quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O fruto do Espirito Santo

      


    O  FRUTO  DO  ESPÍRITO:  AMOR,  ALEGRIA,  PAZ

                                                         Artigo Mauricio Berwald



De todas as passagens bíblicas que esboçam o caráter de Cristo e o fruto que o Espírito produz em nossa vida, a mais compacta e desafiadora é Gálatas 5:22, 23. "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio". Nos próximos três capítulos estudaremos detalhadamente cada um destes. Para facilitar o estudo, podemos dividir estas nove palavras em três "cachos" de frutas. Amor, alegria e paz são o primeiro cacho; têm a ver principalmente com nossa relacionamento com Deus. O segundo "cacho" – longanimidade, benignidade e bondade – tratam mais do nosso relacionamento com outras pessoas. O terceiro "cacho", fidelidade, mansidão e domínio próprio, fala mais do nosso relacionamento com nosso interior – as atitudes e ações do nosso "eu".
Ao mesmo tempo, é claro, estes três "cachos" estão todos relacionados entre si, e todos devem ser visíveis em nosso ser. E todos estarão visíveis se nós permanecermos em Cristo e permitirmos que o Espírito Santo atue em nós.

(notas, O Fruto do Espirito Santo Billy Grahan,,IBID,PP.140,1980)



                               O Fruto do Espírito – Amor

Não deveria haver nada mais característico no cristão do que o amor. "Nisto conhecerão todas que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35). "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos" (1 João 3:14). "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros: pois quem ama ao próximo, tem cumprido a lei" (Rom. 13:8).
Não importa de que maneira nós damos testemunho de Cristo; sem amor, tudo fica anulado. Amor é maior que qualquer coisa que possamos dizer com palavras, qualquer coisa que possamos possuir ou dar. "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou corno o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disto me aproveitará" (1 Cor. 13:1-3).
O capítulo da Bíblia que mais fala do amor é 1 Coríntios 13. Sua descrição do amor deveria estar inscrito com letras de ouro no coração de cada cristão. Se outro capítulo da Bíblia deve ser decorado, além de João 3, este é 1 Coríntios 13. Quando meditamos sobre o significado do amor, vemos que ele é para o coração o que o verão é para o agricultor: ele faz com que todas as flores da alma dêem fruto. Ele é, de fato, a flor mais bonita do jardim da graça de Deus. Se não houver amor em nossa vida, estaremos vazios. Pedro disse: "Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1 Pedro 4:8).

C. S. Lewis, em seu pequeno livro The Four Loves (Os Quatro Tipos de Amor), faz um estudo das quatro palavras gregas diferentes que nós traduzimos por "amor". Quando a Bíblia fala do amor que Deus tem por nós e que gostaria que nas tivéssemos, geralmente um a palavra grega agape (pronuncia-se agápe). O amor agape aparece em todo o Novo Testamento. Quando Jesus disse: "Amem seus inimigos", Mateus usou a palavra agape em seu evangelho. Quando Jesus disse que devemos nos amar uns aos outros, João usou a palavra agape. Quando Jesus disse "Ame seu vizinho" Marcos usou a palavra agape. Quando a Escritura diz que "Deus é amor", ela um a palavra agape.

O Novo Dicionário da Bíblia define o amor agape no grego como "a forma mais elevada e nobre de amor, que vê no objeto do amor algo infinitamente precioso".1

A maior demonstração de amor agape que Deus deu foi na cruz, quando Ele enviou Seu Filho Jesus Cristo para morrer por nossos pecados. E já que nós devemos amar como Deus amou, todos os crentes devem ter este amor agape. Nós não o temos naturalmente, nem podemos desenvolvê-lo porque as obras da carne não podem produzi-lo; só o Espírito Santo pode concedê-lo, sobrenaturalmente. Ele o faz quando nos submetemos à vontade de Deus.
Devemos saber de uma coisa sobre o amar agape. Vezes demais hoje em dia o amor parece somente ser uma emoção ou um sentimento. É claro que o amor envolve sentimentos, estejamos amando a Deus ou a outrem. Mas amor é mais que emoções. Amor não é um sentimento – amor é ação. O verdadeiro amor age. Deus nos amou assim: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (João 3:16, grifo meu). "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade" (1 João 3:18, IBB).
Por isso o amor é um ato da vontade – e esta é a razão de nossa vontade tem de ser primeiro submetida a Cristo antes que possamos produzir o fruto do amor.
O bispo Stephen Neill definiu o amor como "uma direção constante da vontade para o bem permanente de outrem".2 Ele comenta que muito amor humano na verdade é egoísta, enquanto que o amor agape renuncia a si mesmo. Neill diz:
"O primeiro amor (humano) diz: – Eu quero para mim algo que o outro tem e que ele pode me dar.
"O segundo amor (de Deus) diz: – Eu quero dar alguma coisa para este aqui, porque eu o amo.
"O primeiro amor quer se enriquecer recebendo presente que os outros podem dar.
"O segundo amor quer enriquecer os outros dando tudo que tem.
"O primeiro amor é sentimento e desejo. Vem e vai quando quer; não podemos forçá-lo a ficar com nenhum esforço próprio.
"O segundo amor é muito mais questão de vontade, porque somos nós que decidimos dar ou não dar."3
Nós devemos amar como o bom samaritano (Lucas 10:25-38), que na verdade é amor se expressando em ações. Este amor alcança todos – esposa, marido, filhos, vizinhos, até mesmo pessoas que nunca vimos, no outro lado do mundo. Inclui os que são fáceis de amar, porque são parecidos conosco, e os que são difíceis de amar, porque são tão diferentes. Estende-se até a pessoas que nos prejudicaram ou magoaram.
Uma jovem esposa e mãe estava cheia de amargura e ressentimento porque seu marido se tornara infiel e a tinha deixado para viver com outra mulher. Mas, refletindo sobre o amor que Cristo teve por nós, ela descobriu que um novo tipo de amar pelas outras pessoas começou a brotar dentro dela – inclusive pela mulher que tinha levado seu marido. Perto do Natal ela enviou àquela mulher uma rosa vermelha com um bilhete: "Por causa do amor de Cristo em mim e através de mim, eu posso amar você!" Este é o amor agape, fruto do Espírito.
A ordem de amar não é opcional; devemos amar, estejamos com vontade ou não. De fato, podemos dizer que o amor pelos outros é o primeiro sinal de que nascemos de novo e que o Espírito Santo está atuando em nós.
Antes de qualquer outra coisa o amor deve ser a característica marcante de qualquer congregação local.
Dr. Sherwood Wirt escreveu assim: "Descobri que não vem ao caso falar de igrejas fortes ou igrejas fracas, grandes ou pequenas, mornas ou frias. Estas classificações não são realísticas e estão fora da questão. A única distinção que podemos fazer é esta: igrejas que amam ou igrejas que não amam."4
Às vezes é muito fácil dizer que amamos alguém, honesta e sinceramente. Mas quantas vezes não vemos o solitário na multidão, o doente e o necessitado, homens ou mulheres, cuja única esperança talvez seja o amor que podemos lhe dar em Cristo. O amor que Deus nos mostrou alcança todas as pessoas.
Um amigo nosso é um famoso cantor. Eu notei que quando ele entra em uma sala cheia de pessoas ele não fica olhando ao redor para encontrar pessoas que ele conheça. Ele olha para uma pessoa inexpressiva, desconhecida, deslocada, desajeitada, vai direto para ela, estende a mão, com o rosto enrugado brilhando em um sorriso gentil, enquanto se apresenta: "Olá, eu sou . . ."
Allan Emery, amigo meu por longa data, morava em Boston quando era ainda garoto, e teve uma experiência que deixou nele profunda impressão. Seu pai recebeu um telefonema dizendo que um cristão conhecido tinha se encontrado bêbado no banco de uma certa praça. Seu pai imediatamente mandou seu motorista com a limusine buscar o homem, enquanto sua mãe preparava o melhor quarto de hóspedes. Meu amigo ficava olhando com os olhos arregalados os lindos cobertores sendo colocados sobre a velha cama com marquise, mostrando os monogramas.
– Mas, mãe! – ele protestou, – ele está bêbado. Pode até estar doente!
– Eu sei, – disse sua mãe gentilmente, – mas este homem escorregou e ruiu. Quando voltar a si estará tão envergonhado que precisará de todo o carinho e ânimo que nós lhe possamos transmitir.
Foi uma lição que ele nunca esqueceu.
Jesus olhou para as multidões e ficou cheio de compaixão por cada um deles. Ele amou como nenhum ser humano é capaz de amar. Seu amor abraçava todo o mundo, toda a raça humana, do princípio ao fim dos tempos. Seu amor não conhecia barreiras, nem limites, ninguém era excluído. Desde o mendigo mais insignificante até o mais alto monarca, desde o maior pecador até o mais pura santo – Seu amor foi para todos. Somente o Espírito de Deus atuando em nós pode produzir este fruto, que se manifestará em nossa vida pública e privada.(notas IBID,PP.145).




