segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apologética a corrupção da doutrina



                Corrupções da doutrina bíblica (1ª parte)



                Modismos teológicos de nossos dias e seus contrassensos à luz da Bíblia
Doutrina bíblica é um ensino normativo, terminante, final, extraído das Sagradas Escrituras e concernente à fé em Deus e à prática da vida cristã. Esse ensino deve ser desdobrado em pormenores e embasado com a apropriada referenciação bíblica. Ela é chamada de "a sã doutrina" (Tt 2.1).

A falsificação da doutrina ocorre quando se formula doutrina antibíblica, se perverte a sã doutrina com falsa base em textos bíblicos mutilados e quase sempre isolados do seu contexto. Isso é distorção, aberração, adulteração, desvio, inovação e trucagem das verdadeiras doutrinas bíblicas.
O surgimento cada vez maior de doutrinas falsas é um sinal dos tempos (1Tm 4.1; 2Pe 2.1; 1Jo 4.1; Cl 2.22; Mt 24.11 e 15.9).

A distorção da doutrina bíblica vem em grande parte das igrejas neopentecostais e de outros grupos similares. Também vem das seitas falsas, como Ciência Cristã, Igreja Local, Igreja da Unificação, Igreja Messiânica, Testemunhas de Jeová, Mormonismo, Tabernáculo da Fé, Voz da Verdade, Igreja "Só Jesus" etc.

Grande parte dos falsos ensinos está relacionada às operações, ministérios e manifestações do Espírito Santo. Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo falou sobre os desviados da doutrina (2Tm 2.18; 4.4).

Vejamos as facetas da falsificação da doutrina

a) 
Falsos ensinos – São doutrinas bíblicas falsificadas, adulteradas.
b) 
Falsas doutrinas – São pseudo-doutrinas, doutrinas forjadas. Nunca foram doutrinas bíblicas. Isso está surgindo até dentro da Assembléia de Deus.
c) 
Falsas religiões – São religiões antibíblicas que vêm dos primórdios da humanidade. Às vezes mudam de nome, mas o conteúdo é o mesmo.
d)
 Falsas seitas – É um falso movimento religioso derivado de uma ou mais religiões, verdadeiras ou falsas.
e)
 Falsos princípios, ideias e crenças filosóficas – Uma ramificação de falsas idéias no campo religioso-filosófico.

Vejamos, a partir de agora, um exemplário parcial de corruções da doutrina bíblica.

"Amarrar o Inimigo"


Há pessoas que pensam que através de frases feitas, jargões, lemas, slogans e gritos podem "amarrar" Satanás e seus demônios. O Inimigo, na verdade, zomba de tal mecanicismo. Não é assim que se "amarra" o Inimigo, conforme podemos conferir em Marcos 3.27 e Mateus 12.29. Isso é divulgar os demônios e explorar a credulidade pública, levando o povo a uma maléfica crendice, uma forma de curandeirismo e pajelança.

“Amarra-se” realmente o Inimigo pela fé em Cristo, quando assumimos a nossa posição em Cristo e reivindicamos a Sua vitória e a Sua autoridade, que é suprema, sobre o Inimigo (Jo 14.20; Ef 1.3,20-22 e 2.6; Cl 2.15; 2Co 2.14 e 10.4-5; Mc 16.17; Fp 3.10 e 4.13).

Arrebatamento em grupo

Os casos de arrebatamento mencionados na Bíblia foram todos para fins específicos, conforme o propósito de Deus: (1) Paulo, duas vezes (At 22.17 e 2Co 12.2); (2) Pedro, uma vez (At 10.10); (3) João, uma vez (Ap 1.10).

Casos como o de Felipe, o evangelista, e os de Enoque, Elias e Ezequiel, não são de arrebatamento no sentido em que estamos tratando aqui. Os "arrebatados" em grupo, ao "retornarem", relatam visões fantasiosas, infantis, absurdas e, acima de tudo, antibíblicas.

Batismo no Espírito Santo sem a manifestação de línguas


As línguas "conforme o Espírito Santo concede" são a evidência física inicial desse glorioso batismo, conforme seu padrão em Atos 2.1-4; 10.44-47 e 19.1-7. É a lei da primeira referência, da Hermenêutica. Os promotores desse batismo sem línguas são algumas igrejas neopentecostais e o povo da renovação católico-carismática.

Batismo em águas só em nome de Jesus


É uma forma de unicismo herético. Consiste em negar o Deus Trino. "Em nome de Jesus" refere-se à autoridade divina dada pelo Senhor para a igreja batizar, como podemos ver em Atos 2.38; 8.16; 10.48 e 19.15. A fórmula bíblica para batizar é a dada pelo Senhor Jesus, como a temos em Mateus 28.19: "Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".

Cair no Espírito


"Cair no Espírito" é cair e ficar inconsciente; cair não subjetivamente; cair à toda hora; cair em grupo; cair por manipulação de alguém esperto, e ainda mais citando textos bíblicos truncados. Há, por exemplo, uma má compreensão e interpretação de João 20.22, que relata o momento em que Jesus soprou sobre seus discípulos e disse: "Recebei o Espírito". Há quem acredite no poder do toque ou do sopro que derruba as pessoas de tal forma que o fenômeno passa a ser centro das atenções e do culto.

