segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apologética identificar seitas e heresias






          Como Identificar uma Seita e os Novos Desafios à                                              Apologética.

Identificar uma seita é tarefa hercúlea.
Definições e conceitos-chaves
O termo “seita”, do grego “hairesis”, procede de uma raiz que significa “selecionar”, “escolher” ou “facção”, traduzido pela Vulgata Latina por “secta”. O termo e seus derivados acham-se com abundância nas páginas do Novo Testamento (Mt 12.18; 1Co 11.19; Gl 5.20; Fp 1.22; 2Ts 2.13; Hb 11.25; 2Pe 2.1).
Originalmente, um herege (gr. hairetikos) era alguém cuja opinião distinguia-se da teoria de um partido ou escola de pensamento historicamente estabelecido. Essas escolas de pensamento, seja política, seja filosófica ou de qualquer outro tipo, declaravam suas teorias (gr. theorías) por meio de afirmações doutrinárias que expressavam o ponto de vista oficial de seu mestre ou escola. Chamava-se assim dogmas (gr. dokei moi = “eu creio”, “parece-me”) ao conjunto teórico abraçado pelos adeptos de certas correntes filosóficas ou religiosas que as confessavam (gr. homologeo) publicamente. A declaração pública necessariamente devia estar de acordo com alguma confissão religiosa ou conjunto de doutrinas, como apresentam as perícopes neotestamentárias de Jo 1:20; At 24:14; Rm 10:9,10; 1Tm 6:12; Tt 1:16.
Uma confissão dogmática distinguia-se portanto da mera opinião (gr. doxa) do populacho inculto e incapaz de apreender a tradição filosófica. Quando então surgia uma nova percepção que se distinguia da tradição (gr. paradosis) cultural, social e religiosa estabelecida, entendia-se a nova perspectiva como seita (gr. hairesis). Pelo fato de divergir de uma teoria e propor uma nova compreensão do assunto envolvido chamavam o proponente da nova escola de faccioso, cismático ou heresiarca. Deste modo, iniciava-se uma nova escola com um novo mestre. O judaísmo, por exemplo, possuía diversas seitas: sacudeus, fariseus, essênios, etc., todas com ideias distintas dentro de uma mesma e só religião (At 5.17; 26.5). As origens do cristianismo estão entranhadas a esse contexto, uma vez que Paulo é descrito como o proponente de uma nova leitura do judaísmo, a “seita dos nazarenos” (At 24.5).
Perspectiva da ortodoxia
Na história da teologia cristã, o vocábulo foi empregado de forma ácida para se referir aos desvios cristológicos (arianismo, nestorianismo), pneumatológicos (eunomianismo, pneumatômacos), entre outros pareceres facciosos que se distinguiam da ortodoxia apostólica. Aqueles que combatiam os desvios doutrinários internos da igreja eram chamados de polemistas, enquanto os apologistascuidavam em defender a igreja perante o Estado.
Chamava-se assim de ortodoxia o ensino que estava de acordo com a tradição apostólica e cuja definição dogmática fora estabelecida nos Concílios da igreja. Para encerramos esse resumo semântico e histórico, lembre-se o leitor que a Reforma Protestante fora considerada herética pela igreja oficial e a nova fé perseguida como se fosse uma seita perigosíssima.
Portanto, sob o ponto de vista de uma religião estabelecida, uma seita é formada por uma facção que diverge dos ensinos da tradição da qual procede, e se organiza com características peculiares e contraposta a sua religião de origem. Todavia, o surgimento de uma seita envolve variegados fatores e não apenas o teológico. Há elementos sociais, históricos, econômicos e até mesmo de ordem vocacional ou carismática que servem de auxiliares explicativos para o surgimento de uma seita. Razões pelas quais elas estão classificadas em: seculares, orientais, ocultistas, dissidentes, históricas, contemporâneas, etc.
É possível identificar uma seita?
Identificar uma seita é tarefa hercúlea. A partir da perspectiva histórica da ortodoxia cristã exposta, uma seita é identificada por: a) negar a deidade, encarnação, conceição virginal, morte vicária, ressurreição e ascensão de Jesus; b) negar a divindade e pessoalidade do Espírito Santo; c) negar a Trindade. As seitas cristãs costumam praticar o proselitismo; terem manuais cujo valor consideram igual ou superior à Bíblia; serem exclusivistas e reformadoras do cristianismo. Muitas vezes afirmam terem recebido alguma revelação ou visão especial.
Os desafios de um mundo plural e planetário
O leitor não deve se esquecer, entretanto, que vivemos em um país democrático e plural, com liberdade religiosa assegurada para todos. As divergências de opiniões, ideias e doutrinas devem ser tratadas com respeito, mantendo-se o diálogo, a alteridade e a compaixão àqueles que pensam de modo distinto. O diálogo é melhor do que a controvérsia e a mansidão e acolhimento do outro mais eficaz do que o embate (1Pe 3.15).