                                        O Fruto do Espírito: Alegria


Voltando do túmulo do seu jovem filho na China, meu sogro escreveu a sua mãe: "Há lágrimas em nossos olhos, mas alegria em nosso coração". A alegria que o Espírito põe em nosso coração está acima das circunstâncias. Podemos ter alegria mesmo nas situações mais difíceis.
A palavra grega usada no Novo Testamento para alegria repetidamente é usada para indicar alegria de origem espiritual, como "a alegria do Espírito Santo" (1 Tess. 1:6). Também o Antigo Testamento usa frases como "a alegria do Senhor" (Neem. 8:10), para indicar que Deus é a fonte da alegria.
Pouco antes de ser preso nosso Senhor se reuniu com seus discípulos para a Ceia. Jesus lhes disse que tinha falado tudo aquilo "para que o meu gozo esteja em vós, e vosso gozo seja completo" (João 15:11).
O bispo Stephen Neill fez esta observação: "Os primeiros cristãos conseguiram conquistar o mundo porque eram um povo alegre."5
O mundo de hoje não tem alegria; está cheio de sombras, desilusões, medo. A liberdade está desaparecendo da face da terra. Além da liberdade, também muitas das alegrias e prazeres superficiais da vida estão desaparecerão, mas isto não deve nos alarmar. A Escritura ensina que nossa alegra espiritual não depende das circunstâncias. O sistema mundial não consegue achar a fonte da alegria. Deus dirige Sua alegria, através do Espírito Santo, para nossas vidas tristes e cheias de problemas, possibilitando-nos que fiquemos cheios da alegria apesar das circunstâncias.
A Declaração de Independência dos EUA fala de "perseguir a felicidade", mas a Bíblia em nenhum lugar diz que devemos fazer isto. A felicidade é enganosa, e nós não a acharemos procurando-a. Quando as condições externas são favoráveis nós a temos; mas a alegria vai muito além. Alegre também é diferente dos prazeres. Os prazeres do momentâneos, mas a alegria é permanente e firme, desprezando as circunstâncias adversas da vida.
Além de nós recebermos a fonte da alegria, que é a pessoa de Cristo, nós temos a certeza de que ela está sempre à disposição de qualquer cristão, não importa as circunstâncias.
Eu visitei uma vez a cidade de Dohnavur, no sul da Índia, onde Amy Carmichael viveu por cinqüenta anos, cuidando de centenas de meninas antes destinadas ao serviço do templo. Como já citei antes ela estava presa à uma durante os últimos vinte anos de sua vida, e durante este tempo escreveu muitas livros que abençoaram milhões de pessoas. A alegria preenchia o seu quarto de doente, e todos que a visitavam saíam louvando a Deus.
Em Seu livro Gold by Moonlight (Ouro ao Luar) ela diz: "Se nosso objetivo é querer o que Deus quer, aceitar as coisas é a escolha feliz, da mente e do coração, das coisas que Ele traz, porque (para o presente) elas são Sua vontade boa, aceitável e perfeita."6
Visitei aquele quarto mais de uma vez depois da sua morte, onde ela tinha servido ao Senhor durante vinte anos, escrevendo na cama, e sua enfermeira me pediu que eu fizesse uma oração. Eu comecei, mas eu fiquei tão emocionado com um sentimento da presença de Deus que não consegui continuar. Minha voz falhou, o que raras vezes me aconteceu. Pedi ao meu companheiro que continuasse, mas a mesma coisa aconteceu com ele. Quando deixamos o quarto, eu senti a alegria do Senhor encher o meu coração. Eu tenho visitado muitos doentes para lhes transmitir ânimo, alguns com doenças incuráveis. Por estranho que pareça, muitas vezes eu saí abençoado com sua alegria contagiante.
O testemunho final de Paulo estava coroado de profunda alegria, quando escreveu sua última carta a Timóteo, pouco antes de morrer. Apesar dos sofrimentos por que passou, dos horrores da prisão e das freqüentes ameaças de morte, a alegria do Senhor enchia o Seu coração.
Charles Allen explica isto nestas palavras: "Da mesma forma que toda a água do mundo não pode apagar o fogo do Espírito, todos os problemas e tragédias do mundo não podem vencer a alegria que o Espírito traz ao coração humano."(notas IBID pp.148)  



