quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Lições BETEL vida prodiga 4 tirm- 22/11/2015 N.8





                          Escola Dominical - Lição 8

                           Lições de uma vida pródiga

            LIÇÃO 8 – 22 de novembro de 2015 –  BETEL


                                   


TEXTO AUREO

“Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti.” Is 60.1

Comentarista: Pastor José Fernandes Correia Noleto

VERDADE APLICADA

Não é difícil perceber a fraqueza daqueles que nos rodeiam; difícil é não ter a capacidade de enxergar a fraqueza que existe em nós mesmos.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

• Explicar as atitudes do irmão mais velho, sua incompreensão da graça e sua recusa a seu irmão;
• Mostrar a posição inflexível e impiedosa tomada pelo irmão mais velho no momento em que se deparou com a música e as danças;
• Esclarecer que enquanto um irmão reconhecia seus erros e voltava para pedir perdão, o outro buscava prestígio pelos serviços prestados.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Lc 15.26 - E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
Lc 15.27 - E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Lc 15.28 - Mas ele se indignou, e não queria entrar.
Lc 15.29 - E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Lc 15.30 - Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

Introdução
A figura do irmão mais velho e bastante incomodado com a festa é uma representação dos fariseus. Eles acreditavam que eram perfeitos e preferiam antes a destruição de um pecador do que a sua salvação.

1 Conhecendo o pano de fundo
A parábola do filho pródigo nos fala mais do amor de um pai que do pecado de um filho. Ela tem por base o perdão de Deus, que é estendido a todo aquele que se arrepende de coração. Nesta lição, nos deteremos apenas nas ações do irmão mais velho, que ficou indignado ao saber que seu pai havia matado o bezerro cevado e preparado uma festa para seu irmão pródigo (Lc 15.13).

1.1. Apenas um jornaleiro
Segundo o doutor e teólogo Kenneth E. Bailey, na Palestina, pedir herança ao pai vivo era afrontá-lo. Significava o mesmo que desejar sua morte. Outra grave afronta é que, pedindo parte da herança, o pai deveria vender uma parte da fazenda, porque, segundo os costumes da época, os funcionários ali residiam. Fica evidente que o pródigo recebera tudo o que lhe cabia, não tendo mais direito a nada em termos de herança. É por esse motivo que, ao “cair em si”, ele pensa em voltar como um dos jornaleiros de seu pai. O escravo comum era em certo sentido um membro da família, mas o jornaleiro podia ser despedido no dia. Não era absolutamente alguém da família (Lc 15.19).
Comente com os alunos que o pai do filho pródigo não lhe deu oportunidade de formular seu pedido, antes disso, ele o interrompeu. Ressalte pare eles que a túnica simboliza a honra; o anel a autoridade, porque se um homem dava a outro o anel com seu selo era como se o designasse seu procurador; os sapatos diferenciam o filho do escravo, uma vez que os filhos da família andavam calçados e os escravos não. Sendo assim, realizou-se uma festa para que todos se alegrassem com a chegada do filho que se havia perdido.

1.2. Uma atitude surpreendente
Em momento algum são citados os danos, os prejuízos ou o desequilíbrio moral do filho mais novo (Lc. 15.20-24). O pai não lança em seu rosto os seus desvarios e, mesmo tendo ele falhado e causado tantos danos à família, o pai o aguardava, acreditava em sua restauração, o que demonstra um amor ilimitado por um filho que, na interpretação de muitos, de nada era merecedor. Assim como o pai agiu com esse filho, Deus também age conosco. E a misericórdia, a graça, o dom imerecido de Deus que recai sobre todos os seres viventes. Assim como Deus age, temos também que agir. Não precisamos buscar respostas, precisamos apenas obedecer. Essa é a vontade de Deus (Ef 2.8, 9).
Esclareça para os alunos que Deus na figura do pai tem paciência com Seus filhos pecadores. Informe para eles que o pai descrito na parábola é muito paciente com o absurdo que o filho mais novo fez. Ele não estava preocupado com os bens materiais que se perderam, mas com o crescimento do filho. Esse pai i soube esperar o filho crescer e se arrepender de seus pecados. Ressalte para os alunos que a paciência de Deus visa dar tempo para cairmos em si e nos arrependermos dos nossos erros. Deus sempre nos recebe de braços abertos quando sermos humildes e nos arrependemos. Quando o pai vê a volta de seu filho arrependido, manda preparar uma festa (Lc 15.32).

1.3. Ouvindo a música e as danças
Ao chegar do campo e ver a música e as danças, o irmão mais velho ficou indignado. Sentiu-se injustiçado e não acreditou que o pai fosse capaz de receber a seu pródigo irmão com uma festa (Lc 15.25-28). Ele não conhecia o poder do perdão. Em vez de alegrar-se, ficou enciumado, desprezando não somente a festa, mas a alegria de seu pai. Sua mágoa era por causa do bezerro cevado. Era porque nunca teve uma festa. Porém, ele nunca saiu do aprisco, nunca viveu os pesadelos e as desventuras de seu irmão. Nunca perdeu tudo e mendigou, nunca foi escarnecido por seus erros, nunca se expos ao ridículo, nem esteve do outro lado. É por isso que ele nunca teve uma festa de reconciliação.
Esclareça para os alunos que o pai saiu de casa duas vezes. Primeiro, ele saiu para receber um filho perdido e fazê-lo entrar em casa. Na segunda vez, ele saiu para atender um filho problemático que não queria entrar. Ressalte para eles que esse filho deveria estar ausente da casa há muito tempo porque uma festa não acontece da noite para o dia. Geralmente, os maiores causadores de problemas sempre estão fora da agenda da casa. Reforce para eles que, infelizmente, pessoas como esse filho preferem conviver com a indignação do que entrar na casa (Lc 15.28,29).

