segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apologética heresias em Colossences ( 1)





  
O erro que perturbava Colossos envol­veu amplamente elementos judeus e pagãos. Sem dúvida, os elementos judai­cos eram a ênfase aos sábados, à circuncisão, à lei, e, provavelmente, as referências à observância de festivais e dias santos e luas novas; 3:11 e 4:11 também parecem pressupor uma fonte judaica de desacordo.
Indubitavelmente, os elementos pa­gãos incluíam uma "filosofia" que de­pendia de métodos plausíveis de racio­cínio que se baseavam na tradição hu­mana, em vez de numa demonstração lógica e revelação. A adoração de anjos (diferente da crença neles, como se apre­senta em Jubileus, Tobias e Ascensão de Isaías), provavelmente, expressa o temor pagão, disseminado, de seres celestiais, espíritos elementares do universo. De certa forma, o sol, a lua e as estrelas eram corporificações materiais desses elementos, desses seres. Governando a terra, eles podiam ser aplacados, espe­cialmente em suas épocas indicadas, por humilhação e devoções rigorosas.
A proibição de certos alimentos podia ser uma característica judaica, mas a referência à bebida e à sua associação com repressão ascética do corpo sugere um dualismo pagão, como também o fazem expressões como "herança na luz", "domínio das trevas" e "reino do Filho". A ênfase das visões também podia ser judaica (v.g., o livro de Enoque); mas aqueles de quem os heréticos se jactavam (2:18) eram essencialmente sensuais, não espirituais, e pareciam expressar significados ocultos que pre­cisavam de interpretação. Isto faz lem­brar as revelações dadas em transe, e prometidas nas seitas pagas.
A ênfase dada pelos heréticos à sabe­doria assemelha-se a Provérbios, Sabe­doria de Salomão e Siraque; mas o seu exclusivismo (contraditado em 1:26 e ss.; 3:11) e as expressões de menosprezo em 2:4,8 sugerem, pelo contrário, um intelectualismo gnóstico.
O gnosticismo era um clima de pensa­mento tão disseminado quanto a teoria evolucionária o é hoje em dia. Provavel­mente, ele assumiu proeminência no primeiro século, ou antes, e alcançou o seu zênite no segundo século. Combinava especulação filosófica, superstição, ritos; semi-mágicos e algumas vezes um culto fanático e até obsceno. As idéias mais comuns às suas muitas formas são: salvação mediante o conhecimento (gnosis) — os iluminados são "cristãos avança­dos"; dualismo — tudo o que é espiri­tual é por natureza puro, tudo o que é material é por natureza irremediavel­mente mau, inclusive o mundo e o corpo. Portanto, Deus está longe; a brecha entre ele e o mundo é preenchida por uma cadeia de seres de espiritualidade descendente. O corpo, túmulo do espírito, pode ser rigorosamente suprimido ou deixado à vontade indulgentemente, como irrelevante para a vida do espírito puro.
Sendo extremamente intelectualista, e, portanto, individualista, o gnosticismo cultivou uma elite iluminada, para quem somente a salvação era possível, e des­prezava todas as outras pessoas. O antigo gnosticismo reinterpretou o cristianismo e procurou "melhorá-lo", oferecendo-se para tornar os crentes "perfeitos"; mais tarde, o mais amargo antagonismo se desenvolveu.
Indícios adicionais de idéias gnósticas como estas, em Colossos, são achadas em expressões que deviam tornar-se "pala­vras-chave" de sistemas gnósticos poste­riores: o "segredo" ou "mistério", a "plenitude", conhecimento (cinco vezes), e duas ou três outras. As negações gnós­ticas da plena encarnação da divindade em Jesus encontra veemente réplica nos capítulos 1 e 2. Quaisquer sinais de "indiferentismo moral" gnóstico seria bem respondido pelo conselho abrupto de 3:5ess.
Mas o fato de que elementos judaicos e gnósticos devessem aparecer interli­gados em uma única heresia (veja 2:14 e s.) tem constituído assunto para debate durante um século. Porque o gnosticismo a respeito do qual mais informações temos data do segundo sé­culo d.C, e era antijudaico, enquanto o judaísmo ortodoxo resistia veemente­mente a toda a transigência em relação ao paganismo.