A Nova Apologética e o diálogo inter-religioso
Para os apologistas modernos essa atitude e dialogicidade é uma condição sine qua non, caso se deseje anunciar as Boas-Novas e não apenas vencer um debate. Os contextos pós-metafísico, multicultural e dialógico de nosso tempo reclama à apologética tradicional, fincada na ontoteologia platônica e no racionalismo positivista, uma metanóia completa. Essa mudança deve ocorrer a partir de uma nova reflexão que faça distinção entre fé e crença, religião e religiosidade, revelação de Deus e conhecimento de Deus, teologia e fé, salvação e conhecimento, para citar apenas algumas dualidades. 
A Nova Apologética Cristã precisa assim estar disposta a dialogar no atual contexto do pluralismo religioso. Permita-me o leitor portanto estabelecer as diferenças entre diálogo inter-religiosomissão evangelizadora Anúncio. O diálogo inter-religioso entendido como “o conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um recíproco enriquecimento” não impede a missão evangelizadora e mais particularmente, o Anúncio, isto é, a comunicação do mistério de salvação realizado por Deus para todos em Jesus Cristo. O diálogo representa sim um desafio, mas não um impedimento à missão evangelizadora. Deste modo, o diálogo não deve substituir o Anúncio, pois se constitui a tarefa primordial da Igreja fazer crescer o Reino de nosso Senhor e do seu Cristo.
Neste novo contexto o apologista é desafiado a se empenhar mais profundamente, discernindo elementos crísticos presentes em certas verdades defendidas pelas religiões (justiça, solidariedade, caridade, por exemplo), mas sem confundir os elementos nelas também presentes que são incompatíveis com a fé e a singularidade de Cristo como mediador salvífico. A Igreja entra em diálogo de salvação com todos, mas a natureza de seu diálogo não é meramente antropológico, mas teológico. O diálogo da Igreja é um diálogo de salvação, embora não esteja excluído o diálogo da vida, das obras e da experiência religiosa.
O verdadeiro diálogo inter-religioso supõe da parte do apologista o desejo de fazer que outros religiosos conheçam melhor o Evangelho, possibilitando por meio do testemunho e do diálogo o desejo de ambos interlocutores de aprofundarem os seus conhecimentos no mistério de Cristo. De acordo com 1 Pedro 3.15 é um privilégio e uma alegria para o cristão responder com mansidão e temor a qualquer que lhe pedir a razão da esperança que há nele. Lembremos que o exemplo deixado pelos apóstolos em Atos 17.22-18 ensina ao apologista contemporâneo que ser uma testemunha em um mundo plural inclui envolver-se dialogicamente com pessoas de diferentes religiões e culturas. Isto não significa que o apologista colocará sua fé entre parênteses para dialogar com as seitas e religiões não cristãs, muito pelo contrário. Ele deve permanecer fiel a si mesmo e à sua crença.
 


