terça-feira, 1 de março de 2016

Estudo e comentario de HEBREUS (14)



     (N.14) ESTUDO E COMENTATIO LIVRO DE HEBREUS

                             Hebreus 13.1-4,7,17,20-22.


O escritor sagrado adiciona no texto em estudo uma variedade de breves declarações que contêm agudas exortações práticas para que o crente viva a vida cristã de modo digno. Ele sabia que seus leitores se tinham mostrado ativos no passado, em simpatia e bondade para com seus irmãos na fé (6.10). Por esta razão, exorta-os aqui sobre a importância de manter tal amor prático entre os membros da fraternidade cristã: eles deveriam lembra-se particularmente dos encarcerados, dos que estivessem sofrendo enfermidades ou maus tratos, pois os crentes deveriam

I. VIRTUDES RELEVANTES A VIDA CRISTÃ

1. O amor fraternal (v.1). Essa virtude é tão importante que representa a marca, ou distintivo, do verdadeiro discípulo (cf. Jo 13.34,35). Sem o amor fraternal de nada servem os dons ou a realização de boas obras (1 Co 13). Visto que nossos irmãos fazem parte da família de Deus, devemos amá-los incondicionalmente; desprezá-los é o primeiro passo para quem desconsidera a Cristo, nosso irmão mais velho.
2. A hospitalidade (v.2). A hospitalidade deve ser prestada não somente aos estranhos (v.2), mas também aos pobres (Lc 14.13), e até mesmo aos inimigos (Rm 12.20).
Na época em que foi escrita a Epístola aos Hebreus, muitos cristãos haviam perdido todos os seus bens em consequência da perseguição que lhes movia as autoridades constituídas. Neste aspecto, a hospitalidade trazia alento a esses servos de Deus, e demonstrava que outros crentes poderiam servir ao Senhor abrindo suas casas para lhes servirem de abrigo. Entretanto, essa simpática atitude, principalmente em nossos dias, não deve ser confundida com a de hospedar qualquer pessoa sem conhecê-la ou saber de suas reais intenções.
3. O valor do matrimônio (v.4). A expressão “venerado seja” nesse texto, denota elevado grau de respeito e consideração para com o matrimônio. Muitos desprezam o casamento para viverem uma vida desregrada, dissoluta e descompromissada. A vida cristã exige compromisso sério não apenas com Deus e a igreja, mas também com a sociedade e a família; e esta última começa com o nosso cônjuge. Quaisquer comprometimentos sexuais ilícitos — a prostituição, o adultério — são duramente condenados por Deus, e quem pratica tais coisas receberá dEle o justo juízo. Deus quer que seus filhos tenham vida sexual ilibada, não apenas por causa do testemunho, mas também por sermos o templo do seu Espírito.
4. O valor da beneficência (vv.3,6). O escritor não se esqueceu da importância da beneficência cristã. Exortou aqueles crentes a que se lembrassem dos que estavam presos e dos maltratados como se estivessem no lugar deles. Um crente perseguido facilmente seria lembrado por seus irmãos, mas os que permaneciam presos por muito tempo poderiam ser esquecidos. Há muitas pessoas que são perseguidas e presas por causa de sua fé em Cristo, como há também aquelas que cumprem pena por terem transgredido a lei dos homens. Mas tanto um como o outro não podem ser desprezados pela igreja do Senhor.

II. EXPRESSÕES DA FÉ: SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA

1. Submissão à liderança (vv.7,17). O escritor adverte a seus leitores sobre a maneira correta de tratar os que pastoreiam o rebanho do Senhor:
a) Lembrando-se deles e imitando-lhes a fé (13.7). É dever dos membros da igreja lembrarem-se de seus pastores em suas orações diárias e não apenas em épocas especiais como a data reservada à comemoração do “dia do pastor”.
Os pastores são modelos que precisam ser imitados, pois homens de fé servem de exemplo e impulsionam outros homens a terem fé.
b) Atentando para a sua maneira de viver (13.7). A vida de um pastor sempre será observada: sua integridade, piedade, amor a Deus e a sua obra servirão de exemplo principalmente para os novos obreiros. Daí a grande responsabilidade do pastor.
c) Obedecendo-lhes (13.17a). A lembrança e a atenção dadas aos pastores de nada valerão se não forem acompanhadas pela obediência aos mesmos. Eles são responsáveis por trazer mensagens, orar por nós, administrar a igreja, aconselhar, visitar, ter a família como exemplo e prestar contas a Deus do rebanho que lhe foi confiado. Será que, com tantas responsabilidades, eles não merecem a obediência de suas ovelhas?
“A obediência e a fidelidade aos líderes cristãos, aos pastores e mestres, deve basear-se numa superior lealdade a Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD).
Hoje em dia, muitos obreiros são desrespeitados. E essa é a estratégia de Satanás para enfraquecer a liderança eclesiástica. Que possamos ter em alta estima aqueles a quem Deus escolheu para zelar por nós.
2. Obediência a Cristo. “... Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade...” (vv.20,21). (Grifo nosso.) Isso significa que aquele que nos salvou continua a realizar sua obra em nós, tornando-nos sensíveis à sua vontade para que tudo quanto fizermos seja agradável aos seus olhos. A obediência ao Senhor Jesus deve ocupar o primeiro lugar na vida cristã.
3. Obediência à Palavra (v.22). O escritor exorta-nos a “suportar a presente palavra”. “Tenham paciência comigo”, pede ele, “quanto partilho a Palavra com vocês. Aceitem-na com paciência e digiram-na, porque a carta não é muito comprida” Quando Deus fala, como o fez por meio desta epístola, devemos ouvir e aplicar o que ouvimos.

O escritor conclui sua Epístola, desejando que o Senhor Jesus Cristo, “o grande pastor das ovelhas” aperfeiçoe os crentes em toda a boa obra, operando o que lhe é agradável, e roga que aqueles crentes suportem a exortação“ (vv.20-25). Que o Senhor nos ajude a entender e guardar os preciosos e santos ensinos que estudamos durante este trimestre.
“O amor entre os irmãos pode ser comparado à ‘vara’ que segurava as tábuas recobertas de ouro do antigo Tabernáculo, servindo para dar unidade ao recinto em que se manifestava a divina presença. O amor do cristão para com o seu próximo é universal. Que esse amor continue sempre entre nós (v.1).
Nesse tempo era uma necessidade que houvesse hospitalidade particular, devido à falta de hotéis. A hospitalidade não é necessariamente uma virtude cristã, mas de qualquer maneira, a sociedade cristã deve provê-la (v.2).
De modo prático, o cristão deve procurar socorrer quem precisa dele, seja tal necessidade resultado de perseguição ou decorrente das circunstâncias adversas da vida (v.3).
Os avisos sobre o caráter sagrado do matrimônio eram especialmente oportunos, devido à facilidade do divórcio entre os judeus, uma vez sancionados pelos mestres da escola do grande rabino Hillel (Westcott). Deus julgará e condenará as violações dos laços matrimoniais, quer dos solteiros que vivem em fornicação, quer dos casados que praticam o adultério, independente de qual seja a opinião tolerante da sociedade da época. Como é necessária essa mesma exortação para os dias atuais (v.4).

