quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Escatologia os impérios mundiais (4)



                   OS IMPÉRIOS MUNDIAIS DANIEL 7 (4)


                          E O REINO DO MESSIAS

                                  Professor Mauricio Berwald


II – O CLIMAX DA VISÃO PROFÉTICA
1. Tronos, “ancião de dias” e juízo divino (vv.9-14).

A escatologia está sendo abandonada por muitas igrejas e pregadores, porque entendem que a igreja não deve se preocupar com Israel, nem com o seu futuro. Algumas igrejas e pregadores preferem uma teologia horizontalizada que se preocupa, essencialmente, com “o aqui e agora”, com o “hoje”. Ensinam alguns que as profecias de Daniel e Apocalipse têm um caráter apenas alegórico e que pode ser descartado por temas atuais. Entretanto, não podemos descartar a importância dessas profecias que apontam para o futuro.

A visão de Tronos e do Juízo de Deus (7.9-14)

O texto diz: “forampostos uns tronos”(7.9).A partir do versículo 9, Daniel vê uma cena de juízo da parte de Deus contra o quarto animal, ou seja, a quarta Besta que aparece na visão com um vislumbre escatológico para o Anticristo. Esses tronos, no plural, indicam vários juízos aplicados nos dias da Grande Tribulação. E interessante notarmos que os tronos de juízo aparecem simultaneamente com a aparição do “chifre pequeno” indicando todos aqueles juízos revelados na visão do Apocalipse a João na Ilha de Patmos. Esses tronos vistos na visão de Daniel indicam tribunais em que alguns personagens especiais se assentam para julgar. 
O texto lembra um tribunal como a Suprema Corte que reúne juizes para julgar. O próprio Deus, Juiz Supremo, se assenta no seu Trono, acompanhado de seu Conselho Celestial para julgar (1 Rs 12.19; Jó 1.6). “o ancião de dias” (7.9-12). Esse personagem, o “ancião de dias”, ganha destaque na visão de Daniel. E uma figura humana que ilustra o respeito pelo que Deus é, naturalmente, muito mais que “um ancião de dias”; muito mais que alguém respeitado pela idade, porque Deus é o Supremo Juiz, que aparece como um “ancião de dias” numa referência a cultura humana de respeito às pessoas idosas, por causa da experiência e a sabedoria. As palavras hebraicas atiz e yomin que se traduz por “ancião de dias” é uma designação do Deus Todopoderoso como Jiiz supremo, quem derramará seus juízos contra os reinos do mundo que tenham se associado com o Anticristo. Por isso, essa figura do “ancião de dias” é utilizada para identificar a Deus como aquEle que tem autoridade e poder para julgar, especialmente, contra o personagem daquele “pequeno chifre”.
A suia “veste branca como a neve” (7.9) fala de pureza e santidade. Deus é Santo (Is 6.1-4) e está rodeado de anjos santos.

“ Um rio de fogo manava e saía de diante dele” (7.10). 

Como vislumbrar a glória que envolve a majestade divina? A figura do fogo ilustra o que Deus é: santo, puro, iluminador, purificador. A visão do profeta Isaías no capítulo 6 do livro seu livro ilustra a glória do fogo diante do Trono de Deus. O versículo 10 fala da santidade do “ancião de dias” que é o Pai Celestial e a relação do seu trono com o fogo que manava do Trono para falar de pureza e justiça. As “rodas do trono” indicam que Deus não é uma figura estática como os promulgará a sentença final contra o quarto animal (Roma) e o Chifre Pequeno, representado como o grande opositor dos interesses de Deus para com Israel (7.11,12).
“milhares de milhares o serviam diante dele” (7.10). Daniel percebe que o fogo que manava e saía de diante dEle é identificado com os anjos celestiais que o servem. Os anjos são seres espirituais que podem tomar muitas formas, porque não possuem forma que se possa identificá-los. Na visão de Daniel eles são chamas de fogo que se diversificam em milhares de seres que servem ao Trono do Supremo Deus.Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 107-108.

