiram emocionalmente do relacionamento. Eles não conseguem conversar sem culpar, e então param de ouvir.
É difícil exagerar quando se fala da importância da comunicação em qualquer relacionamento, mas especialmente no casamento. Quase todos os casais (97% que avaliam a sua comunicação com seus companheiros como excelente são felizes no casamento, comparados com apenas 56% daqueles que avaliam a sua comunicação como pobre). A pesquisa concluiu: ‘Em uma era de casamentos crescentemente frágeis, a habilidade de um casal de se comunicar é a parte que mais contribui para um casamento estável e satisfatório’” (PARROTT, Les e Leslie. Conversa de Amor. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2011, pp.22,30,31).

SUBSÍDIO II

“Susanna (Wesley) sabia o valor da atenção concentrada e gastava tempo de qualidade sozinha com cada um de seus oito filhos mais novos que ainda moravam em sua casa. Nas segundas-feiras, gastava tempo com Millie, às terças-feiras com Henry, às quartas-feiras com Nancy, às quintas-feiras com Jacky, às sextas-feiras com Parry, aos sábados com Charles, e aos domingos com Emelia e Sukey. Queria fazer mais do que ser a professora de seus filhos. Queria conhecê-los intimamente. Queria escutar-lhes.
Quais foram os dividendos de seu tempo investido? Talvez seus filhos mais conhecidos sejam John, um evangelista e teólogo renomado que pregou em torno de 42.000 sermões e escreveu 233 livros, e Charles, que compôs uns 8.000 hinos. Juntos, fundaram o metodismo e conduziram a igreja na Inglaterra a um reavivamento, ensinando que a salvação é somente pela graça, somente por meio de Jesus Cristo. Os dois irmãos viajaram mais de duzentos e cinquenta mil quilômetros para espalhar o evangelho de Jesus Cristo.
John (Wesley) [...] disse: Eu aprendi mais sobre o cristianismo com minha mãe do que com todos os teólogos da Inglaterra. Minha mãe foi a fonte pela qual emanaram todos os princípios norteadores da minha vida” (JAYNES, Sharon. Grandes Mães Criam Filhos Felizes. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2013, p.66).