Esta seção inicia com uma referência aos líderes da igreja (v.7) e assim também se encerra (v.17). Da primeira vez, o autor ordenara aos crentes reconhecerem com gratidão os seus pais na fé, os fundadores da igreja, que possivelmente já haviam falecido, procurando seguir-lhes o exemplo. Agora ele manda que obedeçam àqueles que estão atualmente na direção, seus pastores. Tais homens não eram aventureiros inescrupulosos, mas homens de Deus, cônscios de sua responsabilidade pastoral perante Deus e a igreja. Portanto, que não lhes causassem tristeza, comportando-se como ovelhas desgarradas, pois isso não lhes seria proveitoso” (Comentário Bíblico — Hebreus, CPAD, págs.170-174).FONTE CPAD

Estudo e comentario de HEBREUS (13)

  



         ( N.13)ESTUDO E COMENTARIO DE HEBREUS

                              Hebreus 12.1,2,6-8,12,13.





Depois de apresentar os homens de fé e a vitória que eles alcançaram, o escritor aos hebreus volta e dirigi-se aos seus leitores para estimulá-los a percorrer o mesmo caminho. Tanto os antigos crentes como nós somos aperfeiçoados em Cristo. Eles alcançaram esta posição por sua fé apesar de sofrerem tantas provações. Nós, igualmente, devemos ter uma fé ativa, despojando-nos de todo o embaraço e do pecado que nos assedia, para corrermos com perseverança a carreira que nos foi proposta.
Os cristãos hebreus tinham à sua disposição muito mais vantagens que as permitidas aos heróis que os antecederam. O autor se compara, juntamente com seus irmãos em Cristo, a atletas disputando uma corrida, ao redor dos quais está aquela numerosa plateia enfileirada, como nas arquibancadas de um grande estádio. As testemunhas da grande prova são justamente os heróis da fé, cujos feitos estão registrados no capítulo 11 da epístola em estudo. Tomando o exemplo desses homens das gerações anteriores, o escritor procura nos encorajar a correr a boa corrida da fé e ganhar, pela resistência e coragem, o prêmio que nos é oferecido.
Os dois últimos capítulos de Hebreus encerram a epístola com exortações e orientações aos crentes sobre como perseverar na fé e na doutrina, com disciplina, amor e santidade. Estes temas atualmente são desprezados em muitos lugares, por causa do “vírus” do relativismo. Mas a Palavra de Deus é como um “martelo que esmiúça a penha” (Jr 23.29), e dissipa os “ventos” contrários a sã doutrina, fortalecendo e edificando os que hão de concluir a carreira cristã.

I. A CARREIRA COM PACIÊNCIA

1. Uma nuvem de testemunhas (v.1). O escritor nos leva a outros aspectos da vida cristã, ressaltando que estamos rodeados de “uma tão grande nuvem de testemunhas”. Quem são essas testemunhas? Pelo contexto entendemos que aqueles são heróis diante do Todo-poderoso que testemunham a sua fidelidade. Aqui, a palavra testemunha, originalmente martys, denota a experiência dos antepassados da fé. Por outro lado, podemos dizer que em nossa carreira cristã estamos sendo observados por muitas testemunhas. Umas visíveis: os homens, crentes e descrentes; outras, invisíveis: os anjos e os demônios. (Ver Sl 34.7; Hb 1.13,14; 1 Pe 5.8.) Diante dessa realidade devemos ter muito cuidado com o nosso comportamento.
2. Deixando o pecado e o embaraço (v.2). Somos exortados a deixar “todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia”. O embaraço certamente não é pecado, mas pode tornar-se num impedimento, ou num atraso à nossa vida e carreira espiritual, e aí sim, conduzir-nos ao pecado. Um crente embaraçado é facilmente atingido pelo Diabo. A televisão, por exemplo, mesmo transmitindo programas de cunho informativo ou cultural, pode embaraçar o crente se este deixar de ir à casa de Deus para prostrar-se diante dela. Há crentes que se embaraçam com dívidas, amizades, esportes, lazer, etc. Ademais disso, não podemos esquecer que a Bíblia nos manda remir o tempo (Ef 5.15,16).
3. Correndo com paciência. Aqui o escritor toma uma figura de linguagem emprestada, provavelmente dos jogos olímpicos, para comparar a vida cristã a uma maratona. Numa corrida, é necessário ter paciência para se alcançar a chegada (cf. Hb 10.36). No caso da fé, a carreira não é escolhida pelo cristão, e sim proposta por Deus. O crente precisa correr e chegar ao final vitorioso. Para que isso aconteça só existe um segredo segundo as Escrituras: perseverança e paciência (Rm 5.3-5).
4. Olhando para Jesus (v.2). Numa corrida de resistência, o atleta precisa olhar para frente, caso contrário, poderá perder o tempo e o rumo. Na vida cristã, mais ainda, o crente não pode perder de vista o alvo, Jesus. Ele é o autor e também o consumador de nossa fé. Deu-nos o exemplo, suportando a cruz, desprezando a afronta, até assentar-se à direita de Deus, “pelo gozo que lhe estava proposto”. A história da Igreja está cheia de exemplos de homens e mulheres, que corajosamente desprezaram os prazeres e as glórias do mundo por amor a Cristo.
5. A correção com amor (vv.3-11). Nesta primeira parte do texto, o escritor exorta os crentes hebreus à perseverança, dizendo que ainda não haviam resistido “até o sangue no combate contra o pecado” (v.4). Parece que o escritor tinha em mente que seus destinatários poderiam ignorar um pouco da Palavra de Deus, e cita Provérbios 3.11-12, onde a Palavra de Deus anima os crentes a não se esquecerem da exortação do Pai, e a não desanimarem ao serem repreendidos.
No v.6, o autor diz que se alguém está sem disciplina não é filho, mas bastardo, ou filho ilegítimo (vv.7,8). E conclui falando do valor da correção: “porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que o recebe por filho” (vv.10,11). Trata-se da correção com amor.

II. EXORTAÇÃO À SANTIFICAÇÃO

1. Levantando as mãos cansadas (v.12). Na vida cristã, pode haver momentos de cansaço e esgotamento espiritual. Mas existe um remédio para isso: Os que estão firmes pela graça de Deus, ao invés de dificultarem ainda mais a caminhada dos mais fracos, devem ajudá-los a levantarem-se (cf. Jó 4.3; Is 35.3). E, Deus tem o poder necessário para nos renovar e restaurar (Is 40.29-31).
2. Seguindo a paz e a santificação. Santidade é o estado de quem se destaca pela pureza. Santificação é a prática. E só é possível através da Palavra de Deus e mediante o sangue de Cristo (Jo 17.17; 1 Jo 1.7). A santificação é a salvação em andamento, em processo. A doutrina equivocada de que “uma vez salvo para sempre salvo” não passa de falácia, para justificar a pretensiosa doutrina da predestinação absoluta, segundo a qual uns nascem “carimbados” como “salvos” e outros como “perdidos”. Uma vez salvo, o cristão precisa fazer sua parte: separar-se do mundo e dedicar-se totalmente ao serviço do Reino de Deus.
Temos uma carreira a percorrer pacientemente, mas esta deve ser livre de embaraços, pois eles, mesmo não sendo o pecado, podem conduzir-nos a ele. Que possamos concluir esta carreira como santos filhos de Deus, e receber do nosso Pai o galardão reservado a cada um de nós.