Quer entendamos o quarto animal como indicando o império sírio ou o romano, ou o anterior como uma imagem do último, está claro que esses versículos são planejados para o consolo e o apoio ao povo de Deus. A referência em questão é feita às perseguições. E provável que eles sofressem perseguições tanto de um quanto de outro, e de todos os seus orgulhosos inimigos em todas as épocas. Tudo isso foi escrito para o aprendizado daqueles sobre quem os fins dos séculos chegaram, para que eles também possam ter esperança, através da paciência e do consolo dessa Escritura. Três coisas muito encorajado- ras são aqui reveladas:

I Que há um julgamento por vir, e Deus é o Juiz. Agora os homens têm o seu dia, e todo embusteiro acredita que deveria ter o seu dia, e luta por isso. Mas Aquele que se senta no céu ri deles, pois vê que vem chegando o seu dia (SI 37.13). “Eu olhei” (v. 9) até que os tronos foram derrubados, não somente os tronos desses animais, mas todo governo, autoridade, poder, que são estabelecidos em oposição ao reino de Deus entre os homens (1 Co 15.24): assim são os tronos dos reinos do mundo, em comparação com o reino de Deus. Aqueles que os vêem estabelecidos precisam esperar apenas pouco tempo, e os verão derrubados. Eu olhei até que os tronos foram postos (assim se pode ler este texto).

O trono de Cristo e o trono de Deus Pai. Um dos rabinos confessa que esses tronos são estabelecidos, um para Deus, outro para o Filho de Davi. E o julgamento que está instalado aqui (v. 10). Assim sendo: 1. O objetivo é proclamar o sábio e justo governo do mundo por Deus através de sua providência. Há algo que proporciona uma satisfação indizível a todos os homens bons em meio às convulsões e às agitações dos estados e dos reinos: que o Senhor tenha preparado o seu trono nos céus, que o seu reino domine sobre tudo (SI 103.19), e que verdadeiramente há um Deus que julga na terra (SI 58.11). 2. Ele possivelmente aponta para a destruição trazida pela providência de Deus sobre o império da Síria, ou de Roma, por sua opressão ao povo de Deus. Mas: 3. O episódio parece principalmente planejado para descrever o último julgamento, pois embora não suceda imediatamente depois do domínio do quarto animal, e embora ainda esteja por vir daqui a muitas eras, ainda assim fora planejado para que em todas as gerações o povo de Deus se encorajasse mesmo sob as suas dificuldades, através da convicção e da perspectiva de um evento tão importante quanto este julgamento. Enoque, o sétimo depois de Adão, profetizou sobre isso (Jd 14).

A boca do inimigo fala grandiosamente (v. 8).

Mas aqui estão coisas muito maiores, ditas pela boca do Senhor. Muitas das predições do Novo Testamento sobre o julgamento que virá contêm uma clara alusão a essa visão, e nesse sentido podemos mencionar especialmente a visão de João (Ap 20.11,12).
(1) O juiz é o próprio Ancião de dias, Deus Pai. A glória da sua presença é descrita aqui. Ele é chamado de Ancião de dias, porque Ele é Deus de eternidade a eternidade. Entre os homens se acredita que com o ancião esteja a sabedoria, e que o tempo julgará. Não deverá, então, toda carne ficar em silêncio diante Daquele que é o Ancião de dias? A glória do Juiz é demonstrada aqui por sua vestimenta, que era branca como a neve, simbolizando o seu esplendor e a sua pureza em todas as aplicações da sua justiça. E os seus cabelos eram limpos e brancos, como a pura lã, para que, tal como a cabeça grisalha dos mais velhos, Ele mostre que é altamente venerável. 

(2) O trono é esplêndido. E como a chama ardente, terrível para os maus que serão intimados a comparecer diante dela. E sendo o trono móvel sobre rodas, ou ao menos a carruagem na qual ele percorria o trajeto, suas rodas são como o fogo ardente, para devorar os adversários. Pois o nosso Deus é um fogo consumidor, e com Ele estão as labaredas eternas (Is 33.14). Isso é detalhado no versículo 10. Para todos os seus amigos fiéis, procede do trono de Deus e do Cordeiro um rio puro de água da vida (Ap 22.1), do mesmo modo como para todos os seus implacáveis inimigos emana de seu trono uma torrente flamejante, uma torrente de enxofre (Is 30.33), um fogo que devorará diante dele. Ele é uma testemunha veloz, e a sua palavra é uma palavra que se move sobre rodas. 

