terça-feira, 29 de março de 2016

Lições antigas CPAD livro de Romanos 1998 n.3


Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos 
2º Trimestre de 1998 
Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus


Comentarista: Esequias Soares da Silva 
Lição 3: O fracasso espiritual dos judeus
Data: 19 de Abril de 1998

TEXTO ÁUREO

Pois que? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado (Rm 3.9).

VERDADE PRÁTICA

Não obstante serem o povo eleito de Deus, os judeus rejeitaram a graça que fora anunciada na lei e nos profetas.

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Rm 3.1-4
A incredulidade dos judeus não anula a fidelidade de Deus

Terça — Rm 11.28
Os judeus tornaram-se inimigos do evangelho por causa dos gentios 

Quarta — 1Ts 2.14-16
Os judeus não agradam a Deus e são contrários a todos os homens 

Quinta — Jr 30.11
A eleição de Israel não isenta os judeus do castigo divino 

Sexta — Gn 12.1-4
O antissemitismo é condenado pela Palavra de Deus 

Sábado — Hb 6.13-18
A eleição de Israel é uma determinação divina e por isso é imutável

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 2.1-16.

1 — Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.
2 — E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.
3 — E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?
4 — Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?
5 — Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus,
6 — o qual recompensará cada um segundo as suas obras,
7 — a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção;
8 — mas indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;
9 — tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal, primeiramente do judeu e também do grego;
10 — glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego;
11 — porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
12 — Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados.
13 — Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
14 — Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei,
15 — os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os,
16 — no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

PONTO DE CONTATO

Estamos na terceira lição da Epístola de Paulo aos Romanos. Você já tem percebido algumas mudanças na vida de seus alunos em função das lições anteriores? Não?
Então ore, jejue e continue se preparando para que o seu trabalho seja, realmente, eficaz.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·        Identificar que o juízo de Deus é segundo a verdade independente de outras condições como, posição social, riqueza, nacionalidade, religiosidade, etc.
·        Compreender que, diante de Deus, seja gentio ou judeu, todos são pecadores.
·        Conscientizar-se de que o juízo de Deus sobre gentios e judeus é com imparcialidade e equidade.
·        Decidir submeter-se cada vez mais a Deus, para que a sua consciência seja sempre dirigida por Ele.

SÍNTESE TEXTUAL

Os judeus se achavam superiores e com direito de julgar a todos por serem descendentes de Abraão e detentores da lei. Mas, neste capítulo o apóstolo discorre sobre a incoerência deles, mostrando-lhes que são inescusáveis por conhecerem a lei e não praticá-la. Vemos a imparcialidade do julgamento divino, quando coloca a todos sob a condenação do pecado, tanto judeus como gentios, para que aceitem a justiça de Deus pela fé em Cristo Jesus.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

Comece a lição de maneira gostosa e descontraída. Um ambiente alegre pode aumentar muito o índice de aprendizagem. Nesta lição você pode usar uma parábola para introduzir o assunto. Podemos pedir que um dos alunos leia Lc 7.40-43.
Depois da leitura pergunte-lhes: A quem Deus cobrará mais? A resposta deverá ser: a quem Ele der mais. Neste ponto deveremos aproveitar para fazer correlação com a nossa aula, explicando-lhes que os judeus eram detentores da lei. Então, Deus os havia dado muito, mas também cobraria muito deles, e não os constituía juízes dos povos. Porém, deveriam exercer misericórdia para com os que desconheciam ou conheciam pouco a vontade de Deus. Não esqueça de fazer aplicação para a igreja de hoje, mostrando-lhes que, semelhantemente ao recebermos a missão de levar o evangelho ao mundo, somos responsáveis diante de Deus pela salvação dos homens.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Na lição passada, estudamos a depravação generalizada dos gentios denunciada pelo apóstolo Paulo. Mas qual a situação dos judeus? Embora reprovassem o pecado dos gentios, continuaram indesculpáveis diante de Deus.