                       O   F r u t o   d o   E s p í r i t o :   P a z  


Quando nós nos entregamos às preocupações estamos tirando do nosso Guia o direito de nos dirigir em confiança e paz. Somente o Espírito Santo pode nos dar paz no meio de tempestades, agitação e desespero. Não devemos entristecer nosso Guia tolerando as preocupações ou dando muita atenção a nós mesmos.
Há diferentes tipos de paz: a paz de um cemitério, a paz trazida por tranqüilizantes. Mas para o cristão paz não é simplesmente ausência de conflito ou qualquer outro estado artificial que o mundo pode oferecer. É a paz profunda e permanente que Jesus Cristo traz ao nosso coração. Ele a descreve em João 14:27: "– Deixo com vocês a minha paz; a minha paz lhes dou, não como o mundo costuma dar" (BLH). Esta paz pode vir somente pelo Espírito Santo.
A paz de Deus que pode reinar em nossos corações sempre é precedida pela paz com Deus, que é o ponto de partida. Quando esta existe, a paz de Deus pode segui-la. Deste ponto de vista a obra salvadora de Cristo tem dais estágios: Primeira, Ele foi capaz de terminar a guerra que havia entre o homem pecador e o Deus justo. Deus estava mesmo aborrecido com a humanidade por causa do seu pecado. Jesus, com Seu Sangue, proveu a paz. A guerra terminou; a paz veio. Deus estava satisfeito, a dívida cancelada, a contabilidade em ordem. Com Seus débitos pagos o homem estava livre, se estivesse disposto a se arrepender e se voltar em fé para Cristo, para receber a salvação. Agora Deus pode olhar com prazer para ele.
Mas Jesus não só nos libertou da escravidão e da guerra. Há um segundo estágio, graças a Ele – agora e aqui podemos ter a paz de Deus em nosso coração. A paz com Deus não é Somente uma trégua; a guerra terminou para sempre, e agora os corações redimidos dos antigos inimigos da cruz estão munidos de uma paz que está além de qualquer conhecimento humano, e mais alto que qualquer vôo de águia que possamos imaginar.
Spurgeon disse sobre a paz de Deus: "Olhei para Cristo, e a pomba da paz voou para dentro do meu coração; olhei para a pomba, e ela voou embora." Não devemos olhar para o fruto, mas para a origem de toda a paz, porque Cristo, pelo Espírito Santo, cultiva nossa vida com sabedoria para produzirmos paz. A terapia psiquiátrica mais eficiente do mundo é apropriar-se da promessa de Jesus: "Eu lhes darei descanso" – ou paz (Mat. 11:28). O rei Davi é uma prova viva da terapia espiritual para a alma que o Espírito Santo aplica, quando diz: "Deitar-me faz" (Sal. 23:2, IBB). Isto é descansar em paz. Mas Davi continua: "Ele refrigera a minha alma." Isto é receber novas forças, cheio de paz. Mesmo procurando paz sem parar, os homens não a acharão enquanto não chegarem a esta simples conclusão: "Cristo é paz."
Uma mulher cheia de desespero e frustração me escreveu, dizendo que não havia esperança para ela porque Deus não poderia perdoar todos os seus pecados, de tão grandes que eram. Eu lhes respondi que mesmo parecendo que Deus e todo mundo a tinham esquecido, Ele não a esquecera, só permitira que aflição e desespero enchessem a sua alma para que ela compreendesse o quanto precisa do perdão e da paz de Deus. Mais tarde ela me escreveu dizendo que tinha pulado de alegria quando compreendeu que podia ter e paz de Deus. Jesus disse que o que faz a diferença não é a nossa paz, mas a dEle: "A minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo" (João 14:27).
Em Romanos Paulo nos deixou estas palavras tão maravilhosas: "E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo " (15:13). Como descrever melhor alegria e paz? Paz é fruto do Espírito, sim.(notas IBID,pp150)
Você a tem em Seu coração?




                        O  FRUTO  DO  ESPÍRITO:

         LONGANIMIDADE,  BENIGNIDADE,  BONDADE


O primeiro cacho de frutos do Espírito era de relacionamento com Deus que outras pessoas podem ver. Por isso falamos do amor de Deus, da alegria do Senhor e da paz de Deus. O segundo cacho – longanimidade, benignidade e bondade – traz em si a idéia de que tipo de cristãos somos em nosso relacionamento com outras pessoas. Se nós perdemos facilmente as estribeiras, somos indelicados ou grosseiros, então nos falta o segundo cacho do fruto do Espírito. Mas quando o Espírito tem controle sobre nós, Ele age em nós até que os botões de longanimidade, benignidade e bondade comecem a florir em nós e depois dar fruto.(notas idid,pp152)


O Fruto do Espírito: Longanimidade

A palavra longanimidade (paciência, na Bíblia na Linguagem de Hoje) vem de uma palavra grega que tem a idéia de imperturbabilidade diante de provocações. O conceito de paciência sob maus tratos, sem ficar com raiva nem nutrir pensamentos de vingança ou retribuição, também é inerente à palavra. Esta parte do fruto do Espírito se evidencia assim no relacionamento com nossos vizinhos. É a paciência personificada – a paciência do amor. Se nós somos irritadiças, vingativos, ressentidos ou maldosos com nossos vizinhos, então temos "curtanimidade", e não longanimidade. Neste caso não estamos sob o controle do Espírito Santo.
A paciência é o brilho transcendente de um coração amoroso e meigo que é gentil e delicado quando trata os que vivem ao seu redor. A paciência julga os erros dos outros com delicadeza, carinho e compreensão, sem criticismo injusto. Paciência também é perseverança – a capacidade de suportar fadiga, pressão e perseguição enquanto faz o trabalho do Senhor.
Paciência faz parte da imagem de Cristo, que nós admiramos tanta em outros sem exigi-la de nós mesmos. Paulo nos ensina que nós podemos ser "fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria" (Sal. 1:11). A paciência provém do poder de Deus, baseado na nossa disposição de aprendê-la. Se nós somos egoístas, se raiva ou má vontade se manifestam, se a impaciência ou a frustração querem nos dominar, temos de reconhecer que a causa dos problemas somos nós, e não Deus. Devemos recusar, renunciar e repudiar a situação imediatamente. Isto vem da nossa natureza pecaminosa.(notas IBID,PP.153)