Elias tinha poder até na sua capa. Eliseu tinha poder até nos seus ossos. Pedro tinha poder até na sua sombra. Paulo tinha poder até nas suas vestes, mas nenhum deles jamais andou derrubando as pessoas no culto.

Daniel e Ezequiel caíram, sim, mas prostrados. É diferente. Não foram derrubados de modo ostensivo. João, o apóstolo, caiu prostrado ante a glória da majestade divina. Também é algo absolutamente diferente. "O Senhor levanta a todos os abatidos", Sl 145.14. 

Corrupções da doutrina bíblica
(2ª parte)
Modismos teológicos de nossos dias e seus contrassensos à luz da Bíblia
Como informamos na semana passada, daremos agora continuidade à lista de corrupções doutrinárias mais comuns em nossos dias.

Ceia do Senhor


Há quem celebre a Ceia do Senhor somente com pães asmos. Alguns distribuem a Ceia para todos os presentes indistintamente, tanto para crentes como para não-crentes. Outros há que só a celebram com um pão único e gigante ou a servem com vinho embriagante, alegando que a palavra "vinho" está relacionada à Ceia na Bíblia.

Ainda temos outro grupo, que transforma a Ceia do Senhor em um "festival santo", sob a alegação de que ela equivale ao "ágape" dos cristãos primitivos. Tudo isso são inovações descabidas e antibíblicas.

Confissão positiva

Também conhecida como teologia da prosperidade, evangelho da prosperidade ou movimento da fé. Ensina que o crente que sofre doenças, revezes, contratempos, prejuízos, desastres, provações, tribulações e pobreza sofre tudo isso porque:

a) Ou está em pecado diante de Deus;
b) Ou não confia em Deus;
c) Ou é infiel a Deus;
d) Ou ainda não dá abundantemente das suas finanças, bens e tempo para Deus e Sua obra.

Esses pregadores são peritos em tomar versículos isolados dos seus contextos e ensiná-los erradamente (Sl 34.19; 91.15; 119.67,71,75; Jo 16.33; At 14.22; Rm 8.17-18; 1Pe 5.10; 2Tm 3.12; Dt 15.4-5,11 e Jo12.8).

Se em Marcos 10.30 encontramos a promessa "Que não receba cem vezes tanto já neste tempo", o mesmo texto acrescenta "com perseguições". Se em Hebreus 11.34 se diz que os heróis da fé "escaparam do fio da espada", no versículo 37 se diz que outros heróis foram "mortos ao fio da espada".

Além das distorções, há também os flagrantes e comprovações de fraudes, truques, falcatruas, trapaças e extorsões entre apologistas da confissão positiva.

Cura interior

No início, há algumas décadas, o assunto cura interior era abordado de forma biblicamente correta, mas hoje tem sido totalmente desvirtuado pelos inovadores, copiadores, neopentecostais, carismáticos e até por gente da Assembléia de Deus. Tudo por falta de estudo sério e honesto das Sagradas Escrituras.

Hoje, a cura interior, como ensinada em cruzadas, seminários, livros e vídeos, é antibíblica e falsa. É praticamente uma segunda experiência de conversão. Ela está levando à regressão interior e à maldição hereditária, tudo com base em falsas premissas que dizem ser existentes nas Escrituras.

A cura interior, como vista hoje, leva a um falso Evangelho, sem poder; a um Cristo incapaz de salvar, a uma falsa salvação.

Agora, por que muitos crentes, convertidos mesmo, padecem continuamente os alegados sofrimentos tão mencionados pelos pregoeiros da cura interior? Por vários motivos.

a) Porque são crentes que têm ligação com igrejas e grupos antibíblicos, como Maçonaria, Igreja Messiânica, Meninos de Deus, meditação transcendental, Nova Era, LBV etc.

b) Porque são crentes que continuam na prática de pecados conhecidos e deliberados, e ainda os defendem. Muitos praticam fornicação, adultério, aborto, roubo, jogo, homossexualismo, rebelião, negócios ilícitos e vivem em comunhão com os ímpios.

c) Porque são obreiros enquadrados em Malaquias 2.1-3,8-9.
d) Porque são crentes que não perdoam seus irmãos de coração e se perdoam (Dt 29.18; Pv 26.24-27; Ef 4.31-32; Hb 12.15 e Mt 18.32-35).
e) Porque são crentes que guardam coisas do Inimigo em seu poder, seja em suas casas ou em seus carros e bolsos. Lembremos de Jesus em João 14.30: "E ele nada tem em mim".

Muitos crentes, pelas razões mencionadas acima, têm feridas crônicas na alma, como mágoas permanentes, ressentimento, revolta, recalque, sentimento de culpa; sentimento de solidão, abandono e frustração; ira e ódio constantes; complexos de inferioridade, superioridade ou de derrota; amargura, rancor, trauma nervoso, medo doentio e tristeza crônica.