A Palavra de Deus afirma: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”, Pv 14.12. Um dos primeiros títulos dados à igreja emergente do primeiro século era “os do Caminho” (At 19.9,23; 24.22). Os adeptos do “Caminho” eram os convertidos ao cristianismo e, como não havia um titulo oficial ou nome dado a esses cristãos, propagou-se o título “Caminho”, porque os apóstolos e pregadores da época denominavam seus ensinos como “os santos e retos caminhos do Senhor”. Especialmente dentro do judaísmo, o “Caminho” era tratado como seita, mas, na verdade, era o único e verdadeiro caminho que o próprio Deus abriu na Terra para direcionar o homem pecador à salvação.

Todos querem o caminho da felicidade. Ao longo da historia da humanidade, muitos caminhos falsos foram construídos através das religiões e seitas surgidas. Para redirecionar o homem, Deus enviou seu Filho Jesus como o verdadeiro caminho que conduz à vida eterna (Jo 14.6). Por causa do pecado, o homem perdeu a direção. O sentido da palavra “pecado” (no grego, “hamartia”) significa “errar o alvo”, “perder o rumo”, “tomar outra direção”. O apóstolo Paulo declarou: “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte; assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”, Rm 5.12. O homem não pode negar a relação do seu espírito com Deus, por isso, mesmo tendo pecado, tem necessidade de Deus.

Lamentavelmente, na busca de satisfazer essa necessidade espiritual, o arquiinimigo de Deus e do homem, o Diabo, tem aberto vários outros caminhos de engano, pelos quais o homem tem caminhado.

I – EXPLICANDO E DEFININDO TERMOS

a) SEITA – Do latim “secta”, o termo significa “doutrina ou sistema que diverge da opinião geral e é seguido por muitos”. Do termo “secta” designou-se na língua portuguesa a palavra seita, que também significa facção, partido. Daí que seita representa uma forma sectária de pensar que vai além do sistema existente.

Toda seita advém de alguma religião ou doutrina. As seitas discordam do ensino básico de uma religião. No contexto histórico do judaísmo, surgiram grupos religiosos distintos e antagônicos, os quais, nos dias de Jesus na Terra, eram conhecidos como a seita dos fariseus, dos saduceus, dos essênios e dos zelotes. Esses grupos se diziam fiéis ao judaísmo, mas discordavam em pontos doutrinários, por isso eram contundentes e até radicais.

b) HERESIA – Esse termo deriva da palavra grega “hairesis” e o seu significado é escolha, seleção, preferência, partido tomado, corrente de pensamento, divisão. No latim, “hairesis” passou a significar “secta”. Portanto, há uma relação muito próxima de significado entre os termos seita e heresia. No Novo Testamento, o cristianismo era rejeitado pelos judeus e tratado como heresia ou seita (1Co 11.19; Gl 5.20 e 2Pd 2.1-2).

Ao longo da historia da Igreja, especialmente nos primeiros séculos, quando as doutrinas básicas do cristianismo começaram a ser organizadas e sistematizadas nos grandes concílios, começaram a surgir, também, as facções teológicas. Algumas das cartas e epístolas do Novo Testamento demonstram a preocupação dos seus escritores com as idéias e conceitos influenciados pelos filósofos da época (1Tm 4.1-5 e 2Pd 2.1-3).

No próximo artigo desta série, conceituaremos “Doutrina”.

Como identificar seitas e heresias (2ª parte)

Como prometido no último artigo, e seguindo a sequência do nosso estudo sobre como identificar seitas e heresias, conceituemos agora o que é “Doutrina”.

c) DOUTRINA – No latim, a palavra doutrina é “doctrina” e significa “ensino”. Segundo o Dicionário Aurélio, “doutrina é o conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso”. No Antigo Testamento, a palavra doutrina ocorre como tradução do hebraico “Ieqah”, que significa “o que é recebido” (Dt 32.2; Jó 11.4; Pv 4.2 e Is 29.24).