‘A carreira que nos está proposta’. Esta corrida é o teste neste mundo, que dura a vida inteira (10.23,38; 12.25; 13.13).
(1) A corrida deve ser efetuada com ‘paciência’ (gr. hupomone), ou seja, com perseverança e constância (cf. 10.36; Fp 3.12-14). O caminho da vitória é o mesmo que o dos santos no capítulo 11 - esforçando-se para chegar até ao fim (cf. 6.11,12; 12.1-4; Lc 21.19; 1 Co 9.24,25; Fp 3.11-14; Ap 3.21).
(2) Na corrida, devemos deixar de lado os pecados que nos atrapalham ou que nos fazem ficar para trás (v.1) e fixarmos os olhos, nossas vidas e nossos corações em Jesus e no exemplo que Ele nos legou na terra, de obediência perseverante (vv.1-4).
(3) Na corrida, devemos estar conscientes de que o maior perigo que nos confronta é a tentação de ceder ao pecado (vv.1,4), de voltar àquela pátria de onde haviam saído (11.15; Tg 1.12), e de nos tornar, de novo, cidadãos do mundo (Mc 11.13; Tg 4.4; 1 Jo 2.15; ver Hb 11.10)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1918).
“Portanto, tal como a Cristo, há uma carreira proposta ao povo de Deus, um alvo as ser alcançado, um caminho a ser percorrido. Jesus Cristo é o príncipe, o Líder e o Aperfeiçoador da fé. AquEle que não se embaraçou com as coisas materiais desta vida, pois contemplava a eternidade, sabendo discernir o valor das coisas que não se viam. Tal deve ser a nossa paciência. A luta de Cristo foi até a morte, e Ele a venceu. Animados por seu exemplo, podemos fazer o mesmo” (Comentário Bíblico Hebreus, CPAD, p.167).FONTE CPAD




Estudo e comentario de HEBREUS (12)

        


          (N.12) ESTUDO E COMENTARIO BIBLICO DE

                                  HEBREUS 11.1-6.



Querendo apresentar uma parte da história antiga para demonstrar a eficiência da fé, o escritor aos hebreus principia seu relato dizendo que a própria criação do universo é uma ilustração da fé. “Pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados” (v.3). A fé se baseia na Palavra de Deus. Esta palavra consiste num poder invisível que produziu do invisível o universo, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

A fé, conforme a Palavra de Deus, é a condição básica para ser salvo e receber de Deus auxílio em todos os aspectos. É a base — “firme fundamento” — , a esperança — “das coisas que se esperam” — e a convicção — “prova das coisas que não se veem”. O escritor, recorrendo à história judaica, mostra diversas personagens que, pela fé, e não por seus próprios méritos, puderam obter da parte de Deus vitórias marcantes. Tais personagens viram de longe as promessas de Deus, e morreram crendo no cumprimento delas. Deus considera esses heróis como pessoas “dos quais o mundo não era digno”, exemplos de fé a serem seguidos por todos nós.
Trace uma linha no quadro de giz, dividindo seu espaço em duas partes. De um lado relacione as principais características dos heróis da fé descritas no cap. 11 da epístola em estudo (sem citar o nome do personagem). Do outro relacione os nomes das personagens, porém, fora da ordem especificada no texto.
Esta atividade consiste em fazer os alunos identificarem as personagens tendo em vista suas características relacionadas à fé.


Fé Esta palavra tão pequena encerra em si grande conteúdo para os que de Deus se aproximam. Sem ela não existiria a Igreja, não haveria salvos, esperança de vida futura, não poderíamos esperar um mundo melhor nem creríamos na Segunda Vinda de Cristo. É por meio da fé que recebemos as bênçãos de Deus. Esta preciosa e santíssima fé vem-nos através de Cristo, para que ninguém tenha de que se gloriar (Hb 12.2).

I. CONCEITO DE FÉ

O escritor sacro não pretendeu simplesmente definir a fé, mas sim descrevê-la como elemento fundamental da vida cristã.
1. O firme fundamento. Fundamento aqui significa muito mais que a mera certeza humana, fruto da lógica, ou do exercício da futurologia. Na visão cristã, tem o sentido de certeza inabalável, ou seja, temos convicção de que servimos a um Deus onipotente, onisciente e onipresente, que vela por sua Palavra para a cumprir (cf. Jr 1.12; Is 43.13). Significa também certeza absoluta a respeito da nossa salvação. Ver 1 Jo 3.2. Assim, a certeza é o primeiro elemento essencial da verdadeira fé, isto é, “a fé que é por Ele” (At 3.16).
2. Das coisas que se esperam. “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...”. O segundo elemento essencial da fé é a esperança. Esta é consubstanciada na forte convicção de que aquilo que se espera da parte de Deus há de acontecer sempre, independente das circunstâncias. Abraão creu que teria um filho segundo a promessa divina, fruto de sua união com Sara, mesmo quando a lógica humana dissesse o contrário.
3. A prova das coisas que não se veem. A “prova” tem o significado de “convicção”, que é o terceiro elemento da fé. Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva. Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese. Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.

II. EXEMPLOS MARCANTES DE FÉ

1. Abel. Foi exemplo de fé sacrificial. A Bíblia não diz em Gênesis 4 por que Deus aceitou seu sacrifício e não o de seu irmão, o homicida Caim. Mas em Hebreus 11.4 podemos constatar o final da história: enquanto a oferta de Abel foi movida pela fé em Deus (ver Jd v.11), Caim trilhou seu “caminho” sem fé.
A ideia de que a oferta de Abel foi aceita por tratar-se de oferta com sangue (apontava para o sacrifício de Cristo) apesar de correta, é parcial, uma vez que a oblação de Caim, mesmo sendo de vegetais, também seria aceita por ser produto do seu trabalho como lavrador (Gn 4.3; ver v.7).
Caim tinha má índole; era iracundo e “suas obras eram más” (1 Jo 3.12), por essas razões suas ofertas não foram aceitas pelo Senhor.
2. Enoque. Exemplo de fé agradável. O pouco que a Bíblia fala sobre esse homem de Deus encerra a grandeza de seu caráter e de sua fé: “E andou Enoque com Deus; e não se viu mais, porquanto Deus para si o tomou” (Gn 5.24). Se ele “andou com Deus”, ou seja, viveu em íntima comunhão com o Eterno e no centro da sua vontade, diante da extrema incredulidade de seu tempo, foi porque tinha uma fé viva, que via o mundo melhor. Por isso, ainda na terra, antes da sua trasladação, “alcançou testemunho de que agradara a Deus”. Sem fé não agradamos a Deus (Hb 11.6).
3. Noé. Exemplo de fé obediente e justa. Nunca ouvira falar de dilúvio, todavia, “divinamente avisado das coisas que não se viam, temeu” e obedeceu, preparando uma arca “para salvação da sua família”. Noé foi o primeiro homem na Bíblia a ser chamado justo. Isso nos traz uma lição de extremo valor: o homem de fé precisa ser justo diante de Deus e dos homens.
4. Abraão. É considerado o pai da fé provada. Quando foi chamado por Deus, sequer imaginava para onde iria (v.8). Passou anos habitando em tendas, peregrinando “como em terra alheia” (v.9) e recebeu a promessa de que seria “uma grande nação” (Gn 12.2). O Todo-Poderoso mandou que ele olhasse para os céus e contasse as estrelas, se pudesse, dizendo que assim seria sua semente: “e creu ele no Senhor e foi-lhe imputado isto por justiça”. Mais tarde Deus pediu-lhe em sacrifício seu único filho, Isaque. Sem relutar, o grande patriarca obedeceu piamente à voz do Altíssimo, crendo “que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar” (vv.17,18). O Deus de Abraão é o nosso Deus. Ele é fiel em cumprir sua palavra (cf. Jr 1.12).