I. CONSIDERAÇÕES GERAIS

1. Os judeus. A conjunção “portanto”, no v.1, mostra a ligação com o texto anterior. O judeu é identificado, aqui, como aquele que condena pronta e energicamente os pecados dos gentios. Todavia, o apóstolo mostra que eles também são inescusáveis: embora acusem os gentios, praticam os mesmos pecados e iniquidades.
2. Judeus e gentios. A primeira parte do capítulo 2 (vv.1-16), diz respeito aos judeus como inescusáveis diante de Deus, transgressores da lei divina, tanto quanto aos gentios (ver os vv.9,10,11), já a segunda parte do mesmo capítulo (vv.17-29) diz respeito diretamente aos judeus como inescusáveis. Paulo evidencia a partir deste capítulo o modo de Deus lidar com a raça humana no seu todo. Ou seja: diante de Deus, seja gentio ou judeu, todo mundo é escravo do pecado.
3. Caráter universal da mensagem divina. Havia entre os pagãos muitos moralistas. Isso significa que tantos os devassos como os moralistas estão sob o pecado. Trazendo essa situação para a atualidade, vemos que tantos os iníquos, identificados em Romanos 1.18-32, como os pecadores “respeitáveis” — religiosos e moralistas, identificados em Romanos 2, precisam nascer de novo, necessitam de um encontro pessoal e transformador com Jesus (Jo 3.3).

II. O JUÍZO DE DEUS

1. Juízo segundo a verdade (vv.2,3). Deus é Deus de justiça e de verdade. É estultícia imaginar que é possível escapar do juízo divino por condenar os pecados dos outros. Infelizmente, há quem aponte os erros alheios como se isso viesse a resolver seus problemas (Mt 7.1-5). Paulo apresenta, aqui, dois grupos: os gregos e os judeus. Ambos mostram que Deus reprova as pessoas manifestamente iníquas. O primeiro por se considerar “melhor” ao pertencer a uma determinada raça, civilização, cultura ou educação considerada superior (2.1-16). O segundo por se escudar em sua religião (2.17-29). Saiba-se, porém, que o juízo de Deus independe de tudo isso, ele é “segundo a verdade” (v.2).
2. Juízo segundo a culpa acumulada (v.5). Os judeus achavam que, por conhecerem a misericórdia de Deus, não seriam julgados como os gentios. Não se deram conta de que a bondade de Deus era para levá-los ao arrependimento (v.4). Eles falharam em não aproveitar a benignidade divina e, com isso, acumularam, como tesouro, a ira de Deus. “Dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” apresenta seus indícios na atualidade, conforme estudamos na lição passada (Sl 7.11), mas a manifestação plena do juízo está reservada para o dia da ira (Tg 5.3).
3. Conforme as obras (vv.6,7). E verdade que as obras não salvam, mas elas dão a evidência pública que servem como instrumento para Deus julgar (Pv 24.12). O juízo, segundo a obra de cada um, é um princípio divino baseado na justiça, e não podia ser diferente. É outra maneira da expressão da lei da sementeira (Gl 6.7).
Não confundir, portanto, a doutrina paulina da salvação pela fé. O apóstolo não está ensinando a salvação pelas obras, mas salientando a imparcialidade do julgamento divino sobre gentios e judeus. Caso contrário, o apóstolo estaria numa contradição insuperável (Rm 1.17; Gl 3.11; Ef 2.8,9; Tt 3.5). Devemos entender “vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção” (v.7) como resultado da vida cristã — fruto do Espírito (Gl 5.22).