(3) Os servos são numerosos e muito admiráveis. A Shekiná está sempre acompanhada por anjos. E assim aqui (v. 10): Milhares de milhares o servem, e dez mil vezes dez mil estão diante dele. E para a sua glória que tenha tais servos, mas é uma glória ainda maior não precisar deles, nem tirar proveito deles. Veja como são numerosos os exércitos do céu (há milhares de milhares de anjos), e quão dispostos a servir estão - eles se postam diante de Deus, prontos para se encarregarem de suas missões e agir ao primeiro sinal de sua vontade e agrado. Eles serão especialmente utilizados como ministros da sua justiça no último dia, no julgamento final, quando o Filho do homem chegar, e com Ele todos os santos anjos. Enoque profetizou que o Senhor viria com miríades de seus santos.

 (4) O processo é justo e irrepreensível: O julgamento será estabelecido, pública e abertamente, para que todos possam recorrer a ele. E os livros serão abertos. Assim como nos tribunais de julgamento entre os homens, os procedimentos são colocados por escrito e sob registro, sendo expostos quando a causa chega à audiência. O interrogatório das testemunhas é realizado, e os depoimentos lidos, para esclarecer os fatos, e os estatutos e a lei comum são consultados para se saber como é a lei. Da mesma forma, no julgamento do grande dia, a eqüidade da sentença será tão incontestavelmente evidente como se houvessem livros abertos para justificá-la.

II Que os orgulhosos e cruéis inimigos da igreja de Deus certamente terão que sofrer o acerto de contas, e serão destruídos no devido tempo (w. 11,12). Isto nos é aqui representado: 1. Na destruição do quarto animal. A desavença de Deus com esse animal se deve à voz das grandes palavras que a ponta emitia, oferecendo resistência ao Céu, e prevalecendo sobre tudo o que é sagrado. O comportamento orgulhoso do inimigo ofende a Deus mais do que qualquer outra coisa (Dt 32.27). Por essa razão, o faraó deve ser humilhado, porque disse: Quem é o Senhor? E também porque disse: Eu perseguirei, Eu alcançarei. Enoque profetizou que por isso o Senhor viria para julgar o mundo, para que pudesse condenar a todos os que são ímpios, por suas duras palavras (Jd 15). Note que as palavras pronunciadas com arrogância são apenas palavras inúteis, pelas quais os homens terão que prestar contas no grande dia. E veja o que resta desse animal que fala tão alto: Ele está morto, e seu corpo destruído e entregue para ser queimado pelo fogo. 

O império sírio, depois de Antíoco, foi destruído. Ele próprio morreu vítima de uma doença deplorável. Sua família foi exterminada. O reino foi destruído pelos partos e armênios, e, por fim, foi transformado por Pompeu em uma província do império romano. E o próprio império romano (se o considerarmos como o quarto animal), depois que começou a perseguir o cristianismo, declinou e definhou, e a sua sociedade foi destruída. “Assim perecerão todos os teus inimigos, O Senhor! E serão mortos diante de Ti”. 2. Na degradação e no enfraquecimento dos outros três animais (v. 12): Eles tiveram seu domínio retirado, e então ficaram impossibilitados de provocar os danos que haviam causado à igreja e ao povo de Deus. Mas uma prolongação de vida lhes foi dada, até um tempo e uma época, uma hora marcada, cujos limites eles não podem ultrapassar. O poder dos reinos anteriores estava completamente aniquilado, mas o seu povo ainda permanecia em uma condição pobre, frágil e baixa. Podemos fazer referência a isso descrevendo os resíduos do pecado nos corações das pessoas boas. Elas, cujas vidas são prolongadas, possuem em si corrupções, de forma que não estão completamente livres do pecado, mas o domínio deste foi retirado, de modo que o pecado não reine em seus corpos mortais. E, dessa maneira, Deus lida com os inimigos de sua igreja. Algumas vezes Ele quebra os dentes deles (SI 3.7). Quando Ele não lhes quebra o pescoço, reprime a perseguição, como também retarda a punição aos perseguidores, para que eles possam ter um tempo para se arrepender. E é justo que Deus, ao realizar a sua obra, faça-o no seu próprio ritmo, e à sua própria maneira.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 869-870.