Paciência e Provas

A paciência está relacionada na Bíblia bem de perto com provas e tentações, o que é lógico. Ser paciente na vida normal é fácil, mas e quando vêm as dificuldades? Nestas horas é que nós mais precisamos do fruto do Espírito – paciência. A Bíblia diz que esta é uma das vantagens das dificuldades: porque nos fazem mais fortes, deixando que o Espírito desenvolva a paciência em nós. "Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança" (Tiago 1:2, 3).
Se isto é verdade, então nós devemos dizer bem-vindo às provações e dificuldades, quando elas vêm, porque nos obrigam a recorrer cada vez mais à fonte de toda força, produzindo mais paciência, que é fruto do Espírito. Exercitando paciência e longanimidade nas pequenas frustrações e irritações diárias, estaremos preparados para resistir nas grandes batalhas.
A erosão do coração nos faz vulneráveis aos ataques astutos a muitas vezes disfarçados de Satanás. Mas o coração que aprendeu a recorrer imediatamente ao Espírito Santo, pela oração, ao primeiro sinal da tentação não terá razão para temer esta erosão, esta derrota. Em pouco tempo a oração será tão automática e espontânea que a teremos pronunciado antes de vermos a necessidade. A Bíblia diz que devemos ser "pacientes na tribulação, na oração perseverantes" (Rom. 12:12). Na minha opinião, a melhor hora para orar é no momento em que somos ameaçados por uma situação tensa ou uma atitude não espiritual. Deus Espírito Santo está sempre presente, pronto para me ajudar a vencer as batalhas espirituais, grandes ou pequenas. Mas para a oração se tornar uma reação involuntária ou subconsciente ao problema eu tenho de praticá-la, voluntária e conscientemente, cada dia, até que ela se torne uma parte integrante do meu ser.
Um amigo e conselheiro uma vez me disse que muitas vezes o maior teste que enfrentamos, a maior provação é quando perguntamos a Deus: "Por quê?"
Charles Hambree afirmou que "no meio da aflição é difícil ver um sentido nas coisas que nos acontecem, e ficamos com vontade de questionar a justiça de um Deus fiel. E exatamente estes momentos rodem ser os mais significativos de nosso vida".1
Paul Little, um dos maiores servos de Deus, morreu em um acidente automobilístico em 1975. Eu logo perguntei a Deus: "Por quê?" Paul era um dos melhores homens de Deus para trabalhar com jovens, e para ensinar a Bíblia. Era professor em faculdade teológica, um dos líderes da Aliança Bíblica Universitária e ex-membro da nossa equipe. Tenho certeza que sua esposa, Marie, fez esta mesma pergunta na agonia do seu coração. Mas quando ela participou alguns meses depois de um retiro espiritual da nossa equipe, ela evidenciou um espírito maravilhoso, contando sua vitória às mulheres da nossa equipe. Ao invés de nós a confortarmos, ela é que estava nos confortando.
Nós sofremos aflições ou disciplina, mas o salmista diz: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sal. 30:5). Nenhum cristão cheio do Espírito deixará de ser longânimo e paciente se perseverou fielmente na "comunhão dos seus sofrimentos"(Filip. 3:10).
Deus permite que passamos por purificação, disciplina, aflições e até perseguições, para que o fruto apareça em nossa vida. Se os irmãos de José, que o odiavam, não o tivessem vendido como escravo, se Potifar não o tivesse acusado injustamente, colocando-o na prisão, ele não teria desenvolvido o fruto de paciência e longanimidade que seria sua característica pessoal por toda a vida. Mesmo depois de dizer ao copeiro do faraó que voltaria à corte real e pedir-lhe que falasse a faraó da sua prisão injusta, teve de permanecer mais dois anos na prisão.
Às vezes parece que Deus demora muito para nos atender, pois nós confiamos nEle, mas Ele nunca vem tarde demais. Paulo escreveu: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação" (2 Cor. 4:17). Jesus disse a Seus discípulos: "Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas" (Lucas 21:19, IBB). Esta é a longanimidade e a paciência que o Espírito Santo usa para abençoar outros.
Falando sobre longanimidade temos de tomar cuidada em relação a um perigo. Às vezes nós a usamos como desculpa por não termos tomado uma atitude que se esperava de nós. Às vezes nos contentamos com um tipo de auto-flagelação neurótica por não querermos enfrentar a verdade, que erradamente chamamos de longanimidade. Mas Jesus, com violência, "expulsou todos os que venciam e compravam no templo; também derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas" (Mat. 21:12). Também castigou com furor os escribas e fariseus (Mat. 21:13 ss.). O cristão cheio do Espírito sabe quando arder em "ira santa" e quando ser paciente, e sabe também quando a longanimidade se transformou em desculpa da inatividade ou uma muleta para disfarçar um defeito de caráter.(notas IBID,PP.153-157)