Precisamos examinar profundamente Deuteronômio 21.23, Números 23.23, Isaías 54.17, Salmos 121.7 e 91.10, Jeremias 20.11, João 8.36, Gálatas 3.13, 2 Coríntios 5.17 e 10.4-5, e Romanos 5.9. 

Corrupções da doutrina bíblica
(3ª parte)
Modismos teológicos de nossos dias e seus contrassensos à luz da Bíblia
Hoje, dando seguimento ao nosso assunto, falaremos dos modismos maldição hereditária, culto de libertação e dançar no Espírito.

Maldição hereditária

Também conhecida como maldição de família, é outro ensino falso advindo da atual e antibíblica ideia de cura interior.

A maldição hereditária, segundo seus pregoeiros, consiste em pactos de ascendentes da família feitos com demônios. Segundo eles, esses pactos, de que a pessoa pode estar ou não a par, trazem maldição para vida da pessoa. A maldição poder ser também pragas invocadas, rezas, patuás, "mau olhado" etc. Esse falso ensino decorre da má compreensão e interpretação de Êxodo 20.5 e 24.1-8; Levítico 26.39; Números 14.18 e Deuteronômio 30.19.

Contra esse ensino temos os textos claros de João 8.36; 2 Coríntios 5.17; Gálatas 3.13; Isaías 54.17 e todo o salmo 91.

Os adeptos desse ensino praticam a chamada "quebra de maldição". Ora, a maldição sem causa não virá. Praga sem motivo não funciona: "Como pássaro que foge, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não se cumpre", Pv 26.2. Às vezes, um verdadeiro crente que se envolve com esse tipo de ensino é uma "casa desocupada", e podemos ver o resultado disso em Mateus 12.43-44.

É sempre uma tragédia espiritual um filho de Deus viver vazio espiritualmente, isto é, vazio do Espírito Santo, da Palavra de Deus, da oração, da fé, enfim, da presença do Senhor em sua vida. Um tal crente pode facilmente cair nas mãos desses assaltantes da alma.

A maldição hereditária leva à regressão interior, que já é puro ocultismo. É a farsa diabólica da "bilocação" do indivíduo. É o que diz o Salmo 42.7: "Um abismo chama outro abismo".

Culto de libertação

Em todo culto genuíno a Deus, Jesus quer e pode libertar. Os grupos neopentecostais, contudo, criaram essa reunião "Culto de Libertação", e a Assembléia de Deus, infelizmente, hoje a copia.

Em Mateus 18.20, Jesus garante: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles". Em textos como Atos 11.15 e 1 Coríntios 14.26 vemos que não se precisa de cultos específicos para que o Senhor opere. Em Lucas 5.17, lemos: "E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com Ele para curar". Ora, tratava-se aqui de uma reunião de ensino da Palavra. Jesus estava ensinando. Não estava pregando ou orando.

Dança no Espírito

Nem no Antigo Testamento nem no Novo Testamento encontramos tal ensino. A dança em Israel, mencionada na Bíblia, fazia parte da cultura do povo e era patriótica. Consistia em ficar pulando e saltitando ritmicamente em volta de si mesmo ou de outras pessoas. Às vezes, os israelitas ficavam de mãos dadas, mas sempre homens e mulheres separadamente.

Miriã dançou de alegria uma vez pelo prodígio divino da travessia do Mar Vermelho a seco, quando Israel saiu do Egito. Em Lucas 15.25, numa parábola, o pai do pródigo é mencionado dançando de alegria por reaver o filho perdido.

O corinho que diz "Eu danço como Davi" não tem razão de ser, porque Davi dançou patrioticamente (2Sm 6.14-16), e os adeptos da dança hoje querem dançar no culto. Davi dançou na rua, no desfile do translado da Arca da Aliança (2Sm 6.16 e 1Cr 15.29), mas os que querem dançar hoje utilizam o local do culto.

"E o espírito volte a Deus"

"E o espírito volta a Deus, que o deu", Ec 12.7. Os universalistas, falsificadores de doutrina, partindo desse texto isolado, ensinam que Deus dará um jeito para, no fim, salvar pelo menos o espírito da pessoa. Dizem que os espíritos de todos os ímpios que morreram sem salvação serão recolhidos ao Céu.

Esse ensino é falso. Basta verificar a analogia geral das Escrituras no tocante a salvação dos perdidos. Além disso, "voltar a Deus", ali, tem o sentido de "após a morte, ficar sob o controle direto de Deus". Ao morrer alguém, seu espírito e alma não ficam perambulando à vontade de cada um, por onde quiserem, como viviam antes na Terra. Jesus é o Senhor dos mortos também (Rm 14.9). Em Atos 10.42, na pregação na casa de Cornélio, Pedro afirmou ter Jesus sido constituído juiz dos vivos e dos mortos.

A pessoa que é salva por Jesus, ao morrer, vai imediatamente para o Céu. Se uma pessoa sem Jesus morrer, vai diretamente para o Hades (um tipo de inferno, onde tal pessoa, já em sofrimento, aguardará o julgamento final).