Dn 7.9: “ O presente versículo, e os que seguem, encontram paralelos nos de Ap 1.13 a 16, onde cena similar está em foco.

 Ali o Senhor Jesus é o filho do “Ancião de dias”, e por essa razão tem a mesma natureza do Pai. E aquele que morreu com trinta e três (33) anos de idade. Depois de levar os nossos pecados na cruz e suportar uma eternidade de dores; tem cabelos brancos como a neve. Entre o povo de Deus, a “coroa de honra são as cãs” (Pv 16.31). Certamente a alvura dos cabelos na pessoa de Cristo provém, em parte, da intensidade de glória celestial, e em parte da sua sabedoria e, sobretudo, da sua idoneidade moral. No “ancião” do texto em foco, a brancura dos cabelos não significa velhice, antes sugere a eternidade, indicando também pureza e divindade.
Dn 7.10: “... milhões de milhões” (de anjos). O presente versículo tem seu paralelo em Ap 5.11, onde lemos que “milhões de milhões e milhares de milhares” de anjos estavam ao redor do trono de Deus. 

Os anjos são mencionados em toda a extensão das Escrituras Sagradas, onde são vistos por mais de 273 vezes, e, no caso do texto em foco, encontramos “milhões de milhões e milhares de milhares”. A angelolo- gia do Antigo Testamento afirma que os anjos são tão numerosos, que o seu número é incalculável para a habilidade humana. O doutor Bancroft, citando Gabelein diz que “em Hb 12.22 os anjos são indicados como uma inumerável companhia, literalmente, miríades. De acordo com Lc 2.13, multidões de anjos apareceram na noite do nascimento de Cristo; claramente foram vistos cruzando o céu da Palestina, clamando de alegria em vista do início da nova criação, como tinham feito no princípio da primitiva criação. Quão vasto é o número deles! somente o sabe aquele cujo nome é Jeová-Sabaote, o Senhor dos Exércitos”.

Dn 7.11: "... o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado...” O presente versículo tem seu cumprimento literal em Ap 19.20, onde lemos: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre”, O Anticristo e o seu falso profeta serão lançados vivos no ardente lago de fogo, no juízo, pois mereceram. O fato de que os dois serão lançados “vivos” no lago de fogo significa, para alguns eruditos, que não poderão ser homens ordinários, e, sim, seres demoníacos, que se apresentarão como homens. Mas a verdade é que serão homens, embora possuídos por Satanás.
 O texto em foco diz que o corpo da terrível fera será queimado. A besta e o falso profeta, serão os dois agentes diretos do dragão, preparados como “filhos da perdição”. Eles inaugurarão o ardente lago de fogo. Isso se coaduna realmente com sua natureza: ela (a Besta) saiu do abismo (Ap 11.7) e irá à perdição (Ap 17.8), seu destino final.

Dn 7.12: “Foi-lhes tirado o domínio”. 

O texto em foco prediz a ruína dos três primeiros impérios mundiais: Babilónico, Medo-persa e o Greco-macedônio. Mas a palavra divina dizia, ao mesmo tempo, que eles continuariam a existir, mas sem o poder de governar. A sua continuação de existência deve relacionar-se com a vinda do tempo determinado por Deus. As grandes dinastias do mundo tiveram seus períodos áureos na história, mas depois declinaram; alguns destes exemplos podemos deduzi-los, tanto das profecias como da própria história. O Egito dos Faraós, a Grande Babilônia dos caldeus e a Roma dos Césares, foram, em verdade, verdadeiros impérios de ferro que subjugaram, mataram, destruíram e reduziram nações inteiras à escravidão. Mas, com o passar do tempo, Deus, pouco a pouco, foi-lhes tirando o domínio; hoje os impérios babilónicos, Medo-persa, Greco-macedônio e Romano, não mais existem, e os países situados nos seus antigos territórios não têm projeção mundial como potências.Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 138-140.