III. VIRAM AS PROMESSAS DE LONGE

1. Todos estes morreram na fé. Após destacar os quatro primeiros heróis da fé, o escritor declara que eles morreram na fé, “sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe...”. Como Paulo, combateram o bom combate, acabaram a carreira e guardaram a fé (2 Tm 4.7).
2. Viram as promessas de longe. Era a fé fazendo-os olhar para o horizonte ao longe, sem chegar lá, porém contemplando o cumprimento das promessas. Certamente eles usufruíam a salvação em Cristo porque criam na vida eterna, na entrada nos céus, na vitória sobre o mal e, sobretudo, no reinado eterno de Deus.
3. Crendo nas promessas, abraçando-as e confessando-as (v.13). A fé daqueles homens era tão forte e poderosa que, mesmo sem verem o cumprimento das promessas de Deus, nelas creram e as abraçaram (cf. v.1). Eles consideravam-se “estrangeiros e peregrinos na terra”, porque esperavam uma pátria melhor, definitiva, no futuro, sendo aclamados por Deus, “porque já lhes preparou uma cidade” (vv.13-16).

IV. HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO

Na última parte do texto em estudo, a Palavra de Deus fala de forma comovente sobre dois tipos de heróis da fé. São eles:
1. Os lutadores. As Escrituras apresentam vários exemplos de lutadores. Eles “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, neutralizaram a força do fogo, escaparam do fio da espada”, tudo isso pela fé no Todo-Poderoso.
2. Os martirizados. Foram os que, na luta pela fé, foram açoitados, apedrejados, presos, aflitos, torturados e mortos: “não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição” (vv.35-37). A história da Igreja registra outros grandiosos exemplos de fé e coragem entre os mártires do cristianismo.
3. Foram homens “dos quais o mundo não era digno”. O “mundo” que não é digno dos homens de Deus é aquele que se opõe ao bem, e que dificulta a inquirição espiritual. Foi para esse mundo que Jesus apontou ao falar sobre a inevitabilidade das perseguições: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim” (Jo 15.18).
Os homens dos quais o mundo não era digno viram de longe as promessas, mas não as alcançaram, “provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (vv.39,40).
Hoje para muitos, principalmente crianças e adolescentes que não conhecem a Deus, os heróis são os ídolos humanos ou virtuais da TV e do cinema. Esses não passam de falsos ídolos e heróis que desencaminham seus admiradores para o mal. Contudo, a Bíblia nos inspira fé e perseverança, necessárias para que confiemos nas promessas de Deus. Ela nos mostra em suas páginas a vida de homens e mulheres, crianças e adolescentes, jovens e adultos, que nos legaram exemplos extraordinários da verdadeira fé em Deus.

“Encorajamento palas vitórias da fé (Cap.11). O autor, neste capítulo, destaca a fé como sendo a grande característica e o denominador comum do verdadeiro povo de Deus em todos os tempos (cf. 10.38,39). Ele menciona detalhadamente os heróis da fé que viviam sob a antiga aliança e cujos exemplos nos incentivam a sermos leais a Deus, hoje.
O versículo 1 é muitas vezes citado como uma definição de fé, porém, na realidade é mais uma explicação das características da fé. Em poucas palavras, a fé é simplesmente confiança em Deus e sua palavra (cf. Rm 10.17). Parafraseando o versículo, poderíamos dizer: ‘A fé significa que somos confiantes; temos a certeza (algo que serve de base ou apoio a qualquer coisa, como um alicerce, um fundamento, uma promessa ou um contrato) daquilo quer esperamos receber, a convicção da realidade das coisas invisíveis’.
Foi com essa atitude de fé que, naquele tempo, os heróis enfrentaram o futuro e aprenderam as coisas invisíveis. Os antigos alcançaram testemunho e o próprio Deus também testificou da fé que possuíam, a qual superou todos os obstáculos, sendo seus feitos registrados na Bíblia como homens de fé (v.2).
A crença em Deus como Criador de todas as coisas do universo é imprescindível para a vida de fé, qualquer que seja sua manifestação (v.3). ‘Por isso, em primeiro lugar, o autor declara essa ação primária da fé, pela qual chegamos à plena certeza de que o mundo - a História e as eras - não resultou do acaso; é uma resposta à expressão da vontade de Deus’ (Westcott)” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, pág.158).

“Creia que ele existe (Hb 11.6). Este versículo descreve as convicções integrantes da fé salvífica. (1) devemos crer na existência de um Deus pessoal, infinito e santo, que tem cuidado de nós. (2) Devemos crer que Ele nos galardoará quando o buscarmos com sinceridade, sabendo que nosso maior galardão é a alegria e a presença do próprio Deus. Ele é nosso escudo e nossa grande recompensa (Gn 15.1; Dt 4.29; Mt 7.7,8 nota; Jo 14.21 nota). (3) Devemos buscar a Deus com diligência e desejar ansiosamente a sua presença e graça” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág.1916.).FONTE CPAD


Estudo e comentario de HEBREUS (11)

          

         (N.11) ESTUDO DE HEBREUS E COMENTARIO

                             Hebreus 10.26-31,38,39.



Os homens precisam aceitar o sacrifício de Cristo, senão sofrerão o juízo eterno. Não há alternativa. O escritor aos hebreus apresenta a salvação como presente para os que esperam a Cristo; mas para os que rejeitam o seu sacrifício, há apenas uma expectação terrível de juízo “prestes a consumir os adversários”. O apóstolo Pedro diria a essas pessoas: “Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”.
O sacrifício de Cristo nos faculta o acesso a Deus. Entretanto, Deus exige de nós responsabilidade no uso de seus dons, mas deseja principalmente de nós uma vida de santidade. Pode haver na igreja pessoas que, mesmo tendo experimentado os presentes de Deus — a salvação, o perdão dos pecados, a inclusão na igreja — queiram pecar voluntariamente, não havendo para os pecados de tais pessoas qualquer sacrifício. Pelo fato de retornarem à vida de pecados e pisarem o Filho de Deus, resta-lhes a expectação de algo ruim, pois cairão nas mãos do Deus Vivo. 

Estudaremos sobre o pecado da apostasia, para o qual “não resta mais sacrifício”. Esse tipo de pecado era conhecido entre os rabinos do Antigo Testamento. Naquela ocasião, somente os pecados de ignorância podiam ser expiados; se um homem pecasse deliberadamente, com pleno conhecimento de sua maldade, não haveria mais sacrifício em seu favor; simplesmente seria excluído do seu povo. Sua iniquidade permaneceria sobre ele e não teria direito ao perdão. Este assunto tem sido motivo de muitos questionamentos.