2 A má interpretação da graça divina
Quando soube da festa que seu pai havia promovido, o irmão mais velho ficou tão indignado que assentou em seu coração não fazer parte da festa. Seu pai muito insistiu para que fizesse parte daquele momento tão especial, mas ele, por não compreender o valor daquele momento, apresentou ao pai suas críticas.

2.1. Nunca me deste um cabrito
Ele rejeitou o banquete porque carnalmente não entendia o motivo da festa. Ignorou o arrependimento do irmão e a bondade do pai. A única coisa que ele visualizou foi um cabrito (ICo 2.12-14). Era, na verdade, uma pessoa rica, coberta por uma pobreza de espírito. Enquanto o pai sacrificou o bezerro cevado, o filho brigava por um cabrito! E triste ser rico sem saber. Enquanto ele discutia por um cabrito, seu pai dizia: “Todas as minhas coisas são tuas” (Lc 15.31; Ap 3.17). O que o pai está dizendo é que o filho, mesmo vivendo com ele, jamais reconheceu o potencial que possuía. Pessoas que brigam por um cabrito jamais podem ver o que um cordeiro pode produzir.
Explique para os alunos que, talvez, no pensamento do irmão mais velho, seu irmão tivesse voltado como se nada tivesse acontecido e ainda havia ganhado de brinde uma festa. Comente com eles que ele não sabia o que estava no coração de seu irmão. A passagem indica que ele se arrependeu e que estava disposto a voltar como funcionário e não como filho (Lc 15.17. 21). Ressalte para eles que devemos evitar fazer juízos precipitados.

2.2. “Teu filho”, e não “meu irmão”
“Vindo, porém, este teu filho...” (Lc 15.12a). Devemos observar essa frase com muita atenção porque, às vezes, sem entender a obra que Deus está realizando em uma vida, agimos como esse jovem, que achou injusta a recepção e o calor humano dado ao seu perdido irmão. Há tanta gente assim, doente no meio da Igreja, que não aceita ver Deus levantando gente que um dia foi escória da sociedade (ICo 1.28; 4.10). Assim, não entram na festa, fazem biquinho e não sentem o calor do culto. Todos pulam, louvam, dançam e se divertem, mas eles estão mumificados, bocas fechadas, corações empedrados e, a cada dia, mais mortos espiritualmente (At 7.51).
Comente com os alunos que, como o filho mais velho, muitas vezes focamos no menos importante ao invés do mais importante. Informe para eles que o filho mais velho fica extremamente preocupado com sua própria justiça e zelo e com os bens materiais que seu irmão desperdiçou, achando-se superior. Estava tão cego que não conseguia enxergar a conversão de seu irmão, pelo contrário, dá a entender que preferia que seu irmão permanecesse no mundo (Lc 15.29, 30)

2.3. Ele desperdiçou tua fazenda
Tudo o que o pai desejava era ter o filho de volta. Não importava o que gastasse. Para o pai, o filho era mais importante que a própria fazenda. Esse é o exemplo claro do caráter de Deus. Ele perdoa os erros que cometemos mesmo quando lhe causamos prejuízos. A graça de Deus é indescritível e foi isso que o irmão mais velho nunca entendeu (Lc 15.30). Como pode uma pessoa desperdiçar tudo e ser restaurado? A resposta está na graça. Ela é um dom oferecido exatamente a quem nunca fez por merecer (Rm 5.8; Ef 2.12).
Comente com os alunos que valorizamos muito os dons espirituais, mas esquecemos de que todos eles desaparecerão e a única coisa que subsistirá será o amor. O maior exemplo de amor é Jesus Cristo, vemos isso através de Sua vida, Suas palavras e Suas atitudes (Ef 3.19). Esclareça para eles que, assim como Deus, aquele pai esperava que houvesse uma parte de sua essência em seu filho para que ao menos entendesse o motivo de sua alegria (Jo 3.16; Rm 8.35).

3 Diante de um pai amoroso e perdoador
Enquanto o irmão mais novo sai de uma vida de vergonha para um banquete, o mais velho fica travado na porta, expondo sua indignação diante dos funcionários de seu pai. Seu pai usa de muita sensibilidade no falar e, com muito amor, lhe convida a fazer parte da festa e a se alegrar junto a ele (Lc 15.32).

3.1. Teu filho... teu irmão
Com um tom de insatisfação pelo glamour da festa, o irmão mais velho desconsidera o momento de alegria, perdão e regozijo. Ele se mantém como filho, mas não se considera irmão daquele que retornou do fracasso (Lc 15.30). E, com muita sensibilidade, o pai lhe diz:
“Este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se” (Lc 15.32). A intenção do pai era reintegrar o filho perdido à família com todos os direitos de filho, pois, mesmo tendo ele desperdiçado tudo, jamais havia deixado de ser filho. Por razões egoístas, irmãos podem deixar de ser irmãos, mas filho jamais deixará de ser filho.
Merece ser especialmente ressaltado para os alunos que, até que esse encontro acontecesse, o tempo certamente passou. É bem provável que, nesse tempo, o irmão mais velho trabalhou, reconstruiu a fazenda, alargou os temos e prosperou. Ressalte para os alunos que é possível compreender o porquê de sua insatisfação. Ele não queria dividir o que conquistou. Ele só não contam com uma coisa: tudo era do pai e, enquanto o pai estivesse vivo, este não desampararia \ um filho arrependido. Assim é a graça de Deus (Rm 11.6).