Juízo das Nações (7.9-13). 

Aqui temos uma previsão dos juízos do Apocalipse, culminando no Juízo das Nações, na vinda do Filho do homem (v. 13). (Ler aqui Mateus 25.31-46 e Apocalipse 19.11 ss.) O "Ancião de Dias" (vv. 13,22) é Deus. (Ver Isaías 57.15 - Aquele "que habita a eternidade".) O versículo 13 também mostra que Jesus e o Pai Eterno são duas pessoas distintas. Logo a seguir vemos Jesus recebendo o reino (v. 14): "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (Ap 11.15).Antônio Gilberto. DANIEL & APOCALIPSE Como entender o plano de Deus Para os últimos dias. Editora CPAD.

2. O “Filho do Homem” (vv.13,14).

FILHO DO HOMEM

I. Sentido da Expressão e Algumas Estatisticas
II. Origem Veterotestamentâria
III. Uso da Expressão no Novo Testamento
I. Sentido da Expressão e Algumas Estatisticas

No hebraico, ben-adam (Sal. 8:4; 80:17; Dan. 7:13; Eze. 2:1-3). No grego, o uiõs toü anthrôpou (em Mateus, 32 vezes; em Marcos, 14 vezes; em Lucas, 26 vezes; em João, 12 vezes; em Atos, 7 vezes; em Hebreus, uma vez; no Apocalipse, duas vezes – um total de noventa e quatro vezes no Novo Testamento, sempre nos lábios do próprio Senhor Jesus, exceto em João 12:34, Atos 7:56; Heb. 2:6; Apo, 1:13 e 14:14).
No hebraico a idéia é a de alguém que pertence à raça de Adão; no grego, a idéia é a de alguém que pertence à raça humana.Tradicionalmente, essa expressão, «Filho do homem.., designaria a humilde humanidade de Jesus Cristo, fazendo contraste com sua natureza divina. Esse sentido está envolvido na expressão; mas, quando examinamos o que a Biblia tem a dizer a respeito, vemos que uma significação muito mais profunda é transmitida nas Escrituras Sagradas.

II. Origem Veterotestamentâria

- O texto de Salmos 8:4, ...que , o homem, que dele te lembres? e o filho do homem, que o vísítesrparece aplicar-se tanto aos homens mortais quanto a Jesus Cristo, em sua encarnação, quando ele se identificou com os homens. Em Salmos 80:17, encontramos o desejo expresso, durante um periodo de declinio nacional em Israel, pelo aparecimento de algum herói nacional que redimisse a Israel. Essas foram idéias iniciais que ajudaram a formar a consciência judaica acerca da necessidade do aparecimento do Messias. Ele seria o Homem por excelência, que serviria de modelo a todos os homens. Em Ezequiel 2:1-3, a expressão «Filho do homem», que nesse livro aparece por um total de quarenta e cinco vezes, designa «um filho de Adão por motivo de descendência». 

Porém, a mais importante ocorrência da expressão «Filho do homem», no Antigo Testamento, encontra-se em Daniel 7:13. Muitos estudiosos estão certos de que ali a expressão alude, primariamente, à personificação do Israel ideal, ou então dos santos do Altissimo; porém, com um sentido mais profundo, está em foco a figura do Messias prometido, contemplado já em sua glória futura. Lemos ali: «Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do homem, e dirigiu-se ao Ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado dominio e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as linguas o servissem; o seu dominio é dominio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruido... Um homem a quem cabia uma glória que sô a Deus pode ser atribuida, não poderia ser um mero homem. De fato, à proporção que avança a revelação biblica sobre o Messias, mais claro vai se tomando que ele não seria apenas um homem extraordinário, ou algum grande guerreiro salvador de Israel de seus inimigos, mas seria o Deus homem, um figura ímpar e multifacetada.