Fé residente no homem

Os pregadores modernistas inventaram uma fé imanente, latente no homem. Lamentavelmente, há alguns pregadores assembleianos que inadvertidamente têm pregado a mesma coisa.

Romanos 10.17 diz: "A fé vem pelo ouvir; e o ouvir pela Palavra de Deus". Em Romanos 12.3, Paulo ensina que Deus repartiu a fé a cada um. Em Efésios 2.8, encontramos: "E isto não vem de vós; é Dom de Deus". No original grego, a expressão traduzida como "isto" está no plural. Isto é, a fé para crermos em Deus vem Dele mesmo, para que ninguém se glorie de ter ajudado a Deus.

Em Hebreus 12.2, a Palavra de Deus afirma que Jesus é "o autor e consumador da fé". Então, ficamos com a Bíblia ou com eles? 


Corrupções da doutrina bíblica
(4ª parte)
Modismos teológicos de nossos dias e seus contrassensos à luz da Bíblia
Hoje, falaremos sobre os modismos da guerra espiritual, dos jogos de azar na igreja, do monofisismo e das corrupções da música na igreja.

Guerra espiritual

Também é conhecida como "batalha espiritual". O que muitos estão chamando de guerra espiritual é um logro do inimigo, e não a verdadeira guerra ou luta espiritual de que fala Paulo em Efésios 6.10-18, e muitas outras passagens correlatas da Bíblia.

De nada adianta o uso de uniformes especiais, palavras de ordem (como “queimar” ou “pisar” Satanás e seus domônios), certos cânticos repetidos indefinidamente, jejuns encomendados, locais especiais de reuniões (como orar em montes etc), convidados especiais para falar, barulho ensurdecedor e gritos estridentes, se não estivermos biblicamente em Cristo, segundo a Palavra de Deus, e no poder do Espírito Santo (Jo 15.7).

Quanto aos demônios, o que os inovadores da doutrina estão a fazer é:
a) Impor as mãos sobre os endemoninhados (!?!)
b) Chamar endemoninhados à frente (!?!)
c) Dialogar com demônios em público (!?!)
O demônio pode até sair, mas volta; ou entra noutra pessoa, ou ainda entra em muitas outras pessoas.

Qual a razão desses inovadores quererem dialogar com demônios? Para ouvirem confissões tétricas de demônios (ou supostos demônios). Isso equivale a divulgar os demônios, e é isso o que eles querem.

Jesus mandou-nos chamar os pecadores e expulsar os demônios. Hoje estamos vendo certos pregadores chamando os demônios e expulsando os pecadores. Sim, porque estes saem das reuniões confusos, sem saber se estavam num culto legítimo ao Senhor ou numa sessão espírita.

A chamada guerra espiritual, como está no momento caracterizada, é uma falsa operação divina. Há libertação de demônios, profecias e milagres falsos.

Sobre falsas profecias, o Mestre já nos advertiu. Em Mateus 7.22-23, encontramos Jesus fazendo referência a pessoas que não serão aceitas pelo Senhor apesar de colocarem: “Não profetizamos nós em teu nome?” Isso também tem a ver com falsos pregadores. Sobre falsa libertação de demônios, no mesmo texto encontramos: “E em teu nome não expulsamos demônios?” A resposta do Senhor foi a mesma (Mt 7.23). O evangelista deve atentar para isso. Sobre falsos milagres, no mesma porção bíblica temos: “E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” A resposta foi idêntica (Mt 7.23). Sobre isso podemos também ver 2 Tessalonicenses 2.9-11 e Apocalipse 13.13-14.

Jogo de azar

Esse tipo de jogo é assim chamado porque depende do acaso, da sorte. Um só ganha e todos os demais perdem. Tal princípio, conceito ou procedimento não tem qualquer aval das Escrituras. É o caso da loteria, jogo do bicho, roleta, jogo de cartas, apostas, rifas e raspadinhas. 

Os princípios bíblicos de meio de vida e de trabalho, em geral, conflitam abertamente com o jogo (Gn 3.19; Ex 20.9; Lv 19.13; Pv 10.22; Jr 22.13; 1Co 6.12 e 10.31; Mt 20.2; 2Ts 3.8-12 e 1Ts 5.22).
Um verdadeiro crente foge de qualquer tipo de jogo.

O monofisismo modificado da atualidade 

Isso diz respeito a Jesus, sua divindade e humildade; a natureza divina e a humana perfeita do Senhor.

Falsas doutrinas nesse particular vêm dos primórdios do cristianismo: arianismo, eustaquianismo, nestorianismo etc.

Dizem os falsificadores da doutrina, inclusive alguns professores de seminários teológicos, que “quando Jesus tomou forma humana e encarnou-se, deixou sua natureza divina no céu; e quando Ele voltou para o céu, deixou aqui a sua natureza humana”.