3.2. Era justo nos alegrarmos
Em outras palavras, o pai está dizendo: “Filho, você deveria estar feliz juntamente comigo; todos os de fora estão alegres (Lc 15.9, 10, 25). Você é irmão dele! Deveria abraçá-lo, chorar com ele. Dizer que sentiu muito sua falta, dizer que o perdoa e está feliz pelo seu retorno. Filho, você tem vida, mas seu irmão estava morto. Será que você não possui sensibilidade? Filho, ele já sofreu bastante, esteve longe de nós, quase comeu bolotas de porcos! Viveu momentos de opressão, sentiu o sabor de derrota. Mas teve coragem de passar por cima do fracasso, do orgulho e voltou para se reconciliar” (Rm 8.31-39).
Comente com os alunos que a sutileza da sabedoria de Jesus ao contar a parábola do filho pródigo impressiona. O patriarca, um homem de andar lento e solene, corre em direção ao filho, abraça-o e beija-o no rosto, na frente de todos. Informe para eles que aquela cena chocante contrariava todas as tradições do patriarcado. Por amor ao filho, o pai se humilha perante a aldeia naquele gesto público. Esclareça para os alunos que, naquela região, até hoje, quando há um conflito, uma forma comum de resolução é a mediação, feita por uma pessoa de confiança dos litigantes. Se a questão for resolvida, o gesto que sela a paz é exatamente o beijo no rosto.

3.3. Todas as minhas coisas são tuas
Enquanto ele discutia por um bezerro, seu pai dizia: “Tudo o que eu tenho te pertence”. Em outras palavras: “Você tem o mesmo potencial que eu tenho. Você é meu filho”. Essa palavra também indica que o pai tinha esperança de que seu filho mais velho tivesse sua essência, seu carisma, seu amor e sua compreensão. No entanto, enquanto seu irmão reconhecia seus erros, se humilhava e voltava para pedir perdão, ele buscava um reconhecimento pelos serviços prestados a seu pai (Lc 15.29).
"... Teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo” (Lc 15.27). Explique para os alunos que essa é a razão pela qual o bezerro cevado teve que morrer. Reforce que isso o irmão mais velho nunca entendeu. Aqui estão representados dois tipos de cristãos: os que procuram acertar, reconhecendo seus erros e confessando seus pecados; e os que se justificam, cobrando os serviços prestados à Igreja.

Conclusão
A grande verdade dessa parábola é que o filho que regressou havia voltado à condição antiga de todo ser humano (Cl 2.13; Ef 2.5). O irmão mais velho não precisou sair para morrer. Ele estava morto dentro da própria casa. A parábola termina com um filho arrependido, mas não diz que o outro entrou na casa.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Lições CPAD jovens pessoas diferentes 4 trim-22/11/2015


                                          





Lições Bíblicas CPAD
Jovens



4º Trimestre de 2015

Título: Estabelecendo relacionamentos saudáveis — Vivendo e aprendendo a viver
Comentarista: Esdras Costa Bentho



Lição 8: O relacionamento com pessoas de uma fé diferente
Data: 22 de Novembro de 2015



TEXTO DO DIA

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam”(At 17.30).

SÍNTESE

A fé cristã está fundamentada na revelação de Deus em Cristo, e nisto se distingue das demais crenças e religiões, embora reconheça o direito de todos expressarem livremente suas crenças.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Jo 4.1-30
O relacionamento de Jesus com a religião samaritana



TERÇA — Lc 9.51-56
Jesus repreende a intolerância religiosa dos apóstolos



QUARTA — 1Co 1.10-17
Relacionamento conflituoso entre os domésticos da fé



QUINTA — At 5.17-42
A intolerância religiosa dos judeus à fé cristã



SEXTA — Gl 1.6-24
Pela pureza do Evangelho



SÁBADO — Mc 16.14-20
A missão imperativa da Igreja

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
•         EXPLICAR o sentido de religião na esfera secular e bíblica;
•         COMPREENDER que as religiões não são iguais no plano bíblico.
•         DESENVOLVER tolerância, respeito e civilidade com as demais religiões.

INTERAÇÃO

Nesta lição estudaremos um tema muito presente na realidade social e urbana das metrópoles: a religião nos espaços públicos e o relacionamento do cristão com pessoas de crenças diferentes. Este é o momento de reafirmar a necessidade de os alunos serem pacientes e tolerantes com aqueles que professam uma crença diferente, evitando as controvérsias desrespeitosas e agressivas que só impedem a comunicação eficiente do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Lembre-se, o texto de 1 Pedro 3.15, exorta o cristão a “defender” a fé com mansidão.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A aproximação dos jovens com pessoas de crenças ou religiões diferentes é uma realidade na sociedade brasileira. O “fenômeno religioso”, ou seja, a presença da religião nos espaços públicos, é um dado que o cristão deve refletir. Na Europa, a religião tem recuado para os espaços privados da vida doméstica e se restringido à tradição familiar. No Brasil, no entanto, a religião está presente em todos setores, seja público, seja privado. Solicite aos aprendentes que descrevam suas observações do fenômeno religioso e da religiosidade popular em sua comunidade. A seguir ministre a respeito dos relacionamentos com pessoas de tradição religiosa distinta. Boa aula!

TEXTO BÍBLICO

Atos 17.16,18,22-28.

16 — E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.
18 — E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.
22 — E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos;
23 — porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio.
24 — O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.
25 — Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas;
26 — e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação,
27 — para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós;
28 — porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

A globalização do mundo trouxe à fé cristã imperiosos desafios. Novas culturas emergiram das regiões mais remotas do planeta e se difundiram nos países de tradição judaico-cristã. Se a era Moderna foi marcada pela difusão do Cristianismo no Ocidente, a Pós-Moderna se anuncia como era plural, caracterizada pela expansão e presença de várias crenças orientais e tradições religiosas até então ignoradas pelos cidadãos das metrópoles. Na modernidade, a fé cristã era inquestionável e exclusiva, na pós-modernidade tornou-se mais uma opção no variado cardápio religioso. O Cristianismo, portanto, não é a única religião a disputar pelo interesse e adesão das pessoas, mas divide o espaço público com outras crenças e saberes religiosos opostos. Nesta lição, estudaremos o sentido de religião e a forma de o cristão se relacionar com pessoas de crenças diferentes.