Portanto, algumas pessoas negam que haja em Colossenses qualquer referência ao gnosticismo, dizendo que a idéia judaica de que os anjos haviam sido mediadores da lei expressava apenas extrema reverência pela lei e que as declarações da superioridade de Cristo em relação aos anjos meramente enfati­zavam a sua superioridade em relação à lei. Mas a adoração de anjos, no capí­tulo 2, implica em mais do que isto; e a insistência sobre a superioridade de Cris­to em relação a "tronos, domínios e autoridades" sugere que eles são seres pessoais, mais próximos do politeísmo e do dualismo gnóstico.
Atos fala de judeus que praticavam a magia (At. 13:6; 19:13 e ss.) e de Simão, o mago considerado, muito depois, como o pai do gnosticismo. Algumas carac­terísticas da heresia colossense são encontradas misturadas com judaísmo em Gálatas 4:3,9,10, enquanto traços delas, em Timóteo, João, I João e Apo­calipse, revelam idéias gnósticas nas fraldas da comunidade judaica na Ásia Menor, durante a segunda metade do primeiro século.
Em 1875, Lightfoot comparou o erro colossense ao essenismo, que combinava observâncias meticulosas do Tora judaico esabatismo rigoroso com severo asceticismo monástico, adoração do sol e uma elaborada doutrina de anjos. Abbott pensava que os falsos mestres de Colossos diziam ter percepção exclusiva em relação ao mun­do dos espíritos intermediários, mediante o favor dos quais (dadasas requeridas austeridade e humilhação diante dos anjos) novas revelações ("visões") po­diam ser obtidas: "Isso pode ser chama­do de judaísmo gnóstico."
C. F. D. Moule (p. 31), semelhante­mente, fala de uma "teosofia" do tipo judaico-gnóstico. Bruce (p. 166) parece satisfeito com o fato de incipientes for­mas de gnosticismo terem sido comuns dentro do judaísmo no primeiro século d.C. Oscar Cullmann pensa que a heresia colossense tentara misturar espe­culações filosóficas manchadas de gnos­ticismo com o evangelho, pois formas preliminares de gnosticismo existiram, previamente, no judaísmo helenizado. A. M. Hunter encontra fortes evidên­cias disto no Evangelho de João.
Guthrie cita, com aprovação caute­losa, W. D. Davies em relação às "mui­tas características comuns entre a heresia colossenses e a seita de Qumran", e R. M. Wilson, em relação ao caráter dos Rolos como "pré-gnósticos". Qumran pensava que ser "filho da luz" signifi­cava obediência absoluta à lei de Moisés, em um legalismo que excedia até a tradi­ção dos anciãos. Isto pode iluminar 1:13; 2:14; 2:21 e ss.
Neste clima crescente de opiniões, não é surpreendente que R. H. Fuller expresse redondamente a opinião de que a cristologia de Colossenses demonstra tendências contrárias às idéias gnósticas, que a "filosofia" que se lhe opõe é a mitologia sincretista do gnosticismo, que as observâncias de culto referidas lem­bram hierarquias gnósticas e que as proibições ascéticas se originam do dua­lismo gnóstico.
Grande parte desta discussão se reduz claramente à definição que damos ao gnosticismo. Certamente, os sistemas gnósticos desenvolvidos, descritos e antagonizados pelos Pais da Igreja foram um fenômeno do segundo século. Mas um gnosticismo preliminar, umprotognosticismo, era uma atmosfera, um sincretismo variado e amorfo, muito antes de se tornar um sistema racional; e as suas principais idéias eram consideravel­mente antigas.
Por fim, precisamos descrever o erro colossense em termos genéricos, como uma versão da fé cristã distorcida e obscurecida por concepções de tipo gnós­tico, que se haviam infiltrado na igreja por meio de um judaísmo já heterodoxo.
O seu efeito foi afrouxar o apego dos homens para com o Cristo, de quem eles haviam sido ensinados anteriormente (2:19; cf. 2:6,7); obscurecer, e mesmo negar, a unicidade do Senhor que ascen­derá, o único mediador, através de quem eles haviam uma vez entrado na liberdade. A resposta de Paulo é uma cristologia de proporções verdadeiramente cósmi­cas. Ele insiste na plenitude da divin­dade habitando em Cristo; na sua pre­cedência e proeminência na criação sobre tronos, domínios e principados (1:16); no seu senhorio sobre eles quanto à posição (2:10); e na sua vitória sobre eles no Calvário (2:15). O seu argumento é que duvidar da plenitude de Cristo é deixar de entender a plenitude, riqueza e sufi­ciência da vida cristã.notas Bibliografia O. White +www.ebareiabranca.com




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