O Fruto do Espírito: Benignidade

Benignidade, ou ternura, ou delicadeza, é o segundo gomo do fruto que aparece externamente. Este termo vem de uma palavra grega que entende toda a nossa natureza permeada de gentileza. Delicadeza acaba tudo que é rude e grosseiro. Podemos até chamá-la de amor que permanece.
Jesus era uma pessoa gentil. Quando Ele nasceu havia poucas instituições de caridade no mundo. Havia poucos hospitais ou clínicas psiquiátricas, poucos albergues para os pobres, poucos orfanatos e poucos abrigos para os desamparados. Comparando com a nossa, aquela era uma época cruel. Cristo mudou isto. E a todos os lugares onde o cristianismo chegou seus seguidores praticaram ações de benignidade e delicadeza.
A palavra aparece poucas vezes em nosso Bíblia em português, mas há versículos que a creditam às três pessoas da Trindade. Salmo 18:35 fala da clemência ou benignidade de Deus; 2 Coríntios 10:1 da benignidade de Cristo; e Gálatas 5:22 da benignidade do Espírito Santo.
Charles Allen faz a seguinte observação: "No nosso desprezo pelo pecado podemos nos tornar rudes e grosseiros com o pecador. ... Algumas pessoas parecem ser tão apaixonadas pela justiça que não têm mais lugar para a compaixão pelos que caíram".2
Como é fácil ser impaciente ou indelicado com os que falharam na vida! Quando começou o movimento hippie nos EUA, muitas pessoas reagiram com uma atitude crítica e sem amor diante dos hippies em si. A Bíblia nos ensina outra coisa. Jesus os teria tratado com "benignidade" carinhosa. As únicas pessoas que Ele tratou com rudeza foram os líderes religiosos hipócritas, mas com todas os outros Ele era maravilhosamente gentil. Muitos pecadores à beira do arrependimento foram desiludidos por um cristianismo farisaico e friamente rígido, preso a um código religioso legalista que não inclui a compaixão. Jesus agia com ternura, gentileza e carinho. Mesmo crianças pequenas experimentaram isto, e se aproximavam dEle ansiosas e sem medo.
Paulo disse a seu jovem amigo Timóteo: "O servo do senhor não deve brigar. Mas deve ser delicado para com todos" (2 Tim. 2:24, BLH). Tiago disse: "A sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; e é também pacífica, bondosa e amigável" (Tiago 3:17, BLH).
Alguns dizem que delicadeza é um sinal de fraqueza, mas eles estão errados! Abraham Lincoln era famoso por sua humildade e delicadeza, e nunca poderemos dizer que ele era fraco. Pelo contrário, o grande homem que ele foi resultou da combinação da sua grande força de caráter com seu espírito gentil e compassivo.
Em Fruits of the Spirit (Frutos do Espírito) Hembree diz assim: "Nesta época de mísseis teleguiadas e pessoas mal-guiadas precisamos desesperadamente aprender a sermos gentis. Parece estranho que em uma era em que alcançamos a lua, enviamos sinais a planetas distantes e recebemos fotografias tiradas de satélites em órbita seja tão difícil comunicar ternura com os que estão ao nosso redor."3
O lugar mais óbvio para buscar orientação e instrução para estes usos do Espírito é o ministro no púlpito, e a grande necessidade desta geração tem de ser tratada em sermões com autoridade. Mas não importa quão eloqüente, bem preparado e dotado um pastor seja; se não tiver carinho e delicadeza em sua maneira de tratar as pessoas ele será incapaz de levar muitas pessoas a Cristo. Um coração gentil é um coração contrito – um coração que chora pelos pecados dos maus e pelos sacrifícios dos bons.(notas,IBID,157-159)


O Fruto do Espírito: Bondade

O terceiro elemento deste trio é bondade. Esta palavra é derivada de um termo grego que se refere à qualidade das pessoas que são dirigidas e desejam o que é bom, que representa os mais elevados valores éticos e morais. Paulo escreve: "Porque o fruto da luz consiste em toda a bondade, e justiça, e verdade" (Efés. 5:9). Diz também: "Por isso também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação, e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé; a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós" (2 Tess. 1:11,12). Paulo diz ainda, elogiando a igreja em Roma: "Certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros" ( Rom. 15:14).
Eu já disse em outro capítulo que no terreno atrás da nossa casa nós temos algumas fontes de água. De uma delas jarra a água que supre o nosso reservatório, pura e que nunca cessa de correr. O homem que analisou a água elogiou-a, dizendo que era a água mais pura que já tinha achado. Assim como a boa fonte, um bom coração nunca cessa de jorrar bondade.
A palavra "bom" no entender da Escritura significa literalmente "ser como Deus", porque Ele é o único que é perfeitamente bom. Uma coisa é ter padrões éticos elevados, outra coisa é a bondade que o Espírito Santo produz, que tem suas raízes em Deus. O significado deste fruto é mais amplo do que simplesmente "fazer o bem". Bondade é mais que isto. Bondade é amor em ação. Não somente traz em si a idéia de justiça, mas demonstra esta justiça, este "fazer o que é certo" vivendo diariamente no Espírito Santo. É fazer o bem a partir de um coração bom, é agradar a Deus sem esperar medalhas ou recompensas. Cristo quer que este tipo de bondade seja o normal em cada cristão. Os homens não podem achar substituto para a bondade, e nenhum artista em retoques espirituais pode imitá-la.
Thoreau escreveu o seguinte: "Se alguém não mantém o passo com seus companheiros, é talvez porque ele esteja ouvindo um outro tambor. Deixe-o andar de acordo com a música que ele ouve, mas comedido, ou longe dos outros."4 Como cristãos nós não temos outra alternativa a não ser marchar no ritmo dos tambores do Espírito Santo, nos passos comedidos da bondade, o que agrada a Deus.
Nós podemos fazer boas obras e dar testemunho aos que vivem ao nosso redor de que temos algo "diferente" em nosso vida, praticando os princípios da bondade – algo diferente que talvez eles mesmos também queiram ter. Talvez até sejamos capazes de mostrar a outros como praticar os princípios da bondade. Mas a Bíblia diz: "O vosso amor é como a nuvem da manhã, e como o orvalho da madrugada, que cedo passa" (Oséias 6:4). A verdadeira bondade é "fruto do Espírito", e nunca teremos sucesso tentando consegui-la com força e esforço próprios.
Devemos tomar cuidado: qualquer traço de bondade que o mundo vê em nós deve ser genuíno fruto do Espírito, e não um substituto falsificado, para que não levemos ninguém inconscientemente para um caminho errado.
Nunca devemos esquecer que Satanás pode se aproveitar de qualquer esforço humano e torcê-lo para que sirva para seus propósitos; mas ele não pode nem tocar o espírito que está coberto do sangue de Cristo, e firmado profundamente no Espírito Santo. Somente o Espírito pode produzir a bondade que é a toda prova.
A bondade nunca se manifesta sozinha neste grupo de facetas externas do fruto do Espírito, mas é sempre acompanhada por paciência e delicadeza. Estes três andam juntos e estavam maravilhosamente visíveis nAquele que é o exemplo perfeito do que você e eu devemos ser. Pelo poder do Espírito Santo estes traços de caráter se tornam parte da nossa vida, para que possamos lembrar outros dEle. (notas IBID,PP.159-162)