I. RELIGIÃO NO CONTEXTO MODERNO

1. Sentido secular de religião? (At 17.16-22). Religião não é uma palavra de fácil definição, embora a religiosidade esteja presente nos espaços públicos e privados por meio dos templos, símbolos, músicas e costumes sociais (vv.16,22). Uns afirmam que ela é fruto da cultura, da autoconsciência do homem, do medo, e há aqueles que descrevem-na como “ópio” para suportar as angústias da vida e suspiro da criatura oprimida. O sentido positivo de religião designa assim uma atitude de reverência a Deus manifesta nos ritos, cultos, crenças e doutrinas. A religião é um fenômeno presente em todas as metrópoles brasileiras assim como fora nos dias de Paulo.
2. Sentido bíblico de religião. Todavia, esses conceitos não expressam o pensamento das Escrituras. A religião não procede da busca do homem pelo divino, mas da revelação que Deus fez de si mesmo às suas criaturas (Jo 1.16; 1Tm 6.15,16). Ela surge por iniciativa do Senhor e não pela busca do próprio homem (Gn 3.8). É Deus quem se revela ao homem, e não o homem a Deus (Gn 12.1-3; Êx 3.1-14; Rm 1.19). Foi por meio da revelação divina ao povo hebreu que o monoteísmo se difundiu e apregoou às religiões politeístas da Antiguidade a crença no Deus único e verdadeiro.
3. A religião na sociedade brasileira (Sl 33.12). O Brasil assegura o direito à liberdade religiosa a todos os cidadãos e a completa separação entre o Estado e as instituições religiosas. Deste modo, cada cidadão pode manifestar sua religião e expressar a sua crença, individual ou coletivamente, de modo público ou particular, com toda liberdade. Esse fundamento é estendido a todas as pessoas e religiões em todo território nacional.



Pense!

A Revelação é um ato amoroso pelo qual Deus se dá a conhecer e comunica sua vontade aos homens.



Ponto Importante

O artigo 18 da Declaração dos Direitos Humanos garante a liberdade religiosa a todos.



II. FÉ CRISTÃ NO CONTEXTO DAS RELIGIÕES MUNDIAIS

1. Todas as religiões são iguais? (At 17.23-29). O fato de o homem não compreender adequadamente a revelação de Deus deu origem às muitas religiões (Rm 1.20-23). Contudo, tais religiões estavam afastadas do propósito divino (At 17.29), embora aspectos do conhecimento de Deus ainda fossem percebidos nelas (At 17.23, 28; Rm 1.21,22; 2.12-16; Tt 1.12,13). Do ponto de vista histórico e social as religiões apresentam muitas semelhanças (templos, ritos, grandes narrativas) e concordam quanto ao valor da criatura humana, da preservação do planeta e solidariedade. Sob a perspectiva da verdade bíblica e salvífica, no entanto, elas são muito distintas e até mesmo contraditórias. O budismo, por exemplo, possui templos, ritos e valoriza a vida humana assim como o cristianismo. Todavia, nele não há o conceito de um Deus pessoal, de pecado e salvação como na fé cristã. O budismo é muito diferente da fé cristã e os ensinos de ambas religiões são opostos e se contradizem.
A respeito da distinção entre os credos das religiões, Gilbert K. Chesterton (1874-1936) com propriedade afirmou que “os credos que existem para destruírem um ao outro têm escrituras, do mesmo modo que exércitos que existem para destruírem um ao outro têm canhões”. É claro que aqui, para não nos determos em mais pormenores, temos um abismo irreconciliável entre mulçumanos e cristãos ortodoxos a respeito de Deus e de Cristo, embora ambos sejam monoteístas. É certo que as religiões, como afirma um dos fundadores da psicologia moderna, William James (1842-1910), concordam em muitas partes: uma inquietude a respeito de alguma coisa que está errada conosco e a solução de que podemos ser salvos do erro. Todavia, embora sejam reconhecidas as semelhanças em sua forma e função, as religiões mundiais “reivindicam coisas contraditórias sobre a realidade suprema, a libertação condicional e espiritual do ser humano”. Portanto, as religiões não são iguais, embora haja “pontos de concordância” (At 17.16-29), e elas não procedem da revelação de Deus em Cristo, embora algumas tenham-no em grande consideração.
2. A fé cristã é superior às outras religiões? Os cientistas das religiões acusam a fé cristã de arrogar-se superior as demais crenças e religiões. Afirmam que os cristãos são exclusivistas e intolerantes. A razão dessa superioridade reside no fato de a fé cristã apregoar que Jesus é o único caminho de salvação que conduz o homem a Deus (Jo 14.6; At 4.12). Por causa desta revelação bíblica eles recriminam o cristão (1Pe 2.19-25).
A posição defendida pelo cristianismo bíblico é chamada de exclusivista e rejeitada por John Harwood Hick (1922-2012), um filósofo da religião e principal expoente contra a exclusividade da salvação em Jesus. Para Hick a forma como o cristianismo apregoa a salvação exclusivamente em Jesus Cristo está equivocada, como também os teólogos inclusivistas. A teologia inclusivista afirma que a salvação acontece em todo o mundo, dentro e fora das religiões mundiais, quer por meio da fé em Jesus, quer nas religiões independente da fé cristã. Hick, entretanto, propõe a perspectiva pluralista, que defende a ideia de uma Realidade Última e inefável que é a fonte de toda salvação e mediante a qual as tradições religiosas estão alinhadas em contextos de salvação e libertação. Nesse aspecto, todos os sistemas de crenças e credos são verdadeiros, pois refletem esta Realidade Última, e assim todas as religiões mundiais são inspiradas e convertidas em fonte de salvação pela mesma influência transcendente do Logos. Portanto, segundo Hick, é preciso abandonar o Jesus de Nazaré dos Evangelhos e aceitar como novo paradigma o Cristo cósmico ou Logos eterno, que se traduz como o Transcendente, o Divino, o Último ou Real, e que se manifestou como Cristo para o Cristão, Dharma para os hinduístas e budistas, Allah para os mulçumanos, e assim por diante. Essa posição dificilmente seria sustentada pelos primeiros teólogos da igreja nascente e, provavelmente, seria condenada pelos primeiros concílios.
É necessário observar, contudo, que existe contradição nesse sistema pelo fato de ele não contemplar as diferenças que existem entre as religiões mundiais. Mesmo religiões monoteístas como o cristianismo e o islamismo distinguem o único Deus das obras criadas, entretanto, o islamismo não aceita o testemunho do Novo Testamento de que Deus é mais completamente revelado em Jesus Cristo, bem como o monoteísmo judaico não aceita o fato de que o Novo Testamento contém uma maior revelação do Deus trino. Obviamente que não é difícil para o mulçumano pronunciar a sentença de culpados de idolatria contra os cristãos quando estes adoram a Deus em três pessoas consideram a Cristo como a encarnação de Deus.
Todavia, a exclusividade da salvação em Cristo não significa superioridade e intolerância. Como pode ser intolerante e orgulhosa a fé no Cristo que a todos acolheu indistintamente (Jo 4.7-9; Mt 15.21-28), e a todos deu exemplo de profunda humildade (Fp 2.5-10; Jo 13.1-20; 14.28)?
3. A singularidade da salvação em Cristo. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5; Hb 9.11-15). Ele não apenas manifestou a salvação, mas a realizou na história. A salvação revelada e operada por Jesus é única, exclusiva e singular. Há salvação fora das instituições religiosas, mas não há salvação fora de Jesus.