III. O JUDEU

1. O que é um judeu? Responde o rabino Morris Kertzer: “É muito difícil encontrar uma simples definição do que é um judeu. Judeu é todo aquele que aceita a fé judaica. Esta é a definição religiosa. Judeu é aquele que, não tendo afiliação religiosa formal, considera os ensinamentos do Judaísmo — sua ética, seus costumes, sua literatura — como propriedade sua. Esta é a definição cultural. Judeu é aquele que se considera judeu ou que assim é considerado pela sua comunidade. Esta é a definição prática”.
No Novo Testamento, o termo “judeus” indica todo o povo de Israel que tem Abraão como pai (Jo 8.56,57).
2. Judaísmo. E uma religião que veio de Deus, através de Moisés no monte Sinai. Em nenhum momento Jesus e Paulo desrespeitaram essa religião. O conceito que os rabinos tinham do Judaísmo era calcado no Talmude, que era em si um fardo insuportável (Gl 1.13,14).
Paulo conhecia profundamente o Judaísmo. Jesus disse que não se pode costurar remendo novo em vestido velho, nem colocar vinho novo em odres velhos (Mt 9.16,17; Mc 2.21,22). Na visão do apóstolo, o judeu precisava despir-se do velho homem, e aceitar a justiça de Deus pela fé em Cristo. Os judeus rejeitaram essa provisão divina para a salvação, por isso Paulo critica a hipocrisia dos judeus.
3. O orgulho do judeu (vv.8-10). A responsabilidade dos judeus é maior do que a dos gentios por causa de seus pendores religiosos e das bênçãos espirituais que Deus lhes conferiu (Rm 9.4,5). Como as bênçãos divinas foram dirigidas primeiramente aos judeus, o julgamento há de vir na mesma proporção (vv.9,10).

IV. OS GENTIOS

1. O Juiz. Antes de tudo, convém salientar que o justo Juiz de toda a terra saberá fazer justiça (Gn 18.25). “Porque, para com Deus não há acepção de pessoas” (Rm 2.11; Dt 10.17; At 10.34). Seu juízo é segundo a verdade, e independe de condições externas como posição social, riqueza, nacionalidade, etc. Por isso, os judeus não devem esperar nenhum tratamento especial no dia do juízo. O apóstolo não está enfatizando a culpa do judeu, mas defendendo a equidade do juízo divino.
2. A obra de cada um (vv.12-14). Jesus disse: “Haverá menos rigor para os de Sodoma, no Dia do Juízo, do que para ti” (Mt 11.24). Isso mostra que há graus de castigo no juízo divino. Assim como há escalonamento no galardão dos salvos (Ap 22.12), da mesma forma haverá também graus de punição para os condenados.
Os judeus incrédulos serão condenados pela própria lei, pois foram agraciados por Deus pela lei escrita — a luz maior. Os gentios, por outro lado, terão um julgamento proporcional à luz natural — luz menor. Como não tiveram acesso à lei, serão julgados pela luz de sua consciência.
3. A consciência (vv.15,16). É a faculdade inata no ser humano capaz de discernir entre o bem e o mal. É a lei de Deus nos corações. Se nos incrédulos é o testemunho capaz de convencer o homem natural entre o certo e o errado, quanto mais nos crentes! Temos a consciência iluminada pelo Espírito Santo e gravada pela graça! (Jr 31.33). Todo o conteúdo a partir do v.6, é resumido no v.16. Jesus Cristo é o Juiz de todos os homens (At 17.31; 2Co 5.10) e conhece o mais profundo do coração dos homens.

CONCLUSÃO

Os judeus servem de aviso para todos nós. Muitas vezes nos orgulhamos por motivos infundados (por exemplo: orgulharmo-nos do pentecostalismo), quando deveríamos cuidar sempre da obra da evangelização e de buscarmos o poder do Espírito Santo, e, assim, não corremos o risco de perder as bênçãos de Deus.

VOCABULÁRIO

Estultícia: Qualidade ou procedimento de estulto; tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto; estúpido.

QUESTIONÁRIO

1. Qual é o modo de Deus lidar com a raça humana no seu todo?
R. Diante de Deus, seja gentio ou judeu, todo mundo é escravo do pecado.

2. O que declara o capítulo 2 de Romanos em relação aos judeus?
R. Todos os judeus são inescusáveis diante de Deus.

3. O que significa “juízo segundo a verdade”?
R. A justiça de Deus independe de critérios humanos. Ela é segundo a Sua justiça.