Na sua encarnação, Cristo, sendo Deus, tornou-se “Filho do Homem” (como Ele costumava chamar-se a si mesmo). No glorioso e grandioso mistério da sua encarnação, Ele limitou-se voluntariamente de parte de seus atributos divinos, mas não da sua natureza divina, Nele imanente como Deus. Assim, Ele era (e continua a ser) o perfeito Filho de Deus e o perfeito “Filho do Homem” (Is 9.6; Mt 28.19; Jo 1.1,14; 3.13; 14.9 e 10.30; Lc 24.39-40; Rm 9.5; Cl 2.9; 1Tm 2.5; Hb 1.8 e Ap 1.13,18). É a kenosis de Jesus, conforme Filipenses 2.7-8, expressão grega traduzida em português por “aniquilou-se a si mesmo” e “humilhou-se a sim mesmo”.

A autolimitação voluntária de Jesus, ao tomar corpo humano na sua encarnação, é um dos grandes mistérios da revelação divina, que só compreendemos em parte (1Tm 3.16).

Corrupção da música na igreja

A oração e o ministério da Palavra foram praticamente substituídos hoje pelo cântico nas igrejas. O ministério da Palavra a que me refiro é a pregação e  o ensino da Palavra.

Os neopentecostais e os “renovados” ensinam que “a mais elevada forma de oração é o louvor”. Isso é  falsificação da doutrina. Como resultado, as antigas vigílias de oração da Assembléia de Deus foram transformadas em “vigílias de louvor”, que no final das contas nem é vigília e nem louvor, no sentido estrito destes termos.

Qual é a procedência dessas músicas? A maioria esmagadora vem dos neopentecostais (alheios à doutrina bíblica). Também vêm do movimento espúrio “Voz da Verdade”, que, entre outras coisas, é unicista; dos mórmons, que são heréticos; dos carismáticos, que são “joio no meio do trigo”, e dos adventistas, que são exímios torcedores da Palavra de Deus.

A corrupção da música sacra em nosso meio ocorre por não haver seleção, critérios de aceitação e nem aferição com a Palavra de Deus, como fizeram os bereanos em Atos 17.11, “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. Vejamos as manifestações dessa corrução:

a) 
Corrução na letra das canções: A letra, via de regra, não tem Bíblia nem mensagem para a alma. Também não tem métrica, e a letra é geralmente péssima.
b) 
Corrução na melodia da canção: Não tem seqüência melódica, frase musical e tema musical. São idênticas às melodias do mundo, sem nada de solene.
c) 
Corrupção no ritmo da canção: Ritmo irreverente, puramente secular, coisa que o mundo faz muito melhor do que a igreja quando esta o copia. Ritmo ou cadência é o movimento interativo dos sons.
d) 
Corrupção no andamento da canção: Andamento é a rapidez da execução dos sons na música. O andamento nessas músicas, via de regra, não tem nada de espiritual, nem solene, nem sacro.
e) 
Os autores dessas músicas: Devem ser adeptos desse evangelho frouxo que hoje surge por toda parte, que fala em “liberdade” quando eles mesmos são escravos, como diz a Bíblia em 2 Pedro 2.19. Se esses autores fossem realmente homens e mulheres de Deus vivendo e andando no seu temor, jamais fariam tantos desvios nas músicas que produzem.
f) 
O efeito dessas músicas: São espiritualmente negativas. Seu efeito é nulo. São músicas que, cantadas, tocadas e recitadas, não elevam a alma a Deus, não predispõem o espírito a adorar a Deus, não inspiram, não preparam espiritualmente o ambiente à manifestação divina, não levam o povo salvo a glorificar a Deus “em espírito e em verdade”. 


Corrupções da doutrina bíblica
(5ª parte)
Modismos teológicos de nossos dias e seus contrassensos à luz da Bíblia
Hoje, encerramos esta série sobre as corrupções da doutrina bíblica. Hoje, falaremos de nova unção, salvação legalista, riso no Espírito e outros mais.

“Nova unção”

Deus restaura, sim, a nossa unção recebida Dele, mas isso não significa “uma nova unção”, como estão propalando, inclusive figuras internacionais do movimento pentecostal.

A Bíblia fala da unção coletiva do Espírito Santo sobre os membros do Corpo de Cristo, composto por aqueles que são regenerados pelo Espírito (2Co 1.21 e 1Jo 2.20,27). É chamada a “unção do Santo” (1Jo 2.20). Ela nos separa do mal, nos santifica para Deus e para o seu uso. Nada de mistura com o mal, com as trevas com o pecado.

Essa unção, de que fala a Palavra de Deus, fica em nós: “Fica em vós”, 1Co 2.27. É unção que permanece e que ensina: “A sua unção vos ensina”, 1Jo 2.27. “Que vos ensina todas as coisas”, pois o Espírito sabe todas as coisas (1Jo 2.20).

As Escrituras ainda nos dizem que é unção que não mente: “E não é mentira” (1Jo 2.27). Ela não contém engano, logro, fraude, falsidade, truque, desonestidade.

O termo unção, na Bíblia, remete para óleo, azeite, símbolos do Espírito Santo.