Pense!

Jesus não apenas manifestou a salvação, mas a realizou na história.



Ponto Importante

A mediação salvífica de Jesus Cristo é específica e única.



III. RELACIONAMENTO COM PESSOAS DE OUTRAS CRENÇAS

1. Relacionamento religioso (At 17.17-23). O diálogo com pessoas de crenças diferentes está presente em todos os relacionamentos cristãos onde a segunda pessoa professa um credo distinto ou procede de uma outra religião. Jesus (Jo 4.1-30) e Paulo (At 17) deram profundas lições no que concerne ao diálogo religioso. Neste diálogo devemos aproveitar a oportunidade para falar da salvação em Jesus Cristo.
2. Relacionamento inter-religioso (1Pe 3.15-18). O relacionamento do cristão com pessoas de outras religiões deve ser com todo respeito, mas sincero e firme. Com sabedoria, exponha a razão de sua esperança. Seu testemunho deve ser tão eloquente quanto suas palavras.



Pense!

A missão primordial da Igreja é o anúncio da salvação em Cristo.



Ponto Importante

O testemunho que Jesus dá de si mesmo e o seu exemplo evangelizador são paradigmas para o diálogo religioso.



CONCLUSÃO

Vivemos numa sociedade plural onde o indivíduo tem o direito de expressar sua crença ou mesmo de se pronunciar ateu. É imperativo que o cristão saiba respeitar as diferenças religiosas sem negar-se ao mandato cristão de apregoar a salvação em Cristo. Pregue o Evangelho com firmeza e sabedoria.

ESTANTE DO PROFESSOR

DEERE, Jack. Surpreendido pelo Poder do Espírito. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995.
WARREN, Neil Clark; PARROTT, Les. A Vida dos seus Sonhos: Três Segredos para se Sentir Bem no Fundo de sua Alma. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2014.

HORA DA REVISÃO

1. Descreva o sentido positivo de religião.
Atitude de reverência a Deus manifesta nos ritos, cultos, crenças e doutrinas.

2. Descreva o sentido de religião na Bíblia.
Ela surge por iniciativa do Senhor e não pela busca do próprio homem.

3. Todas as religiões são iguais?
Do ponto de vista histórico e social apresentam muitas semelhanças, mas sob a perspectiva da verdade bíblica e salvífica são distintas e contraditórias.

4. Por que a fé cristã não é orgulhosa e intolerante?
Porque não pode ser intolerante e orgulhosa a fé no Cristo que a todos acolheu indistintamente e a todos deu exemplo de profunda humildade.

5. Cite exemplos de diálogo religioso.
Jesus (Jo 4.1-30) e Paulo (At 17).

SUBSÍDIO I

“A Nova Apologética e o diálogo inter-religioso
[...] A Nova Apologética Cristã precisa estar disposta a dialogar no atual contexto do pluralismo religioso. Diálogo inter-religioso, missão evangelizadora e Anúncio são diferentes. O diálogo inter-religioso como o conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um recíproco enriquecimento não impede a missão evangelizadora e o Anúncio, isto é, a comunicação do mistério de salvação realizado por Deus para todos em Jesus Cristo. O diálogo representa um desafio, mas não um impedimento à missão evangelizadora. Deste modo, o diálogo não deve substituir o Anúncio, pois se constitui a tarefa primordial da Igreja fazer crescer o Reino de nosso Senhor e do seu Cristo [...]. A Igreja entra em diálogo de salvação com todos, mas a natureza de seu diálogo não é meramente antropológico, mas teológico. O diálogo da Igreja é um diálogo de salvação, embora não esteja excluído o diálogo da vida, das obras e da experiência religiosa” (BENTHO, Esdras C. Como Identificar uma Seita. Mensageiro da Paz, 2014).