4. Por que Paulo critica a hipocrisia dos judeus?
R. Os judeus rejeitaram a provisão divina para a salvação.

5. Como os gentios serão julgados?
R. Como não tiveram acesso à lei, serão julgados pela luz de sua consciência.

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

Subsídio Teológico

O v.11 diz: “porque, para com Deus, não há acepção de pessoas”. O julgamento divino para com os homens é de acordo com a sua resposta à revelação divina. A verdade de Deus se manifesta em diferentes maneiras. No entanto, esta diferença não causa nenhuma mudança na justiça de Deus. O que interessa é que Deus manifesta a sua verdade aos homens e Ele espera deles uma resposta positiva: aceitar a verdade, obedecer a Deus. glorificá-Lo é dar-Lhe graças.
O v.13 emprega dois verbos chaves para a compreensão do ensino de Paulo quanto à relação judeu — lei: ouvir e praticar. A justiça de Deus não era para os que apenas escutaram a lei, mas para os que se arrependeram (“praticam”). Praticar significa dar resposta com fé à oferta divina de justificação. E impossível para todos os homens, tanto judeus quanto os gentios, cumprirem integralmente a lei, mas crer em Deus que c capaz de conceder a justificação é possível. Por isso. Deus não faz acepção de pessoas. Ele justifica os que são “praticantes”, seja dentro (judeus) ou fora (gentios) da lei. Praticantes da lei, aqui, não é praticar os ritos e sinais externos, mas viver a verdade revelada na lei — “mostram a obra da lei no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos...” (v.15).


Subsídio Doutrinário

“‘Portanto és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas’.
Quando o apóstolo Paulo fez esta declaração, estava na verdade, acusando os judeus que se consideravam inculpáveis. Paulo coloca o judeu e o gentio na mesma condição espiritual diante de Deus: Culpados! O escritor condena os moralistas que julgavam os erros dos gentios, pois julgavam erros que eram cometidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que pelo fato de Deus ter mostrado graça e favor especial à sua raça, os livraria da condenação. Imaginavam que, pelo simples fato de serem israelitas de sangue, estariam salvos. Entretanto, era um conceito comodista e falso. Lucas escreveu a mensagem de João Batista que colocava cada judeu na mesma condição dos demais seres humanos. Se não se arrependessem, de nada valeria serem filhos de Abraão, pois dizia: ‘Porque eu os afirmo que mesmo destas pedras Deus pode Suscitar filhos a Abraão’ — (Lc 3.3-9) (Compare João 8.31-47: Romanos 9.1-13).
Entendemos então que, diante de Deus, tanto judeus como gentios são pecadores e estão debaixo da ira divina. São dois tipos de pecadores, que se protegem atrás de sua ‘própria moralidade’ para se justificarem diante de Deus. O judeu justificava-se na sua ‘religião’ e o gentio na sua moralidade. Porém, a Bíblia responde a ambos e diz: ‘O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará’ (Pv 28.13). ‘És indesculpável quando julgas, ó homem’ (2.1). Esta expressão anula a pretensão do pecador de querer julgar. Na verdade, ele não está em condições de julgar, porque Deus é quem julga. Ele é o Supremo Juiz! Quando Ele sentencia, não há apelação, pois seu julgamento é justo e nele não há possibilidade de erro” (Carta aos Romanos, CPAD).


Subsídio Devocional

Jesus disse em Mt 5.20: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. O que Jesus pretendia dizer com essas palavras é respondido em Mt 5.21-48. A verdade é que o pecado está no coração dos homens e que as suas intenções são más. A natureza humana é má, ainda que o homem não cometa o ato de pecado. Esta verdade pode ser exemplificada na vida dos próprios judeus. Eles não matavam, mas muitas vezes estavam cheios de ódio; não cometiam adultério, mas permitiam que um homem olhasse para uma mulher com desejos lascivos; exigiam justiça (“olho por olho”), mas não se dispunham a perdoar uns aos outros; amavam aos que os amavam, mas odiavam os inimigos. Que nenhum crente tenha o mesmo pensamento que os judeus, principalmente, os escribas e fariseus — achavam que a sua religiosidade exterior os tomariam salvos diante de Deus. Mas tinham coração cheio de ira, de lascívia, de mentira, de vingança, e de preconceito.


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