I. PECADO VOLUNTÁRIO

No capítulo 3 de Hebreus, está escrito: “Vede irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (v.12). “O termo gr. aphistemi, traduzido ‘apartar’ é definido como decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado” (Bíblia de Estudo Pentecostal). Trata-se de apostasia. “Esse pecado consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do testemunho do Espírito Santo, com respeito à graça de Deus manifesta em Jesus Cristo” (Oliveira). É nesse contexto que devemos entender o presente tema.
1. Tendo conhecido a verdade (v.26). O texto sagrado refere-se a um tipo de pecado espontâneo, consciente. O conhecimento da verdade aqui mencionado não é o rudimentar, experimentado pelo novo convertido, ou por aquele crente de vida cristã superficial, mas o conhecimento da verdade divina no sentido amplo (epignosis).
2. Não resta mais sacrifício. “Já não resta mais sacrifício pelos pecados”, assevera o texto sagrado. Trata-se dos pecados insolentes, que se constituem numa afronta inominável a Deus. Pecar assim é um atentado à santidade do Altíssimo. É loucura que trará sérias consequências.
A verdade divina liberta (Jo 8.32) quando o pecador a recebe de coração. No entanto, quando a verdade é desprezada de modo deliberado, consciente, doloso, reincidente e ofensivo, por quem a conhece bastante, torna-se impossível o perdão porque tal pessoa repudia e repele para longe de si a graça de Deus, que pode levá-la ao arrependimento. No contexto iníquo já descrito, tal pessoa peca não somente contra o Filho, mas também contra o Pai, que o enviou, e contra o Espírito Santo, que nos convence do pecado. Quem então convencerá tal pessoa do seu pecado?
3. Só resta uma expectação horrível (v.27). Não havendo mais sacrifício pelo pecado, o que resta? Só resta “a expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários”. Só lhe espera uma sentença: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (v.31).

II. DESPREZANDO O ÚNICO SACRIFÍCIO QUE SALVA

1. Pisando o Filho de Deus (v.29). Na lei de Moisés, a palavra de duas ou três pessoas era válida para que um sacrílego fosse condenado sem misericórdia (Dt 17.2-6). Para aquela pessoa, não havia mais apelação: a morte era certa. Quem pisar o Filho de Deus, um “maior castigo” lhe sobrevirá. Desprezar o evangelho é considerar sem valor o sacrifício de Cristo; é zombar da salvação, desprezar tudo o que há de sagrado na igreja de Cristo depois de ter conhecido a verdade proveniente dos Santos Oráculos.
2. Profanando o sangue do testamento (v.29b). Significa considerar o sangue do Filho de Deus como sangue comum, profano, sem nenhum valor sagrado ou redentor. A Bíblia diz que “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1.7). É por seu sangue que nos aproximamos dEle (Ef 2.13); o sangue de Cristo purifica (Hb 9.14); resgata (1 Pe 1.19); lava de todo o pecado (Ap 1.5). Assim, se o deliberado transgressor profana o sangue de Cristo, não há nada mais que o possa renovar ou purificar.
3. Agravo ao Espírito Santo (v.29). Trata-se de um pecado múltiplo em sua prática: enquanto pisa o Filho de Deus, profana o seu sangue e faz agravo ao Espírito Santo (literalmente, insulto, insolência, ultraje). Para esse tipo de pecador, o Calvário não passa de uma encenação, de uma farsa.
a) Blasfêmia contra o Espírito Santo. Com o coração endurecido, o pecador ultraja conscientemente o Espírito Santo. Quanto a isso Jesus advertiu severamente: “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). No texto de Marcos, depreende-se que blasfemar contra o Espírito de Deus é o mesmo que atribuir a Satanás a obra de Cristo. Como vemos, a Epístola aos Hebreus apenas corrobora o que Jesus já ensinara anteriormente.
b) O pecado imperdoável não é a simples incredulidade. O incrédulo de fato, se não aceitar a Cristo, está condenado (Jo 3.18). No caso em questão, não se trata de um incrédulo qualquer, mas de alguém que já teve amplo conhecimento da verdade. O Espírito Santo é que tem o poder de convencer o pecador de seus pecados (Jo 16.8). Se o miserável o despreza e lhe faz agravo, não há mais esperança para o tal.
c) Arrependimento impossível. No estudo referente ao capítulo 6 de Hebreus, já aprendemos que se torna impossível a renovação para arrependimento daqueles que “uma vez foram iluminados”; “provaram o dom celestial”; “se fizeram participantes do Espírito Santo”; “provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro” (vv.5,6). Qual a razão de tal impossibilidade? A resposta está claramente estampada no texto: por que “de novo crucificaram o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério”. Mais uma vez constatamos que o pecado imperdoável não é cometido por um desobediente desavisado qualquer; não se trata de pecado por ignorância.

III. O JUÍZO DE DEUS É SEVERO E TOTAL

1. “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Essa advertência nos mostra o quanto Deus é severo em seu juízo: nenhum suborno poderá alterar seus propósitos; nem fama, nem riquezas e nem vantagens terrenas de qualquer espécie farão qualquer diferença no juízo celestial.
2. Lembrando dos dias passados (v.32). Aqui a admoestação aos destinatários da Epístola é para que se lembrem “dos dias passados”, nos quais eles deram seu testemunho diante de seus perseguidores. Aqueles crentes compadeceram-se dos que foram presos e perderam bens, sabendo que teriam “nos céus uma possessão melhor e permanente” (vv.33,34).
A apostasia, o abandono deliberado da fé em Cristo, é algo de indescritível gravidade espiritual. Se rejeitarmos o sacrifício de Cristo como paga pelos nossos pecados, nenhuma outra provisão haverá para a nossa salvação (v.26). O relativismo religioso e o secularismo que debilitam a igreja, afrouxando as regras e os limites entre o santo e o profano, constituem um sinal de alerta a todos nós. Não rejeitemos a Cristo!

“Aviso contra a apostasia. O pecado voluntário que ameaçava os hebreus consistia em abandonar o Cristianismo e voltar ao judaísmo. Não há nenhum sacrifício em favor dos que apostatam da fé em Cristo - pela alma do homem só existe um único sacrifício, o de Cristo (v.26). Ora, se o sacrifício de Cristo é definitivo, também é o último. Rejeitá-lo voluntariamente implica ‘uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo’ (v.27). O autor não limita a eficácia da obra de Cristo em favor do penitente. Essa passagem deve ser estudada em conjunto com o capítulo 6.4-8.
Sob a Antiga Aliança, quem desprezasse a Lei de Moisés era punido com a morte (v.28). O mesmo princípio está em vigência, e com maior rigor ainda para quem apostatar da fé, pois constitui afronta a Cristo, à eficácia do seu sangue e um insulto ao Espírito Santo, através de quem a graça de Deus se manifesta. Sobre os tais pesa o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar (vv.29-31)” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, pág. 156).
“Se pecarmos voluntariamente (Hb 10.26). O escritor de Hebreus volta a advertir seus leitores sobre o caso de abandonar a Cristo, como fizeram em 6.4-8.
Pisar o Filho de Deus (Hb 10.29). Continuar a pecar deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento da verdade (v.26) é: (1) tornar-se culpado de pisar Jesus Cristo, tratá-lo com desprezo e menosprezar sua vida e morte; (2) ter o sangue de Cristo como indigno da nossa lealdade; e (3) insultar o Espírito Santo e rebelar-se contra Ele, o qual comunica a graça de Deus ao nosso coração.
O justo viverá da fé (Hb 10.38). Este princípio fundamental, afirmado quatro vezes nas Escrituras (Hc 2.4; Rm 1.7; Gl 3.11; Hb 10.38), governa o nosso relacionamento com Deus e a nossa participação na salvação provida por Jesus Cristo. (1) Esta verdade fundamental afirma que os justos obterão a vida eterna por se aproximarem fielmente de Deus com um coração sincero e crente (ver 10.22). (2) Quanto aquele que abandona a Cristo e deliberadamente continua pecando, Deus ‘não tem prazer nele’ e incorrerá na condenação eterna (vv.38,39)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1915).FONTE CPAD



Estudo e comentario de HEBREUS (10)



                        (N.10) ESTUDO E COMENTARIO DE

                      Hebreus 10.1,3,4,9-12,14,19,22-25.