SUBSÍDIO II

“Definição de Seita

O termo ‘seita’, do grego ‘hairesis’, procede de uma raiz que significa ‘selecionar’, ‘escolher’ ou ‘facção’, traduzido pela Vulgata Latina por ‘secta’. O termo e seus derivados acham-se com abundância nas páginas do Novo Testamento (Mt 12.18; 1Co 11.19; Gl 5.20; Fp 1.22; 2Ts 2.13; Hb 11.25; 2Pe 2.1). Um herege era alguém cuja opinião distinguia-se da teoria de um partido ou escola de pensamento historicamente estabelecido. Essas escolas de pensamento declaravam suas teorias por meio de afirmações doutrinárias que expressavam o ponto de vista oficial de seu mestre ou escola. Chamava-se assim dogmas ao conjunto teórico abraçado pelos adeptos de certas correntes filosóficas ou religiosas que as confessavam publicamente. A declaração pública necessariamente devia estar de acordo com alguma confissão religiosa ou conjunto de doutrinas, como apresentam as perícopes neotestamentárias de Jo 1:20; At 24:14; Rm 10:9,10; 1Tm 6:12; Tt 1:16. Uma confissão dogmática distinguia-se da mera opinião do populacho. Quando surgia uma nova percepção que se distinguia da tradição entendia-se a nova perspectiva como seita” (BENTHO, Esdras C. Como Identificar uma Seita. Mensageiro da Paz, 2014).


Lições CPAD adultos governo humano 4 trim- 22/11/2015




                                      Lições Bíblicas CPAD

                     Adultos   4º Trimestre de 2015




Título: O começo de todas as coisas — Estudos sobre o livro de Gênesis
Comentarista: Claudionor de Andrade 

Lição 8: O início do Governo Humano
Data: 22 de Novembro de 2015  

TEXTO ÁUREO

“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).

VERDADE PRÁTICA

Deus instituiu autoridades e leis, a fim de preservar a sociedade humana de uma depravação total e irreversível.

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Gn 9.6
O livro de Gênesis e a origem do governo humano 

Terça — Rm 13.1
O princípio do governo humano revelado na Palavra de Deus

Quarta — 1Pe 2.17
A Palavra de Deus e a honra devida às autoridades 

Quinta — 1Tm 2.1,2
Orações devem ser feitas pelas autoridades

Sexta — 1Tm 1.9,10
A Palavra de Deus e o objetivo da lei 

Sábado — Ap 19.6
Jesus Cristo, a suprema autoridade revelada à humanidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 9.1-13.

1 — E abençoou Deus a Noé e a seus filhos e disse-lhes: frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra.
2 — E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues.
3 — Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado, como a erva verde.
4 — A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 — E certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; da mão de todo animal o requererei, como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.
6 — Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.
7 — Mas vós, frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra e multiplicai-vos nela.
8 — E falou Deus a Noé e a seus filhos com ele, dizendo:
9 — E eu, eis que estabeleço o meu concerto convosco, e com a vossa semente depois de vós,
10 — e com toda alma vivente, que convosco está, de aves, de reses, e de todo animal da terra convosco; desde todos que saíram da arca, até todo animal da terra.
11 — E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra.
12 — E disse Deus: Este é o sinal do concerto que ponho entre mim e vós e entre toda alma vivente, que está convosco, por gerações eternas.
13 — O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra.

HINOS SUGERIDOS

531, 532 e 588 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Compreender que Deus instituiu autoridades e leis para preservar a humanidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 


•         I. Mostrar que Deus estabeleceu um novo começo a partir da família de Noé;
•         II. Analisar o arco de Deus como símbolo do seu novo pacto com a humanidade;
•         III. Explicar o princípio do governo humano.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

As águas do dilúvio foram baixando até que Noé e sua família puderam deixar a arca e iniciar uma nova vida em um mundo novo, purificado do pecado pelas águas do dilúvio. Noé e sua família deram início a nova vida com sacrifício e adoração a Deus, o grande Criador (8.1-22). O Senhor então decide introduzir o governo humano no novo mundo. O governo humano é uma forma de governo onde Deus delega ao homem a direção do planeta e a administração da justiça. Esta forma de governo foi confirmada pela filho de Deus ao declarar: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Deus também fez um pacto com a humanidade, prometendo que nunca mais destruiria a vida humana por intermédio de dilúvio. A Terra havia sido purificada, porém Noé e seus descendentes carregavam a semente do pecado em seus corações.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Deus fez chover sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites. As águas caíram e brotaram em tal quantidade, que vieram a prevalecer por quase um ano. Veio a perecer, assim, toda a primeira civilização humana. Enquanto isso, Noé e sua família, na grande arca, vagavam sobre as águas que, dia a dia, iam diminuindo até que o chão enxuto apareceu.
Já fora do grande barco, os sobreviventes empreendem uma nova obra civilizatória. E, para tanto, o patriarca recebe instruções específicas do Senhor, a fim de que ele e seus filhos cumpram-lhe fielmente a vontade: edificar uma sociedade baseada no amor a Deus e ao próximo. Uma sociedade que, distanciando-se daquela região, alcançasse os confins da terra.
Tinha início, naquele momento, o governo humano, que haveria de perdurar, apesar de tantos dramas e tragédias, até nossos dias.


PONTO CENTRAL

Deus estabeleceu o governo humano.