Salvação legalista

Salvação legalista é inexistente. É a salvação mediante legalismo humano, um insulto a Deus (Is 64.6). É a pretensa salvação mediante obras humanas.
Essa "salvação" consiste na mera prática dos deveres de uma religião. Segundo essa falsa doutrina, a simples prática de boas obras e de bons hábitos são o suficiente para a salvação e para a conservação da salvação. Porém, o salvo deve praticar boas obras, porque já é salvo e santo, e não para ser salvo e santo (Ef 2.9; Rm 3.28; Gl 2.16; Fp 3.9 e Ap 14.13).

Sim, a nossa fé em Deus é demonstrada perante o mundo pelas nossas boas obras como salvos, nosso bom testemunho e boa conduta como povo santo do Senhor (Tg 2.17,24). Efésios 2.10 diz que as boas obras existem “para que andássemos nelas”.

Um cristianismo evangélico “fácil”, de superfície, de fachada, epidérmico, de brincadeira, sem renúncia ao mundanismo e ao pecado; sem preço, sem peso espiritual, sem santidade bíblica, sem um santo testemunho perante a igreja e o mundo é falso.

A igreja deve ter preceitos, sim. Em I Coríntios 11.2 e 2 Tessalonicenses 2.15 encontramos a palavra grega paradosis, que significa preceitos, e que devem ser observados.

Ordenação de mulheres ao ministério

Não há qualquer fundamento doutrinário para a ordenação de mulheres ao ministérios nas Sagradas Escrituras.

Os alegados casos de Febe (Rm 16.1), Júnia (Rm 16.7) e “as mulheres” (1Tm 3.11) não procedem, quando examinados a fundo e com isenção de ânimo.

Casos como o de Mirã, a profetiza; Débora, a juiza; Hulda, a profetiza; Ana, a profetiza; as filhas de Filipe “que profetizavam”; Priscila, mulher de Áquila; Febe, que servia em Cencréia; Cloe, de Corinto; e outras mais mulheres que se destacaram no serviço do Senhor, não vêm ao caso.

Palmas nos cânticos

As palmas nos cânticos são artificiais, pois são simplesmente rítmicas, sem motivação espiritual interior, e a nossa adoração deve ser "em espírito e em verdade" (Jo 4.24).

O sentido do texto de Salmos 47.1 não é o da explicação popular dos batedores de palmas. Para melhor entendermos essa passagem, vejamos os casos principais mencionados na Bíblia:

(1) Palmas expressando ira (Nm. 24.10; Jó 27.23 e 34.37).
(2) Palmas cívicas na coroação do rei; no caso, Salomão (2Rs 11.12).
(3) Palmas como prosopopéia (figura de linguagem), indicando alegria, regozijo (Sl. 98.8 e Is 55.12).
(4) Palmas relacionadas a julgamento, castigo (Ex 21.14.17; 25.6; Na 3.19 e Lm. 2.15).

“Riso no Espírito”

Também é conhecido como "fenômeno de Toronto". São prostrações, caídas ao chão, estremecimentos, gargalhadas histéricas e descontroladas, rolar no chão, urrar e coisas assim.

Benny Hinn está associado a esses estranhos fenômenos, bem como outros escritores, pregadores, articulistas e conferencistas.

Nas reuniões de “riso no Espírito”, há pouco ou nada de leitura bíblica, de pregação e ensino da Palavra de Deus. Durante essas reuniões, eles proferem repetidamente frases como:

– Não tente usar sua mente para entender isto
– Não ore agora
– Beba! Receba! Receba um pouco mais!

Ora, tudo isso é contrário aos ensinos da Palavra de Deus, pois a fé abrange a mente. Hebreus 11.3 afirma: “Pela fé entendemos”. Além disso, a nossa fé não pode depender de fenômenos deste tipo.

Unção de enfermos com óleo

Está atualmente em voga, mas sem base bíblica, a prática em certas igrejas de qualquer pessoa ungir enfermos. Há também a prática errada de ungirem objetos, roupas, lenços etc. A menção de acessórios do vestuário de Paulo, em Atos 19.12, não dá margem a isso. Ali, trata-se do registro de um fato acontecido em determinado tempo e local, e não a declaração de uma doutrina a ser seguida.

Na Bíblia, a unção de enfermos com óleo, não era efetuada por qualquer um:

(1) Sacerdotes ungiam (Ex 28.41)
(2) Profetas ungiam (1Rs 19.16)
(3) Apóstolos ungiam (Mc 6.7,13)
(4) Presbíteros ungiam (Tg 5.4)


O verdadeiro sentido do Natal é Jesus

Envolvidos nas festas natalinas de final de ano, muitos se esquecem do verdadeiro sentido do Natal e o que ele representa para nossas vidas

Estamos vivendo a proximidade do final de mais um ano e, com ela, a chegada das festas natalinas. Como sempre, o comércio está agitado: a maioria das pessoas, envolvidas pelas campanhas publicitárias sobre as ofertas de Natal, saem avidamente às compras, cumprindo cegamente o ritual consumista de final de ano e esquecidas do verdadeiro sentido do Natal e o que ele representa para nossas vidas.