Os profetas anunciaram uma Nova Aliança. Em que ela se baseia? Qual a sua precípua finalidade? Ela indica o único caminho que conduz o homem a Deus. A Nova Aliança propicia a entrada ao trono divino, mediante o perdão e o esquecimento de todos os pecados. Cristo inaugurou-a com o sacrifício de si mesmo. Agora já não precisamos continuar fazendo os sacrifícios levíticos. O que aqueles sacrifícios não podiam fazer, foi feito pelo sacrifício de Cristo sobre a cruz.Instituído por Deus, os sacrifícios de animais eram a única forma de se aplacar a ira divina contra o pecado e aproximar o homem do seu Criador. Entretanto, tais sacrifícios demonstraram ser ineficazes porque apenas aplacavam temporariamente a ira de Deus, mas não removiam o pecado. Desta forma, havia a necessidade de um sacrifício único e perfeito, que propiciasse aos homens a certeza da reconciliação com Deus.
O autor da epístola em estudo não apenas apresenta Cristo como o último Sumo Sacerdote, mas como o sacrifício perfeito diante de Deus; sacrifício que tira definitivamente os pecados.
No Antigo Testamento, os sacrifícios eram repetidos todos os dias por sacerdotes comuns. O sumo sacerdote entrava todos os anos no lugar santíssimo para oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo. Mas, como tudo isso era “sombra dos bens futuros”, tais sacrifícios não aperfeiçoavam ninguém. Com Cristo, nosso Sumo Sacerdote, temos a certeza da plena salvação que nos aperfeiçoa, até que um dia cheguemos “a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13). E isso só ocorrerá no céu.

I. SACRIFÍCIOS INEFICAZES

1. A sombra dos bens futuros (v.1). O Antigo Pacto se constituía de sacrifícios, holocaustos, oblações e oferendas, que eram figuras “dos bens futuros”, ou seja, do evangelho de Cristo, que nos trouxe as riquezas da graça de Deus, a começar pela salvação de nossas almas, através do sacrifício vicário de Jesus. Por serem sombras e não a realidade, os sacrifícios de animais não puderam aperfeiçoar “os que a eles se chegam”.
2. O sangue de animais não tirava os pecados (vv.2-4). Para que serviam aquelas ofertas, se o escritor diz que “é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados” (v.2)? Os sacrifícios não levavam os homens a Deus, mas serviam, por antecipação, de meio para expiação. A palavra expiação no hebraico tem o significado de “cobrir” os pecados, num delito contra a Lei.
3. Deus preparou um corpo para Jesus (v.5). Somente no corpo humano (encarnação), Ele poderia ser aceito por Deus como oferta perfeita no lugar do homem pecador. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram substitutos imperfeitos. O corpo de Cristo foi a solução de Deus para substituir todos os sacrifícios imperfeitos do Antigo Testamento. Seu sangue, derramado na cruz, não apenas cobriu os pecados, mas tirou-os, e lançou-os nas profundezas do mar (Mq 7.19). João exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

II. O PRIMEIRO FOI TIRADO PARA O ESTABELECIMENTO DO SEGUNDO

1. Cristo obedeceu a Deus (v.9). Jesus foi obediente até à morte (Fp 2.8). Ele cumpriu todos os desígnios divinos no intuito de salvar o homem da perdição eterna. Sua morte foi prova inconteste da sua total resignação, obediência e submissão à vontade de Deus. Ele afirmou: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade”. Trata-se de uma lição de valor espiritual inigualável para todos nós: Jesus, sendo Deus, voluntariamente despojou-se de sua glória, e apresentou-se ao Pai na disposição irrestrita de cumprir cabalmente o plano divino de redenção da humanidade (ver Fp 2.5-8).
2. O Velho Pacto substituído pelo Novo (v.9). Ao dizer a Escritura “tira o primeiro para estabelecer o segundo”, vemos a substituição definitiva do antigo sistema legal mosaico, no qual os sacrifícios eram ineficazes para salvação, pelo Novo Pacto, estabelecido por Cristo, com seu sacrifício perfeito.
3. Comparação entre o velho e o Novo Concerto. A lei não transformava o homem em termos morais; o evangelho de Cristo transforma, pois “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16); a lei apenas condenava o culpado; a graça de Deus o liberta. A lei consistia de símbolos da realidade; a graça consiste na realidade dos símbolos; a lei era “o ministério da morte” (2 Co 3.7); a graça é “lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” (Rm 8.2).

III. UM SACRIFÍCIO PERFEITO

1. Santificados pela oblação do corpo de Cristo (v.10). Oblações eram ofertas incruentas (sem sangue), inanimadas, oferecidas a Deus tais como: vinho, azeite, flor de farinha, etc.
Se de um lado, Cristo ofereceu seu próprio sangue como holocausto em nosso favor, por outro, Ele foi aceito como oferta de cheiro suave a Deus, “feita uma vez”, de modo que, em Cristo, somos aceitos por Deus.
2. Sacrifício único (vv.11-14). O escritor lembra que os sacerdotes, no Velho Pacto, diariamente ofereciam sacrifícios que não podiam tirar pecados. E acentua que Cristo ofereceu “um único sacrifício pelos pecados”, demonstrando a eficácia do seu auto oferecimento a Deus pelos pecadores. Acrescenta que Cristo está “assentado para sempre à destra de Deus” “...esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés”.
3. Sacrifício que aperfeiçoa. Diferente dos sacrifícios do Antigo Pacto, que apenas cobriam temporariamente o pecado, mas não transformava o pecador, o sacrifício de Cristo constituiu-se “numa só oblação”, que “aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (v.13; ver v.10). Aqui temos algo que a lei não podia fazer: santificar as pessoas. Com o advento da graça, somos santificados pela Palavra (Jo 17.17), pela fé em Cristo (At 26.18) e pelo sangue de Jesus (1 Pe 1.2).