                         O  FRUTO  DO  ESPÍRITO

         FIDELIDADE,  MANSIDÃO,  DOMÍNIO PRÓPRIO

A vida cristã autêntica tem sua própria escala de prioridades: Primeiro Deus, depois os outros, por último nós mesmos. Por isto ao falarmos do terceiro cacho do fruto do Espírito focalizaremos nossa atenção no homem interior. O Espírito Santo atua em nós para poder atuar através de nós. "Ser" é mais importante que "fazer". Mas quando somos interiormente o que devemos ser, então produziremos fruto, mais fruto, muito fruto. Este é o objetivo final do apóstolo Paulo ao escrever: "É Deus quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, Segundo a sua boa vontade" (Filip. 2:13). Ele diz também: "Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus" (Filip. 1:6).
O terceiro cacho do fruto espiritual trata do homem interior. Inclui fidelidade, mansidão e domínio próprio.(notas IBID,PP.162-163)


                       O Fruto do Espírito: Fidelidade


A fidelidade de que se fala aqui não é uma referência à fé do crente, mas à fidelidade que o Espírito Santo produz em uma vida cristã entregue a Ele.
A mesma palavra aparece em Tito 2:10; a Escritura elogia muito este traço de caráter. Fidelidade nas coisas pequenas é um dos teste de caráter mais seguros, como num Senhor mostra na parábola dos talentos: "Foste "fiel no pouco, sobre o muito te colocarei" (Mat. 25:21). Moralidade não é tanto questão de grandeza, mas de qualidade. Certo é certo, errado é errado, tanto nas coisas pequenas como nas grandes.
Pedro contrasta os que arcam fielmente com Deus com os que se emaranham de novo com a sujeira do mundo. Ele escreve: "Melhor lhes fora que nunca tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: a porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal!" (2 Pedro 2:21, 22).
A terceira epístola de João conta só catorze versículos. Demétrio e Diótrefes são as personagens principais. Demétrio era o discípulo fiel: "Todos falam bem de Demétrio, e a própria verdade fala bem dele" (v. 12, BLH). Ele é elogiado porque seguiu o Senhor fielmente, em palavra, em verdade, na prática e no princípio.
Uma expressão familiar na indústria é "prazo de entrega", o tempo entre o recebimento do pedida de fabricação e o dia em que ele é entregue. Muitos cristãos um dia se arrependerão do tempo que gastaram depois de Deus lhes mostrar Seu plano para eles e antes de começar a agir. Os israelitas poderiam ter feito a sua viagem do Egito até Canaã em poucos meses; mas, por causa da sua infidelidade e falta de fé (a palavra é a mesma, no grego), a viagem foi feita em não menos que 40 anos, e toda uma geração morreu.
Falta de fidelidade é um sinal de imaturidade espiritual. Um sinal de imaturidade emocional é a recusa em aceitar responsabilidade. Os jovens querem ter todos os privilégios dos adultos, mas não querem assumir responsabilidades. O mesmo princípio vale espiritualmente. Deus nos deu certas responsabilidades, como cristãos adultos. Quando somos desobedientes e nos recusamos a assumir estas responsabilidades, então somos infiéis. Por outro lado, quando somos fiéis é porque assumimos as responsabilidades que Deus nos deu. Isto é um sinal de maturidade espiritual, e é um dos frutos importantes que Espírito produz em nós.
Sem dúvida muitos de nas crescem mais lentamente do que deveriam porque não querem permitir que o Espírito Santo controle todas as áreas da sua vida. Nossa obediência, permitindo que Deus Espírito Santo remova todos os maus hábitos que se desenvolvem, deveria ser imediata. Às vezes somos impacientes, porque demora tanto para sermos como Ele é, mas devemos ser pacientes e fiéis, porque vale a pena esperar até sermos como Ele é. E eu tenho certeza de que não vamos saber que somos maduros, quando o formos. Quem de nós pode dizer que já é perfeito? Sabemos que quando estivermos diante dEle na eternidade, então seremos glorificados com Ele. O Espírito Santo começará a aperfeiçoar e executar o plano de Deus em nossa vida sempre que estivermos dispostos a dizer "sim" à Sua vontade!
A Escritura está repleta com histórias de homens como Abraão (Heb. 11:8-10) que andaram fielmente com Deus. Todo o capitulo onze de Hebreus fala de homens e mulheres que Deus considerou fiéis.
É perigoso tentar Deus, como alguns homens "infiéis" fizeram nos dias de Amós. Deus disse a eles: "Eis que vêm dias. . . em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor" (Amós 8:11).
Devemos prestar atenção, isto sim, à advertência de Tiago: "Bem--aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovada, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam" (1:12). Mais adiante Tiago diz: "Mas aquele que considera atentamente na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar" (1:25).
Sempre de novo nós somos exortados a sermos fiéis. Eu já disse algumas vezes que no fim desta era haverá diversos julgamentos. Um destes julgamentos é chamado de o trono da justiça de Cristo. Algum dia todos os cristãos estarão diante de Jesus Cristo para prestarem contas do que fizeram depois da conversão. Nós seremos julgados não com base no quanto fomos bem sucedidos aos olhos do mundo mas no quanto fomos fiéis no lugar em que Deus nos colocou. O apóstolo Paulo indica isto em 1 Coríntios 3:9-16: a fidelidade será a base na qual Deus fará o julgamento.
O maior teste para nossa fidelidade pode ser quanto tempo nas dedicamos à leitura da Bíblia, à oração, vivendo de acordo com os princípios de justiça quando abençoados com prosperidade.
Um cristão devoto me surpreendeu recentemente, quando disse: "É tão difícil ser um cristão nos dias atuais." É tão fácil esquecer e abandonar o nosso Deus em meio à prosperidade, principalmente onde o materialismo domina. É por isto que Jesus disse que é tão difícil para os ricos entrar no reino de Deus. Os ricos podem ser salvos – mas a Bíblia fala da "fascinação das riquezas" (Mat. 13:22).
As preocupações e ocupações deste mundo muitas vezes interferem na nossa vida fiel na presença de Deus. No meio da prosperidade nós devemos nos cuidar para não cairmos na mesma armadilha que a gente de Laodicéia, que incorreu no desagrado e na ira de Deus porque pensava que não precisava de nada, já que era materialmente rica (Apoc. 3:17). "Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências (desejos) insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todas os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmo se atormentaram com muitas dores" (1 Tim. 6:9, 10).
Se nós pudéssemos gravar um epitáfio no túmulo do apóstolo Paulo, poderia ser este: "Fiel até à morte." Já à espera da execução Paulo escreveu sem hesitação: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia" (2 Tim. 4:7, 8). Sejam quais forem os fracassos de Paulo e quanto lhe faltava para a perfeição, ele sabia que tinha sido fiel ao Senhor até o fim.
Este gomo maravilhoso do cacho do fruto do Espírito – fidelidade inclui fidelidade no falar de Cristo, fidelidade na nossa entrega e no nosso chamado, e fidelidade aos mandamentos de Cristo. A recompensa final para a fidelidade está em Apocalipse 2:10: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida."notas,IBID,pp.163-165)