 O que nos deixa admirados é que o povo judeu não tenha entendido isso, nem antes do aparecimento de Cristo, quando só havia expectações messiânicas, e nem quando do aparecimento de Cristo. Mas, se o povo judeu em geral não compreendeu quem era Jesus Cristo (como também não o entendem todos os gentios que permanecem na incredulidade), o remanescente eleito compreendeu. Quando Jesus estava no mundo, exclamou: «Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mat. 11:25-27). Compreender a verdade espiritual que cerca a figura do Filho do homem, Jesus Cristo, é uma questão de revelaçlo divina, e não de perspicácia humana. Alguns estudiosos têm dito que Jesus extraiu dos livros apócrifos e pseudepigrafos a idéia do «Filho do homem..; mas a opinião deles é insustentável. Bastaria esse trecho de Daniel 7:13,14 para derrubar essa idéia. O conceito do «Filho do homemlO começa no Antigo Testamento, embora cautelosamente, ainda que inequivocamente. E só no Novo Testamento chega à sua plena fruição.

Mas, voltando ao Antigo Testamento, em Daniel 10:16, o profeta refere-se a «...uma como semelhança dos filhos dos homens me tocou os Iâbios», E, dois versiculos adiante: «Então me tomou a tocar aquele semelhante a um homem, e me fortaleceu». No hebraico, a expressão envolvida é «semelhante a Adão», Sim, 'aquela figura ainda não era um Adão, um homem, porque ainda não se encarnara, O termo hebraico enosh, «homem», algumas vezes é usado como sinônimo de ben-adam ; «filho do homem» (ver, por exemplo, Jó 25:6; Sal. 8:4; 90:3; 144:3). Essa palavra hebraica ocorre por um total de quarenta vezes no Antigo Testamento. O termo hebraico geber, «poderoso», empregado por cerca de setenta vezes no Antigo Testamento, foi usado por Jeremias de modo especial, quando disse: ..Porque o Senhor criou coisa nova na terra: a mulher infiel virã a requestar um homem (Jer, 31:22). Mais literalmente, essa passagem diria «uma fêmea envolverá um poderoso», cf. Isa. 7:14.

III. Uso da Expressão no Novo Testamento

Já vimos que das noventa e quatro ocorrências da expressão «Filho do homem», no Novo Testamento, apenas por cinco vezes não foi Jesus quem a usou. - Portanto veremos abaixo as razões e o uso que Jesus fe; da expressão, e depois examinaremos aquelas cinco ocorrências da expressão, usada por escritores do Novo Testamento.

1. RaziIeI de Jesus no Uso da expreção Filho do Homem

A primeira razão, naturalmente, que Jesus estava cônscio de que era o Messias. Daniel usa a mesma em um inequívoco sentido messiânico, Portanto quando Jesus se chamou de «Filho do homem» (o que fez por oitenta e nove vezes), isso era o equivalente a dizer: «Eu sou o Messias... A segunda razão é que esse titulo permitia-lhe ocultar-se quanto à sua verdadeira identidade. O povo judeu não estava preparado para recebê-lo como o Messias. De fato, apenas por uma vez, nos evangelhos, Jesus declara-se abertamente o Messias. Isso ocorreu por ocasião de seu diâlogo com a ntulher samaritana: Lemos: ~Eu sei, respondeu a mulher, que há de Vir o. Messías, chamado Cristo; quando ele Vier nos anunciará todas as causas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo» (João 4:25,26). 