I. UM NOVO COMEÇO

Noé e sua família permanecem a bordo da arca por quase um ano (Gn 7.11; 8.13). Ao deixarem a embarcação, conscientizam-se de que, de agora em diante, terão de se deparar com uma realidade inteiramente nova.
1. Um novo relacionamento com a natureza. Se até aquele momento o homem havia convivido harmonicamente com a criação, a partir de agora, esse relacionamento será bastante traumático. Alerta o Senhor que os animais, por exemplo, terão medo e pavor do ser humano (Gn 9.2). Para combatê-los, haveriam de surgir grandes caçadores como Ninrode (Gn 10.9).
A natureza deveria ser domada a duras penas, a fim de que o habitat dos filhos de Noé se fizesse sustentável. Sobre o assunto, declara o apóstolo Paulo: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22 —ARA). No Milênio, porém, tal situação será revertida (Is 11.6). Por enquanto, todos jazemos sob um pesado cativeiro.
2. Uma nova dieta. Se antes do Dilúvio todos dispunham de uma dieta vegetal rica e farta, agora teriam de complementá-la com nutrientes animais. Todavia, deveriam abster-se do sangue (Gn 9.4). Semelhante recomendação fariam os apóstolos em Jerusalém (At 15.19,20).
3. A bênção divina. Reconstruir a sociedade humana era tarefa nada fácil. Noé e sua família teriam de recomeçar um processo civilizatório que, por causa da grande inundação, perdera quase dois mil anos de invenções, descobertas e avanços tecnológicos.
Nessa empreitada, o patriarca e seus filhos necessitariam da plenitude da bênção divina. Bem-aventurando-os, ordena-lhes o Senhor: “Mas vós, frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra e multiplicai-vos nela” (Gn 9.7). Não demoraria muito, conforme veremos nas próximas lições, para que o homem voltasse a progredir e a ocupar os mais remotos continentes.



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

A terra foi purificada pelas águas do dilúvio e Deus estabeleceu um novo começo a partir da família de Noé.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Professor para a introdução do primeiro tópico da lição faça a seguinte indagação: “Quanto tempo durou o dilúvio?”. Ouça os alunos com atenção e incentive a participação de todos. Explique que “Gênesis 7 e 8 registra detalhes sobre isso. Os animais entraram na arca no dia 10 do mês dois (7.8,9). A chuva começou sete dias depois (v.11), e o volume de água foi aumentando até dia 27 do mês três (v.12). A arca não toca a terra até dia 17 do mês sete (8.4). O cume de montanhas é visto no dia 1º do décimo mês (v.4), e as portas da arca finalmente são abertas em 1º do mês um (v.13). A terra estava seca o suficiente para Noé e sua família saírem em 27 do mês dois (v.14), um ano e dez dias depois que o dilúvio começou” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.30).
“O relato do dilúvio fala-nos, tanto do julgamento do mal, como da salvação (Hb 11.7). (1) O dilúvio, trazendo a total destruição de toda a vida humana fora da arca, foi necessário para extirpar a extrema corrupção moral dos homens e mulheres e para dar à raça humana uma nova oportunidade de ter comunhão com Deus. (2) O apóstolo Pedro declara que a salvação de Noé em meio às águas do dilúvio, seu livramento da morte, figurava o batismo do cristão” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.42).







II. O ARCO DE DEUS

Antes do Dilúvio, não havia chuva. Um vapor regava a terra. A partir de agora, porém, haveria de cair regularmente sobre a terra, como sinal da bênção divina (Mt 5.45). A pergunta, todavia, era inevitável: “E se viesse outro dilúvio?”.
1. Um novo pacto com a humanidade. Visando acalmar-lhes o espírito, promete-lhes o Senhor: o mundo não voltará a ser destruído por uma nova inundação. Sem essa promessa, a descendência de Noé teria desperdiçado seus esforços na construção de arcas, torres e barragens.
Em sua misericórdia, o Senhor promete: “E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra” (Gn 9.11).
2. O sinal do pacto noético. A fim de que a humanidade se lembrasse da misericórdia de Deus, após cada chuva, o Senhor torna-lhes bem visível o seu pacto: “O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, aparecerá o arco nas nuvens” (Gn 9.13,14).
O arco de Deus, seria um fenômeno tão novo como a chuva regular. Vendo-o a cada chuvarada, os descendentes de Noé poderiam repousar nos cuidados divinos.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Deus, por sua infinita misericórdia, estabeleceu um novo pacto com o homem. Este pacto teve como símbolo um arco nos céus.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Peça que os alunos leiam Gênesis 9.9-17. Depois explique que estes versículos “falam do concerto que Deus fez com a humanidade e com a natureza, pelo qual Ele prometeu que nunca mais destruiria a terra e todos os seres viventes com um dilúvio (vv.11,15). O arco-íris foi o sinal de Deus e o memorial perpétuo da sua promessa, no sentido de nunca mais Ele destruir todos os habitantes da terra com um dilúvio. O arco-íris deve nos lembrar da misericórdia de Deus e da sua fidelidade à sua palavra” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.45).



III. O PRINCÍPIO DO GOVERNO HUMANO

Uma nova civilização estava prestes a recomeçar. Mas, para que alcançasse plenamente os seus objetivos, era imperioso que ela se formasse sob o império das leis. Por esse motivo, Deus institui o governo humano.
1. O governo humano. Teologicamente, o governo humano é a instituição estabelecida por Deus, logo após o Dilúvio, através da qual o Senhor delega ao homem não somente a governança do planeta, como também a administração da justiça (Rm 13.1). Essa instituição, sem a qual a civilização humana seria inviável, pode ser sumariada nesta única sentença divina: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9.6).
O Senhor Jesus, ao ratificar esse princípio, foi enfático ao realçar o lado benevolente e amoroso que deveria reger o governo humano: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12).
2. O aperfeiçoamento do governo humano. Israel teve em vários períodos de sua história, alguns governos que chegaram a ser perfeitos. Haja vista o reinado de Ezequias (2Cr 29.1,2). Aliás, esses homens procuraram cumprir a Lei de Moisés, porque sabiam que nenhum reino poderá ser construído anarquicamente.
Dessa forma, Noé e seus descendentes, sob as novas regras baixadas pelo Senhor, puderam dar continuidade a história humana, apesar das lacunas deixadas pelo Dilúvio.