Natal não tem nada a ver com Papai Noel, guirlandas, bengalinhas de açúcar etc. Também não tem nada a ver com troca de presentes, ainda que seja um gesto agradável. E muito menos ainda tem a ver com banquetes festivos regados a muita bebida alcoólica. Não! O Natal é Cristo.

É verdade que a data do nascimento de Cristo não é 25 de dezembro, já que Jesus deve ter nascido numa noite de primavera ou, mais provavelmente, numa noite de verão, já que o texto bíblico nos informa que, na noite de Seu nascimento, os pastores estavam com as ovelhas no campo (Lucas 2.8), o que não seria possível em dezembro, que é período de inverno no Oriente Médio. A data de 25 de dezembro para celebrar o Natal foi estabelecida pela Igreja Católica no quarto século d.C., com o objetivo de substituir as festas de final de ano pagãs do romanismo, que ocorriam em dezembro, por uma celebração cristã, voltada para Cristo.

Logo, surge a pergunta: “É correto, então, celebrarmos o Natal?”. Mesmo não sendo 25 de dezembro a data exata do nascimento de Cristo, comemorar o nascimento de Jesus de forma especial em uma data é válido. Alguns cristãos preferem não comemorar a data, não por considerarem o nascimento de Cristo algo importante, mas por frisarem o fato de que, à luz da Bíblia, todos os dias devem ser dias de celebrar Jesus. Já outros cristãos reconhecem o mesmo, mas, além de agradecerem a Deus todos os dias por ter enviado Seu Filho Jesus, também celebram o nascimento de Cristo de forma especial em uma data específica. Como disse o apóstolo Paulo, “um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias; cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente” (Romanos 14.15).

O Natal é uma oportunidade de celebrarmos de forma especial este importante acontecimento, que foi a encarnação de Jesus, Deus que se fez carne por nós. É um culto de gratidão a Deus pela Vinda de Cristo. É também uma oportunidade de evangelização, isto é, de convidar as pessoas não-crentes a participarem de reuniões especiais onde ouvirão a mensagem da Palavra de Deus sobre as implicações e a importância do nascimento de Cristo. Inclusive, algumas igrejas, como já é de costume, preparam até cantatas natalinas e dramatizações para evangelizar de forma específica nesse período em que as pessoas estão mais sensíveis para a mensagem do Natal.

Fato é que se o Natal for celebrado, ele deve ser celebrado corretamente. Natal não tem nada a ver com Papai Noel, duendes, renas que voam, carruagens cheias de presentes, meias coloridas penduradas ou coisas parecidas. Papai Noel é uma invenção comercial, é a exploração da lenda de um monge medieval chamado Nicolau, que levantava ofertas durante o ano para comprar presentes para dar na noite de Natal às crianças de um orfanato. Em cima dessa lenda, a empresa de bebidas Coca-Cola criou, no início do século 20, o personagem Papai Noel e todos os outros personagens a ele associados, e que não têm absolutamente nada a ver com o Natal, mas que, infelizmente, acabam tomando o lugar de Jesus no coração, sobretudo, das crianças.

Natal é a celebração do maior presente de todos os tempos: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória” (João 1.14). Jesus é Deus encarnado, Deus feito homem, que encarnou para, além de nos dar o exemplo de como devemos viver, morrer na cruz em nosso lugar, para remissão de nossos pecados. Essa foi a principal razão de Sua Vinda.

A Bíblia diz que Deus nos ama muito, mas nossos pecados nos afastam de Deus: “Vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59.2).

Exatamente porque “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23), não somos merecedores da comunhão com Deus e da vida eterna. Porém, a Bíblia também afirma que porque Deus nos ama tanto que providenciou a nossa Salvação. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23a), mas Deus deu o Seu único Filho, Jesus Cristo, para morrer em nosso lugar. Jesus levou sobre si mesmo o castigo pelos nossos pecados, a fim de que tivéssemos direito à comunhão com Deus e à vida eterna com Ele. A Bíblia declara que Jesus foi “ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas feridas fomos sarados” (Is 53.5). E o próprio Jesus declara que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Portanto, se você aceitar Jesus Cristo como o seu único e suficiente Salvador, aceitando o sacrifício dEle na cruz do Calvário em seu favor e entregando sua vida totalmente a Ele, a Bíblia afirma que os seus pecados serão imediatamente perdoados e você terá a certeza da presença de Deus em todos os momentos de sua vida aqui na Terra, conduzindo-o e ajudando-o em tudo, além da garantia de viver para sempre com Deus na eternidade. A Bíblia declara: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). “O dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23b).

Se você que nos lê ainda não aceitou Jesus, então o que está esperando? Aceite Jesus como seu Senhor e Salvador agora mesmo! Ele morreu na cruz do Calvário por causa dos seus pecados e ainda ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte para garantir a vida eterna a você e dar um real significado à vida. Esta é a sua oportunidade! Não a desperdice! Cristo é a única esperança. NEle está o sentido da vida.