IV. PRIVILÉGIOS E RESPONSABILIDADES DO CRENTE EM JESUS

1. Entrar no santuário de Deus (v.19). No Antigo Pacto, as pessoas comuns do povo não podiam adentrar no santuário propriamente dito. Só chegavam até ao pátio, que era a parte exterior do tabernáculo. Em Cristo, no entanto, homens e mulheres salvos são “sacerdotes reais” (1 Pe 2.9), e têm “ousadia para entrar no Santuário pelo sangue de Jesus”. Este é um privilégio que só os fiéis lavados e remidos pelo sangue de Cristo podem ter. Tais crentes não precisam de medianeiros, guias, orixás ou gurus. Jesus é “o único mediador entre Deus e o homem” (1 Tm 2.5).
2. Como chegar a Deus (vv.22-25). Não se pode chegar a Deus de qualquer maneira. O escritor, em sua incisiva exortação, nos mostra os cuidados que devemos ter para chegarmos à presença de Deus:
a) “Com verdadeiro coração”. Só podemos ter acesso ao Pai e ser aceitos por Ele se tivermos um coração sincero, limpo e puro (Mt 5.8).
b) “Em inteireza de fé”. O crente, ao buscar a presença de Deus, não pode ter dúvida alguma de sua existência, do seu poder e de sua graça.
c) “Tendo o coração purificado da má consciência”. Para Deus não valem as aparências. Ele vê o interior do homem. O salmista disse que Deus nos sonda e entende o nosso pensamento (Sl 139.1,2). Se dermos lugar à iniquidade, Ele não nos ouvirá (Sl 65.18).
d) “O corpo lavado com água limpa”. Certamente, o texto bíblico aqui refere-se à purificação do crente pela Palavra, como se lê em Ef 5.26: “purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra”, isto em relação à Igreja.
e) Retendo firmes a confissão da esperança. Em Hb 3.6 somos exortados a “conservar firme a confiança e a glória da esperança até ao fim”. A confissão da esperança indica a nossa fé nas gloriosas e infalíveis promessas de Deus, “porque fiel é o que prometeu”.
f) Considerando uns aos outros, estimulando-nos “à caridade e às boas obras”. O bom relacionamento entre os crentes é condição importante para o acesso a Deus. A caridade (amor em ação) é a marca do cristão. Boas obras são dever do salvo (Ef 2.10).
g) “Não deixando a nossa congregação”. Aqui não se refere ao sentido físico: deixar a igreja local para ir congregar-se em outro bairro; mas sim, que não devemos deixar de congregar-nos, de nos reunirmos, tendo em vista a necessidade da comunhão coletiva. Somos membros uns dos outros (Rm 12.5). É equivocada e carnal a ideia de que alguém pode ser “crente em casa”, a menos que esteja doente.
h) “Admoestando-nos uns aos outros”. Admoestar, aqui, tem no original o sentido de animar, encorajar. Essa prática, quando realizada com amor, tem grande efeito no fortalecimento e encorajamento espiritual da comunidade cristã.

“O sangue dos touros (Hb 10.4). O sangue de animais era apenas uma provisão ou expiação temporária pelos pecados do povo; em última análise, era necessário um homem para servir como substituto da humanidade. Por isso, Cristo veio à terra e nasceu como homem a fim de que pudesse oferecer-se a si mesmo em nosso lugar (2.9,14). Além disso, somente um homem isento de pecado poderia tomar sobre si nosso castigo pelo pecado (2.14-18; 4.15) e, assim, de modo suficiente e perfeito, satisfazer as exigências da santidade de Deus (cf. Rm 3.25,26).
Aperfeiçoou para sempre os... santificados (Hb 10.14). A oferenda única de Cristo na cruz e seu resultado (i.e., a salvação perfeita) são eternamente eficazes todos quantos estão santificados ao se chegarem a Deus por meio de Cristo (v.22; 7.25) Note que a palavra no grego ‘santificar’, aqui e no versículo 10, são particípios presentes que enfatizam a ação contínua no tempo presente.

Quando vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10.25). O dia da volta de Cristo para buscar os seus fiéis está se aproximando. Até chegar esse dia, enfrentaremos muitas provações espirituais e muitas falsificações na doutrina. Devemos congregar-nos regularmente para encorajarmos mutuamente e nos firmarmos em Cristo e na fé apostólica do novo concerto.” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, págs. 1914, 1915).
FONTE CPAD



Estudo e comentario de HEBREUS (9)





         (N.9) ESTUDO E COMENTARIO DE HEBREUS

                          Hebreus 9.1,2,11,12,15,22-28.



Antes de falar sobre as glórias do sacerdócio de Cristo, o escritor apresenta em retrospecto o ministério levítico, descrevendo o Tabernáculo com seus dois compartimentos, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. Havia algo de belo e majestoso nessa antiga administração do culto e serviço sacerdotal, o qual, pelo contraste, enaltece a glória da nova ordem cristã.Deus ordenou ao povo de Israel que construísse um santuário, e orientou-o em cada detalhe desta construção. Em razão de ser a habitação de Deus no deserto, o povo o venerava. Entretanto, o tabernáculo e seus elementos eram passageiros e inferiores a Cristo.
Sob a ordem mosaica entendia-se que não havia livre acesso à presença de Deus. Somente uma vez por ano, e isso por meio dum representante. Somente mediante sacrifício cruento podia o povo aproximar-se de Deus. A lição que aprendemos é que devido ao pecado, o propósito do homem de acercar-se diretamente de Deus era frustrado. Toda a economia levítica era provisória, não passando de sombra ou tipo da realidade celestial. Os sacrifícios anuais jamais poderiam resolver o problema da consciência. Por serem provisórios, eles aguardavam um tempo de “reforma”, uma ocasião melhor.Se possível, amplie no quadro de giz a figura abaixo. Em seguida convide sete dos seus alunos para colocarem o nome das peças do tabernáculo no lugar correspondente.

    1. Altar do holocausto
    2. Bacia de bronze
    3. Mesa dos pães da proposição
    4. Candeeiro de ouro
    5. Altar do incenso
    6. Arca da aliança
    7. Propiciatório

Nas referentes aos capítulos de 8 a 10 da epístola em estudo, vemos a diferença marcante entre o ministério sacerdotal, no antigo pacto, e o de Cristo, como Sumo Sacerdote no Novo Concerto. Nesta lição, que dá sequência ao tema da anterior, veremos, mais uma vez, que, em todos os aspectos, o Novo Concerto é melhor e mais glorioso que o primeiro.