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

O princípio do governo humano se deu a partir de Noé e seus descendentes.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

“A Instituição do Governo Humano
No século antediluviano não havia nenhum governo humano. Todo homem tinha liberdade para seguir ou rejeitar qualquer caminho. Mesmo rejeitando o Caminho, não havia refreio contra o pecado. O primeiro homicida, Caim, foi protegido contra um vingador (Gn 4.15). Sucessivos homicidas (Lameque, por exemplo) exigiram semelhante proteção (Gn 4.23,24). Durante séculos os homens haviam abusado do amor e da graça de Deus, e gastaram seu tempo entregues a toda qualidade de pecado e vício. Após o dilúvio, o caminho, o único Caminho para a vida eterna, ainda permaneceria aberto diante deles, e cabia-lhes o direito de aceitar ou rejeitá-lo. Mas se o rejeitassem, continuando desobedientes às leis divinas, eram passíveis de punição imediata por parte dos seus contemporâneos, pois Deus instituiu um governo terrestre que serviria de freio sobre os delitos dos ímpios. A ordem divina foi esta: ‘Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu’ (Gn 9.6). A pena capital é a função de maior seriedade do governo humano, e uma vez que Deus concedeu ao homem essa responsabilidade judicial, automaticamente todas as demais funções de governo foram também conferidas. O governo humano, assim construído, exercendo a prerrogativa da pena capital, foi e é sancionada pelo próprio Deus como um meio de deter os desobedientes (Rm 13.1-7; 1Tm 1.8-10). A investidura dessa autoridade e responsabilidade no homem foi uma novidade do novo pacto de Deus ao homem após o dilúvio.
Em comparação com a aliança adâmica, notamos que há: 1) maior domínio sobre o reino animal; 2) uma dieta mais ampla; 3) a promessa de Deus que não mais destruirá toda a carne; 4) e maior repressão sobre os ímpios, incluindo a prerrogativa da pena capital, que seria ao mesmo tempo uma ilustração do governo divino” (OLSON, Lawrence N. O Plano Divino Através dos Séculos: As dispensações que Deus estabeleceu para Israel, a Igreja e para o mundo. 26ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.69-71).



CONCLUSÃO

O governo humano é uma instituição divina. Foi deixado pelo Senhor, objetivando levar a civilização a cumprir os seus objetivos, até que o seu Reino seja instaurado entre nós através de Jesus Cristo, seu Filho.
Enquanto isso, todos somos exortados a obedecer aos mandatários e governantes, desde que estes não baixem leis que contrariem a Palavra de Deus, que está acima de todas as legislações humanas. Por isso, eis o nosso texto áureo: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

PARA REFLETIR

A respeito do livro de Gênesis:

Após o Dilúvio, como seria o relacionamento do ser humano com a natureza?
Se até aquele momento, o homem havia convivido harmonicamente com a criação, a partir de agora, esse relacionamento será bastante traumático. Alerta o Senhor que os animais, por exemplo, terão medo e pavor do ser humano (Gn 9.2). Para combatê-los, haveriam de surgir grandes caçadores como Ninrode (Gn 10.9).

A dieta humana foi alterada com o Dilúvio?
Se antes do Dilúvio, todos dispunham de uma dieta vegetal rica e farta, doravante teriam de complementá-la com nutrientes animais, pois a terra já não era tão fértil como antes. Eis a razão por que Deus autoriza-os a enriquecer suas refeições com carne.

Qual a simbologia do arco de Deus?
Era um sinal do pacto de Deus de jamais destruir a humanidade novamente pelo dilúvio.

O que é o governo humano?
Teologicamente, o governo humano é a instituição estabelecida por Deus, logo após o Dilúvio, através da qual o Senhor delega ao homem não somente a governança do planeta, como também a administração da justiça (Rm 13.1).

Até que ponto devemos obedecer o governo humano?
Desde que estes não baixem leis que contrariem a Palavra de Deus, que está acima de todas as legislações humanas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O início do Governo Humano

“A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos” — frase atribuída a Winston Churchill. Dizem alguns filósofos que a história da humanidade pode se resumir na luta pelo poder. Ou como disse Karl Marx: “A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes”. Se Churchil e Marx estão certos, esta não é a discussão que desejamos levantar aqui — é bom lembrar que Churchil e Marx são cosmovisões completamente distintas uma da outra, conservadorismo x socialismo.
Entretanto, desde Noé e sua descendência, quando se começou a estabelecer um governo humano, até os dias contemporâneos, muita coisa aconteceu. Reinos se levantaram e reinos foram abatidos. Imperadores chegaram ao poder e imperadores foram retirados do poder. Os governos deixaram de ser uma pessoa para ser uma Carta Magna, com o advento das constituições federais. O Estado não é mais o indivíduo, como disse Luis XV da França (“O Estado sou eu”).
Tudo isso faz parte do plano de Deus para o governo humano. Nosso Senhor disse: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado” (Jo 19.11a). Nosso Senhor deixa claro que todo poder que existe no mundo foi estabelecido por Deus. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).
A ideia bíblica de que a autoridade foi ordenada por Deus para garantir a ordem e o bom funcionamento para a sociedade é apresentada nas Escrituras desde a família de Noé, quando do novo começo da humanidade, passando pela história de toda civilização humana.
Essa é uma boa oportunidade para refletirmos sobre os governos atuais que flertam com a ditadura, com a falta de interesse de desenvolver a educação da nação e a prioridade de proteger o cidadão com estratégias de segurança pública. São questões atuais e necessárias para serem refletidas. Ainda em Romanos, o apóstolo Paulo diz: “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela” (13.3). Neste texto, está implícito que o governo, segundo a perspectiva de Deus e das Escrituras, é para fazer o bem, proteger as pessoas de bem e fazer justiça a quem for vítima de um algoz que praticar o mal.

Todo poder estabelecido no mundo provém de Deus e prestará contas a Ele!