                     O Fruto do Espírito: Mansidão


A palavra mansidão (humildade, na Bíblia na Linguagem de Hoje) vem de uma palavra grega que significa "brando; ser suave no trato com outros". Jesus disse: "Felizes os humildes, porque receberão o que Deus tem prometido" (Mat. 5:5). Em nenhum lugar da Escritura esta palavra implica em desânimo ou timidez. Nos templos bíblicos mansidão ou humildade significava muito mais do que na nossa língua hoje em dia. Continha a idéia de ser domesticado, como um cavalo selvagem que foi controlado.
Antes de Ser chamado pelo Espírito Santo Pedro era rude e explosivo. Depois toda a sua energia passou a ser usada para a glória de Deus. Moisés foi chamado de o mais manso dos homens, mas antes de Deus o chamar ele era altivo e independente, e levou quarenta anos no deserto até se submeter completamente ao controle de Deus. Um rio sob controle pode ser usado para gerar energia elétrica. Fogo sob controle pode servir para cozinhar alimentos. Mansidão é poder, força, temperamento e violência sob controle.
Em outro sentido podemos comparar mansidão a modéstia, porque é o oposto de arrogância e comodismo. Pelo contrário, ela dá atenção aos outros e torna cuidado para nunca deixar de perceber os direitos dos outros.
Mansidão abriga uma força silenciosa que confunde os que a consideram fraqueza. Esta foi a reação de Jesus depois de preso – durante as acusações, as torturas e a crucificação Ele suportou as dores físicas e emocionais que Seus algozes espectadores escarnecedores o faziam sofrer sem misericórdia. "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca" (Isa. 53:7).
Mansidão também é chamada de amar sob disciplina. Charles Allan diz: "Deus nunca espera de nós que sejamos menos do que realmente somos .. . Autodiminuição é um insulto ao Deus que nos fez. Mansidão adquirimos por outros meios ... O orgulho vem quando nós olhamos para nós mesmos; a mansidão vem quando nós olhamos para Deus."1
Como todo o crescimento do cristão a mansidão também se desenvolve em atmosfera pesada de hostilidade. Esta estabilidade espiritual e força interior, produzida pelo Espírito Santo, não a adquirimos em um parque de diversões mas no campo de batalha espiritual.
David Hubbard dá ainda outra definição de mansidão, dizendo que ela nos faz estarmos sempre à disposição dos que contam conosco; estamos em paz com nossa força, e por isso não a usamos com arrogância ou ofendendo outros. E Dewitt Talmadge diz: "Assim como profeticamente os céus são tomados de violência a terra é tomada de mansidão, e Deus, como proprietário, não quer outros inquilinos ou não arrenda a ninguém mais que aos meigos de coração e espírito."
Dr. V. R. Edman, falando de Andrew Murray, o grande pregador de Keswick, diz assim em seu livro They Found the Secret (Eles Acharam o Segredo): "De fato este é o tipo de vida submissa que tira sua força e seu sustento da Videira. Com esta seiva refrescante e avivante do Espírito Santo percorrendo o íntimo, a oração è eficaz, a pregação é com poder, o amor é contagiante, a alegria transborda e há paz maior do que podemos compreender. É a adoração que é silêncio para conhecer Deus só para nas. É a obediência que faz o que o Senhor ordena à luz da Palavra. É a fertilidade espontânea porque permanece na Videira."2
Outra ilustração que me ajudou a compreender a mansidão é o icebergue. Quando cruzei o Atlântico vi alguns do navio. Mesmo sendo alto acima da superfície, a maior parte do icebergue está debaixo da água. Eles podem ser formidavelmente destrutivos quando entram na rota dos navios. Mas a maior ameaça aos icebergues é algo muito bom, o sol. O sol traz calor à vida e morte aos icebergues. Assim como a mansidão é uma força poderosa o sol é mais poderoso que qualquer icebergue. A mansidão ou humildade de Deus em nós permite que os solares do Espírito Santo de Deus trabalhem em nossos corações gelados, fazendo deles instrumentos para o bem e para Deus. Espiritualmente, o cristão manso e humilde, cheio do Espírito, é um prisma que dirige o espectro dos raios do Sol sobre os icebergues da nossa carnalidade.
Como você e eu podemos aplicar a mansidão a nós? Jesus pôs diante de nós o Seu próprio exemplo, dizendo-nos para sermos "mansos e humildes de coração" (Mat. 11:29).
Em primeiro lugar, não devemos reagir defensivamente quando nossos sentidos são perturbados, como Pedro fez quando cortou a orelha do soldado que foi junto para prender Jesus no jardim; ele só recebeu uma repreensão do Senhor (Mat. 26:51, 52).
Em segundo lugar, não devemos querer ter a preeminência, como Diótrefes (3 João 9). Nosso desejo é que em tudo Jesus Cristo tenha a primazia (Col. 1:18).
Em terceiro lugar, não devemos procurar reconhecimento e recompensa, ou ser considerado a voz da autoridade, como Janes e Jambres (2 Tim. 3:8). Estes magos do Egito rejeitaram a autoridade do Senhor em Moisés e se opuseram a ele pouco antes do êxodo. "Cada um de vós não pense de si mesmo além do que convém, antes, pense com moderação. . . Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rom. 12:3, 10).
Quando Jesus Cristo governa a nossa vida a mansidão pode se tornar uma das nossas virtudes. A humildade pode ser o sinal mais visível da grandeza que há em nós. Talvez você e eu nunca seremos respeitados como voz de autoridade; talvez nunca recebamos os aplausos do mundo; pode ser que nunca governemos ou tenhamos em mãos o bastão do poder. Mas um dia os mansos hão de herdar a Terra (Mat. 5:5), porque ninguém pode nos tirar a parte que nos cabe de direito da herança divina e cheia de alegria que Deus preparou para nós.(notas,IBID,PP.165-167).