A mulher samaritana aceitou Jesus como o Messias, ou Cristo, prometido. Quando ela foi falar com seus conterrâneos, indagou: «Vinde comigo, e vede um homem que me disse ~do quanto tenho feito. Será este, porventura, o Crísto» (João 4:29). Nunca mais Jesus deu a si mesmo o titulo profético de Messias. Mas fazia-o disfarçadamente, semre que se intitulava ..Filho do homem... Essas considerações permitem que concluamos que o títulos «Messias.. «Filho do homem e «Cristo» são smommos perfeitos. Quando entendemos isso, então toda aura de mistério que circunda a expressão. Filho. Do homem desaparece. Só para exemplificar isso, consideremos o diálogo entre certos Judeus incrédulos e Jesus. Perguntaram eles: «Ate quando os deixarãs a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, .dlze-o francamente. Respondeu-Ihes Jesus: Já vô-Io disse, e não credes. As obras que eu faço em nome do meu Pai, testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas João 10:24-26).
O efeito da pergunta, sobre Jesus, tena sido o mês o, se os judeus tivessem perguntado se ele era o Messla ou o Filho do homem. A resposta de Jesus foi afirmativa mas ele também mostrou que não tinha ilusões a respeito deles. Jesus sabia que só as suas ovelhas, os seus escolhidos, chegam a crer nessa profunda verdade.

Uma terceira razão de Jesus, quando usou a expressão «Filho do homem», é que assim ele se identificava com a humanidade dependente (Mat. 8:20: Luc. 9:58). Essa idéia reflete Sal. 8:4: «...que é o homem, que dele te lembres? e o filho do homem, que o visites? .. Temos ai a base do ensino da kenosis, ou humilhação de Cristo, quando de sua encarnação, e que Paulo se encarrega de desdobrar e explicar melhor. Ver Fil. 2:5-8. Nessa .passagem aprendemos que a encarnação não fez com que o Filho de Deus deixasse de ser Deus, somente porque agora era também o Filho do homem. O que sucedeu, porém, é que Jesus de esvaziou, assumindo a forma de servo, tomando-se em semelhança de homem; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou... » Por essa razão é que Jesus viveu na dependência. Da orientação ao Espirito Santo, orou ao PaI e reconheceu que não sabia de tudo, como, por exemplo não sabia a data de sua segunda vinda. Esse estado de apequenamento, pois, Jesus exprimia com o uso da expressão «Filho do homem».

Uma quarta razão é que a expressão «Filho do homem» indicava a sua missão remidora (Mat. 9:6 e Luc. 19:10). Sem importar como entendam «as chaves do reino- (Mat. 16:19), Deus determinara exclusivamente para o Filho do homem a autoridade de perdoar pecados sobre a terra. Em outras palavras, Deus só se tomou Salvador dos homens quando se tomou homem, na pessoa de Jesus Cristo. e o que lemos em Hebreus 2:14: «Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou..
Uma quinta razão é que a expressão «Filho. Do homem» indicava a completa vitória de Jesus Cnsto como nosso Redentor (João 3:14). O Filho do homem não seria vencido nem na cruz e nem no sepulcro, porquanto haveria de ressuscitar dentre os mortos. E então como homem perfeito, ele seria o nosso Medidor. Não ê precisamente isso que nos diz Paulo? «Porquanto hâ um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (I Tim. 2:5).

Finalmente, a sexta razão pela qual Jesus lançou mão da expressão «Filho do homem», é que a mesma aponta para o Senhorio universal de Jesus Cristo (Mar. 14:62). Sendo Jesus o FIlho dó homem, uma vez ressuscitado, pouco antes de sua ascensão, ele exprimiu esse senhorio mediante uma palavra de ordem: «Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discipulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as causas que vos tenho ordenado. E eis que estou .convosco todos os dias até à consumação do século. (Mat. 28:18-20).

Cumpre-nos notar que o âmago mensagem apostólica era precisamente o senhorio universal de Cristo. A palavra «Senhor», quando aplicada a Cristo, é usada por cento e dez vezes somente no livro de Atos. Na qualidade de Senhor, o Filho do homem é o Juiz de todos os homens (Mat. 13:41,42; 19:28). As qualificações de Jesus, para operar como Juiz de todos os homens é que ele era Deus encarnado, vitorioso sobre todos os adversArios e sobre a própria morte, e se identificara perfeitamente com o gênero humano, ao ponto de. conferir sua natureza divina aos homens que o aceitassem como Salvador. João retratou vividamente o desempenho do Filho .do homem, no dia do juizo, em Apocalipse 20:11-15.CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag.742-743.

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PAZ DO SENHOR

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