I. O CULTO DIVINO EM SANTUÁRIO TERRESTRE

1. O culto no lugar santo do tabernáculo (9.1,2). O tabernáculo, onde as atividades do culto eram intensas, dividia-se em três partes: o Pátio, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. O v.2 refere-se à segunda parte — o lugar santo, chamando-o “o primeiro”, pelo fato dele ser a primeira das duas partes cobertas: o Lugar Santo e o Santo dos Santos. O Pátio era descoberto.
2. Os elementos do Lugar Santo. Após o véu da entrada, viam-se três elementos importantes na segunda parte do tabernáculo: “o candeeiro, a mesa e os pães da proposição” (v.2). O tabernáculo revelava que Deus queria manifestar-se no meio de seu povo (Êx 25.8). Hoje, devemos valorizar o ambiente do templo, na igreja local, pois é consagrado ao culto a Deus.
a) O candeeiro, castiçal ou candelabro. Era uma peça maciça, de ouro puro, cujas lâmpadas eram acesas diariamente (Êx 25.31; Lv 24.1-4), representando Cristo, a luz do mundo (Jo 8.12);
b) Os pães da proposição. Ficavam sobre a mesa, que era um móvel de madeira de cetim, revestida de ouro. Os pães da proposição eram um tipo de Cristo, o pão da vida (Jo 6.35).
c) O altar do incenso. O escritor não fala do altar do incenso, mas este também estava no Lugar Santo (ver Êx 30.1-3) representando Cristo, nosso intercessor (Jo 17.1-26; Hb 7.25). Ele ocupava uma posição central no santuário, indicando que a vida de oração é fundamental no culto a Deus. A negligência à oração revela imaturidade espiritual.
3. O lugar Santo dos Santos (vv.3-7). No seu interior, estava a arca do concerto, com a sua cobertura ou propiciatório, com querubins entalhados nas extremidades (Êx 25.10). A arca representava a presença de Deus ou Cristo, nosso Emanuel, que é Deus conosco (Mt 1.23). Na arca, estavam o maná, em memória da provisão de Deus, ou Cristo, o “pão que desceu do céu” (Jo 6.58); a vara de Arão, lembrando a fidelidade de Deus; e as tábuas do concerto, para que o povo não se esquecesse da importância da lei. Mas havia um véu, separando o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (vv.3,7,8). Aquele véu indicava “que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo” (v.8).
Quando oramos, não devemos ficar “no Pátio” (oração monótona). Precisamos passar ao “Lugar Santo” (oração objetiva) e chegar ao “Santo dos Santos” (oração no Espírito).

II. UM MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO

1. Cristo, Sumo Sacerdote dos bens futuros (v.11). Esses “bens futuros” ainda não estão plenamente ao nosso alcance. A salvação é presente, mas depende de nossa perseverança até o fim (Mt 10.22; 24.13; cf. Rm 13.11). O reino absoluto de Cristo e a feliz eternidade com Deus nos aguardam. Os céus nos esperam. A Nova Jerusalém está preparada para os santos do Senhor.
2. Um perfeito tabernáculo (v.11). O tabernáculo celestial, “não feito por mãos”. Os utensílios do antigo tabernáculo desapareceram. Onde estará a arca? O altar do incenso? Não se sabe. Porém Cristo, ao morrer, fez com que o véu do templo (em Jerusalém) se rasgasse de alto a baixo, demonstrando que o caminho para o verdadeiro santuário, que é a presença de Deus, estava definitivamente aberto para o homem que nEle crê.
3. Mediador de um Novo Testamento.
a) O Velho Testamento foi superado. O Velho Testamento era a sombra das coisas celestes, providas por Deus para a redenção do homem. A lei, que orientava o culto no antigo santuário, não justificou ninguém (Gl 3.11). Pelo contrário, os que estavam debaixo das obras da lei estavam sob maldição, por não poderem cumprir todas as suas cláusulas (Gl 3.10).
b) O Novo Testamento é superior. Cristo tornou-se “Mediador de um Novo Testamento” (v.15), que contém as cláusulas marcantes e definitivas do novo relacionamento de Deus com o homem, e deste com Deus. Ele “entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12).
c) A morte do testador. O testamento só tem validade com a morte do testador (v.16). Uma vez que Cristo morreu, o Novo Testamento passou a ter validade, garantindo-nos uma “herança eterna” (v.15). No antigo tabernáculo, a expiação dos pecados era temporária e parcial. No novo, com a garantia do Novo Testamento, a redenção é perfeita, definitiva e perene.
d) Sacerdote imaculado (v.14). Os sacerdotes eram imperfeitos. Cristo, nosso Sumo Sacerdote, com seu sangue, “pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus”, purificando as consciências “das obras mortas” para que sirvamos ao Deus vivo (v.14). O Velho Testamento era validado pelo sangue de animais (v.19). O Novo legitimou-se pelo sangue de Cristo, derramado em nosso lugar.

III. O SACRIFÍCIO PERFEITO DE CRISTO

1. “Sem derramamento de sangue não há remissão” (v.22). A Bíblia ressalta que, no antigo tabernáculo, “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue”, enfatizando que “sem derramamento de sangue não há remissão” (cf. Lv 17.11). Aqui, vemos a importância do sangue para a expiação do pecado, no Velho Testamento. Isso quer dizer que, quando um animal era oferecido em sacrifício pelo pecado, Deus aceitava a oferta por atribuir a ela o valor provisório do resgate do pecador ofertante. O sangue era símbolo da outorga da vida, que era dada em expiação. Tal sacrifício apontava para o sangue de Cristo, que seria derramado em nosso lugar.
2. “Sacrifícios melhores” (v.23). O escritor diz que “era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem”, ou seja, deviam purificar-se com sangue. Cada animal morto, substituto do pecador, apontava para o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Os sacrifícios antigos eram repetitivos. O de Cristo foi efetuado uma única vez, por ser superior e perfeito.
3. A entrada de Cristo no céu (v.24). Cristo entrou “uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (v.12). O sacerdote entrava todos os dias no santuário, isto é, no Lugar Santo, mas só conseguia a remissão parcial e temporal do pecado. O sumo sacerdote entrava somente uma vez por ano no Santo dos Santos e oferecia sacrifícios pelo povo e por si próprio, pois também era pecador (cf. v.7). No entanto, Cristo entrou “no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus”. Ele é nosso intercessor perfeito (Rm 8.34), juntamente com o outro maravilhoso intercessor, que é o Espírito Santo (Rm 8.27).
4. Cristo aparecerá pela segunda vez (vv.27,28). Aqui a Bíblia diz que Cristo “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”, oferecendo-se para “tirar os pecados de muitos”, e que Ele voltará, pela segunda vez, “aos que o esperam para a salvação”.
O Novo Concerto trazido por Cristo realizou-se através de um sacrifício perfeito e único, que não precisa repetir-se, em substituição aos sacrifícios imperfeitos do antigo concerto. Assim, sejamos gratos a Deus pela morte de Cristo na cruz do Calvário, o qual por nós efetuou uma eterna redenção.

“A expiação da Nova Aliança (9.11-22). O tema de reforma introduz um santuário melhor, um sacrifício eficiente e uma salvação mais completa. O serviço do sumo sacerdote judaico no Dia da Expiação representava o clímax do sistema levítico. Nesse dia, todo ano, ele entrava na presença divina, num tabernáculo terreno, levando o sangue expiatório de animais. Sob a Nova Aliança, Cristo, ‘o sumo sacerdote dos bens futuros’, entrou uma vez para sempre no próprio tabernáculo, levando o seu próprio sangue como expiação.
O sangue de touros e de cabras efetuava apenas purificação ritualística e simbólica, de alcance limitado, mas o sangue de Cristo, oferecido como sacrifício espiritual e vivo, executa a purificação interior, que traz comunhão com o Deus vivo (vv.13,14).

O bispo Westcott observa os seguintes itens pelos quais o sangue de Cristo é superior, partindo da análise de seu sacrifício, que foi:
a) voluntário, ao contrário dos sacrifícios exigidos pela Lei;
b) racional, e não como o dos animais (irracionais);
c) espontâneo, e não em obediência a ordens superiores;

d) moral, como oferta de si próprio por ação do supremo poder nEle residente (o Espírito Eterno), pelo qual mantinha comunhão com Deus. Não seguiu meramente um rito, um esquema predeterminado. Não! Ele detinha os mais puros motivos.” (Comentário Bíblico - Hebreus, CPAD, págs. 148,149).FONTE CPAD