No Novo Testamento, dois termos da língua grega representam a palavra doutrina. Um termo é “didaskalia” e o outro, “didachê”. Ambos os termos referem-se ao ensino como instrução dada àqueles que recebiam de bom grado a mensagem do cristianismo.

A Bíblia especifica três formas de doutrina:
a) Doutrina de Deus (At 2.41-42;13.12 e Tt 2.10)
b) Doutrina de demônios (1Tm 4.1)
c) Doutrina de homens (Mt 15.9 e Cl 2.22)

II – RAMIFICAÇÕES

Alguns ramos do protestantismo são advindos do período do seu surgimento na Idade Media com Martinho Lutero e João Calvino, ou João Wesley e outros. Entretanto, as diferenças de opiniões desses grupos sobre doutrina cristã não afetaram a essência do ensino básico do cristianismo. Portanto, não se constituem em seitas ou heresias. Porém, toda discordância doutrinaria (ou teológica), quando rompe com os fundamentos principais da doutrina cristã, é identificada como heresia ou seita.

“Uma seita pode assumir muitas formas, mas basicamente é algum movimento religioso que distorce ou desvirtua a fé ortodoxa até ao ponto em que a verdade é transformada em mentira. É impossível definir uma seita, a menos que se o faça em comparação com o padrão absoluto do ensino das Santas Escrituras”, escreveu Dave Breese.

No próximo artigo, veremos alguns sinais que nos apontam para heresias ou seitas.

Como identificar seitas e heresias (3ª parte)


Vejamos agora alguns sinais que identificam heresias ou seitas:

1) IMATURIDADE ESPIRITUAL – Apóstolo Pedro fez uma distinção entre uma criança e um adulto na fé cristã. Ele indica o tipo de tratamento que se deve dar “a meninos recém-nascidos” (1Pd 2.2). O recém-nascido na fé requer cuidado diferenciado porque é mais vulnerável nessa “infância espiritual”. Um crente imaturo é mais facilmente vulnerável à subversão das heresias. Os ventos de doutrina sopram e movem facilmente as emoções dessas pessoas, que se deixam induzir pelo engano de homens fraudulentos (Ef 4.14).

2) SUBVERSÃO ESPIRITUAL – Sem dúvida, os crentes imaturos são mais facilmente atraídos para as seitas porque, geralmente, seus líderes trabalham com eficiência a propaganda de suas idéias e podem subverter as pessoas. Os líderes de movimentos heréticos são persuasivos acerca de suas idéias e são capazes de torcer a regra básica e fundamental acerca das Escrituras como autoridade única e máxima para a vida do cristão. Subvertem as mentes pobres de conhecimento bíblico com revelações extrabíblicas para justificar suas idéias heréticas.

Paulo havia percebido que na igreja da Galácia um grupo de crentes estava facilmente mudando de pensamento e aceitando outro evangelho (Gl 1.6-9). Paulo percebeu na igreja de Corinto uma certa vulnerabilidade doutrinária acerca das coisas espirituais, pois, à despeito da abundância dos dons espirituais naquela igreja, havia divisões e facções (2Co 11.13-15).

3) SOBERBA INTELECTUAL – Não muito diferente de nossos dias, as igrejas do Novo Testamento sofriam com os “intelectuais teológicos” que entendiam ser eles as pessoas que deviam ser ouvidas dentro da igreja. Esses pretensos intelectuais achavam também que por ostentarem maiores conhecimentos eram mais espirituais que os demais. Paulo enfrentou esse tipo de crentes na igreja em Corinto (2Co 11.3-4).

Muitas heresias têm surgido da soberba intelectual de pessoas que resolvem interpretar a Bíblia de acordo com suas idéias particulares e conveniências. O orgulho intelectual de pretensos teólogos induz à arrogância e à apostasia. As heresias surgem da idéia de que podem explicar todas as coisas com argumentos meramente intelectuais. Porém, o Evangelho precisa ser crido “com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas na graça divina” (2Co 1.12).


FONTE CPAD NEWS

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