A praga do antinomianismo
Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo
Uma das maiores pragas a grassar o meio evangélico em nossos dias é o antinomianismo. O que vem a ser isso?

Antinomianismo é a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. É o extremo oposto do legalismo. É o que o apóstolo Judas denominou, na Epístola que leva o seu nome, de “transformar em libertinagem a graça de Deus” (Jd v4). O antinomianismo foi combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15; 15.10,14) e pelos apóstolos – além de Judas, já mencionado, Paulo (Rm 3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2Pe 2), Tiago (Tg 2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola, combateram essa heresia. Aliás, João assevera explicitamente que escreveu sua primeira missiva para combater a influência de duas heresias gnósticas de seu tempo, a saber: a negação da divindade de Cristo e a prática do antinomianismo (1Jo 5.13).

Refletindo sobre o evangelicalismo de nossos dias no Ocidente, percebemos, infelizmente, que a influência da mentalidade pós-moderna sobre boa parte dos cristãos de hoje tem levado muitos a confundirem obediência aos mandamentos divinos com legalismo e graça com ausência de normas de conduta. Trata-se de uma torção absurda de significados.

Legalismo é, de forma geral e à luz da Bíblia, a idéia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para Salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus. Porém, para alguns cristãos pós-modernos, legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é qualquer tipo de exortação concernente à conduta moral. Por isso, para eles, “é proibido proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto de passagens que condenam contundentemente uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; Sl 101.3; 1Jo 2.15-17; 2Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1Pe 2.11). E se cristãos pós-modernos costumam generalizar dizendo que “tudo depende da consciência da pessoa”, a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de consciência (Gl 5.19-25).

Olhando para o nosso país hoje, justamente por essa distorção, o vertiginoso crescimento evangélico brasileiro não é de todo alentador, já que em muitos lugares o que se vê é um cristianismo meramente nominal, influenciado pela cultura pós-moderna. São pessoas que se declaram de Deus, seguidoras de Jesus, mas cujo comportamento se choca frontalmente com os mandamentos divinos e não acham isso absolutamente nada demais. Dizem que são de Deus, mas não estão interessadas em nenhum compromisso com Seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá apenas em termos utilitaristas ou na forma de uma “muleta” psicológica. No primeiro caso, objetivam de Deus somente bênçãos materiais e físicas (a bênção de Deus acima do Deus da bênção), fazendo de Deus o meio para um fim e não um fim em si mesmo; no segundo, tratam-nO apenas como um ser preocupado em estimular seus egos, que está disposto a diariamente ser usado por meio de palavras e gestos diários para inflar a auto-estima delas sem se “intrometer” na forma como desejam conduzir as suas vidas. Enfim, acham que Evangelho é sinônimo de auto-ajuda, nada mais.

Não nos iludamos: para ser verdadeiramente cristão, seguidor de Cristo, filho de Deus, alguém de Deus, não basta a pessoa ter apenas uma confissão de fé em Jesus. Aliás, mesmo que a pessoa tenha uma confissão de fé integralmente ortodoxa, não basta isso para ser considerada uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo João em sua Primeira Epístola, as evidências da verdadeira fé cristã, além de crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo, isto é, o Messias – 5.1,5-12,20 –, pois aquele que não aceita Jesus como Filho de Deus não tem a vida – 5.12), são:

1) Viver segundo os mandamentos divinos (2.3-6).

2) Amar seu irmão e praticar esse amor (2.9; 3.10; 5.1).

3) Não viver na prática do pecado, mas buscar sempre e constantemente viver uma vida de santidade (3.2,3; 5.18).

4) Não amar o mundo e seu estilo de vida (2.15-17).

Segundo o crivo bíblico, quem não vive dessa forma não pode ser chamado de alguém “de Deus”.

A graça de Deus não nos libera da obrigação de obedecer às leis morais de Deus. A graça não é uma licença para a desobediência, mas a porta que Deus nos abre para a possibilidade de vivermos uma vida santa diante dEle.

A Nova Aliança inclui mandamentos, determinações, ou seja, a lei moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me amardes, obedecereis os meus mandamentos” (Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14.21).

Em seu Sermão da Montanha, Jesus adverte-nos contra a ideia de que Ele estaria defendendo o antinomianismo. Cristo faz questão de esclarecer que nem negligenciava nem destruía a Lei, e nem tinha o intento de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la toda: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um desses mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mt 5.17-19).

O que, então, foi abolido da Lei por meio de Cristo? Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abolidas as leis cerimoniais, que apontavam para o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares. A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei, permanece no Novo Testamento. E a questão da “maldição da Lei”, de que fala Paulo? Ela diz respeito às sanções punitivas a que estamos sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei. Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo removeu a maldição da Lei para longe de nós, e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não é chancela para a anarquia. Os mandamentos de Deus devem ser vividos, mas agora, como filhos de Deus, não mais como um peso.

Enfim, não somos salvos por obedecer aos mandamentos divinos, mas somos salvos para vivermos segundo os mandamentos divinos. Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo. Portanto, fora com o antinomianismo.
 

fonte cpad news


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