               O Fruto do Espírito: Domínio Próprio

Domínio próprio (ou temperança, em algumas versões) é a terceira parte deste cacho. A palavra grega significa senhorio forte e pesado, capaz de controlar nossos pensamentos e ações.
A mãe de John Wesley escreveu uma vez para ele, enquanto ele ainda era estudante em Oxford, assim: "Tudo que aumenta a autoridade do corpo sobre a mente é mau." Esta definição me ajudou a compreender "domínio próprio".
A falta de domínio próprio já derrubou reis e tiranos. A história ilustra isto. Alguém disse uma vez: "Existem homens que podem comandar exércitos, mas não podem comandar a si mesmos. Existem homens que com suas palavras inflamadas podem cativar multidões, que não conseguem ficar quietos diante de provocações ou insultos. O maior sinal de nobreza é o domínio próprio. Ele é mais sinal de realeza do que coroa e púrpura."
Alguém mais disse também:
"Não nos aplausos de uma multidão,
Não no clamor que entra lá de fora;
Está em nós derrota ou vitória."3
Esta história passada e presente ilustra como os excessos de um apetite incontrolado e dos desejos carnais trazem desgraça à nossa vida.
Duas são as causas do pecado da intemperança, da falta de domínio próprio : uma é o apetite físico; a outra são os hábitos da mente.
Quando alguém fala em temperança ou moderação, logo pensamos em bebidas alcoólicas. Isto se deve aos grandes defensores da moderação que durante muitos anos tentaram erradicar este veneno que prejudica tantas pessoas no mundo. Mas por alguma razão nós aprovamos a glutonaria, que a Bíblia condena tanto quanto a embriaguez. Também temos a tendência de fechar um olho diante de indelicadeza, fofocas, orgulho e inveja. Em todas estas áreas também precisamos ter domínio próprio. A Escritura diz: "Porque os que se inclinam para a carne cogitam (têm suas mentes presas em) das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito" (Rom. 8:5). Moderação ou domínio próprio, fruto do Espírito, é a vida normal do cristão na prática.
Domínio próprio em coisas de comida é moderação. Domínio próprio com respeito ao álcool é sobriedade. Domínio próprio em assuntos de sexo é abstinência para os que não são casados. Mesmo nós que estamos unidos às vezes precisamos de domínio próprio, quando nós nos abstemos da atividade sexual lícita, por mútuo consentimento, para nos dedicarmos melhor ao estudo da Palavra de Deus, à oração e às boas obras (veja 1 Cor. 7:5).
Temperança quanto ao nosso temperamento é domínio sobre ele.
Há poucos dias eu estava junto com um homem que estacionou em uma área proibida no aeroporto. Um funcionário lhe pediu gentilmente que estacionasse um pouco adiante, onde fosse permitido. Ele respondeu com nervosismo: "Se você não tem farda de policial, então cale a boca." Este cristão estava tão nervoso e tenso por causa das responsabilidades que pesavam sobre ele que tinha perdido quase todo o controle sobre seu temperamento. Ele não tinha mais temperança. O seu pecado era tão grande como se estivesse bêbado.
Domínio próprio quanto a roupas é modéstia apropriada. Domínio próprio na derrota é esperança. Domínio próprio em relação aos prazeres pecaminosos é nada menos que abstinência completa.
Salomão escreveu: "Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras" (Prov. 16:32, BLH). A Bíblia Viva faz uma paráfrase da última parte do versículo: "É melhor ter domínio próprio do que comandar um exército." O autor de Provérbios disse ainda: "Quem não sabe se controlar é tão sem defesa como uma cidade sem muralhas" (25:28, BLH).
Paulo ensinou a importância do domínio próprio. Qualquer atleta que queira ganhar uma corrida deve treinar até controlar totalmente o seu corpo, diz ele aos seus leitores. E enfatiza que o prêmio não é uma coroa perecível, mas uma que dura para sempre: "Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. ... Eu esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" (1 Cor. 9:25, 27).
Na lista que Pedro faz das virtudes do cristão, ele diz: "Associai... com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança" (2 Pedro 1:5, 6). Todos estes andam juntos. E não resta dúvida que se deixarmos nossas paixões nos governarem o resultado final será bem menos desejável do que imaginamos no momento do prazer.
Quem pode dizer onde termina o domínio próprio e começa a intemperança? Alguns cristãos têm uma consciência bem elástica quando se trata dos seus pontos fracos – e uma consciência de ferro quando se trata das fraquezas dos outros. Talvez seja esta a razão de ser tão fácil para muitos cristãos condenar alguém que toma um copo de vinho ocasionalmente, mas nunca se repreendem por comer demais, que é pecado da mesma forma.  Comer demais é um dos pecados mais aceitos e praticados entre os modernos cristãos ocidentais. É fácil condenar um adúltero, mas como o que condena tem direita para tanto, se ele mesmo é culpado de alguma outra forma de intemperança? Não deveríamos todos ter as mãos limpas e o coração puro em tudo? Um tipo de escravidão é mais errado do que outro, em princípio? Não estamos igualmente amarrados, se o que nos prende são cordas ou cabos de aço?
Os desejos que controlam uma pessoa podem ser diferentes dos que controlam outra. Alguém que deseja ardentemente possuir coisas é tão diferente de alguém que deseja sexo, jogos, ouro, comida, bebida ou drogas?
Nunca foi tão necessário ter domínio próprio em todas os aspectos da vida como hoje. É imperativo que os cristãos sejam o exemplo em uma época em que violência, egoísmo, apatia e vida indisciplinada tentam destruir este planeta. O mundo precisa deste exemplo – algo firme em que possa segurar, uma âncora em mar bravio.
Durante séculos os cristãos pregaram que Cristo é a âncora. Se nós, que temos o Espírito Santo vivendo e atuando em nós, falhamos e caímos, que esperança resta para o mundo? (Notas IBID,167-170)

fonte  bibliografia Billy Grahan, O Espirito Santo ,1980,notas o fruto do Espirito Santo.






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