quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ministerio Profetico (1)

                     



                Ministério Profético no Antigo Testamento 
                                                         Artigo Mauricio Berwald





Profeta: [Do heb. Nabi; do gr. prophetes]. “No Antigo Testamento, era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus”. 

Os profetas do Antigo Testamento inspiram e instruem não somente a Israel, mas a Igreja de Cristo. O Senhor Jesus Cristo e os seus apóstolos fizeram-lhes referências, reconhecendo a autoridade espiritual deles. A presente lição objetiva explanar a missão desses homens de Deus e a abrangência bíblica do termo “profeta”. Seu significado. A palavra hebraica usada no Antigo Testamento para “profeta” é nābî’. Sua etimologia é incerta, mas o verdadeiro significado é possível pelo seu uso nas Escrituras. O diálogo entre Deus e Moisés (Êx 4.14-16) esclarece o sentido do termo, o qual é “falar em nome Deus”. Por conseguinte, é ser um “porta-voz”, um “embaixador” (veja a ilustração do ofício com Moisés e Arão em Êxodo 7.1,2). Deus sabe todas as coisas, conhece o fim desde o princípio; seu conhecimento é absoluto e perfeito em tudo (Is 46.9,10). Portanto, quem fala em seu nome anuncia o futuro como se fosse presente. Isso explica o estreito vínculo de “profetizar” com “prever o futuro” e, ainda, “revelar algo impossível de saber através de recursos humanos”, ações possibilitadas apenas por Deus.

 Sua abrangência. Tanto o substantivo “profeta” como o verbo “profetizar” têm amplo significado no Antigo Testamento e em nossos dias. O termo “falso profeta” aparece na versão grega dos setenta, conhecida como Septuaginta (LXX), e em o Novo Testamento; porém, não existe nas Escrituras hebraicas. Assim, o termo aplica-se também a adivinhos, falsos profetas e profetas das divindades pagãs das nações vizinhas de Israel, sendo identificados como tais pelo contexto (Js 13.22; 1 Rs 22.12; Jr 23.13).

Expressões correlatas. Vidente, por exemplo, possui dois termos hebraicos que o identifica nas Escrituras: hozeh eroeh (hōzer e rō’eh na transcrição técnica). Ambos apresentam dois sentidos: ver com os olhos físicos e ver introspectivamente, ou seja, ver com o espírito, por isso, o profeta é chamado de “homem de espírito” (Os 9.7). Houve um período na história profética de Israel em que os profetas eram identificados simplesmente como “videntes” (1 Sm 9.9).


                    O INÍCIO DO MINISTÉRIO DOS PROFETAS

 Contexto histórico (v.24). Nos versículos 11 a 15 do capítulo 11 de Números, observamos que Moisés, por causa de seu trabalho excessivo, sentiu-se incapaz de satisfazer plenamente às necessidades do povo, e isso o deixou frustrado. Todos os homens de Deus passam por experiências similares. Quando chegamos a esse ponto, Deus vem em nosso socorro (Sl 121.1,2). Foi nesse contexto que o Senhor, para aliviar a carga de Moisés, repartiu o Espírito que estava sobre o seu servo entre setenta anciãos de Israel, a fim de ajudar o grande legislador do povo hebreu a desempenhar o seu ministério (vv.16,17).

 Moisés iniciou o ofício profético em Israel (vv.25,26). O verbo “profetizar” aparece aqui pela primeira vez nas Escrituras Sagradas: “[...] quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram” (v.25); “[...] e profetizavam no arraial” (v.26). Foi com essa congregação de setenta homens dos anciãos do povo hebreu que Moisés iniciou ao que posteriormente ficou conhecido como o ministério profético em Israel. Apesar de o verbo ter a sua primeira menção no livro de Números, a figura do profeta está presente desde a época patriarcal. Embora não se saiba qual era exatamente a sua função nesse período, parece-nos incluir a intercessão, visto que Deus disse a Abimeleque acerca de Abraão: “[...] porque profeta é e rogará por ti” (Gn 20.7).

 “Tomara que todo o povo do SENHOR fosse profeta” (v.29). A resposta de Moisés demonstra que qualquer pessoa podia ser profeta, desde que tivesse uma chamada divina específica. Essa expressão se confirma na história do Antigo Testamento, pois os profetas e profetisas como Débora e Hulda, por exemplo, vieram de diversas tribos, famílias e classes sociais (Jz 4.4; 2 Rs 22.14). Veja ainda o caso de Amós, que era camponês (Am 7.14). Diferentemente dos sacerdotes, os profetas não precisavam pertencer a certa família sacerdotal, como a de Arão; tam-bém não havia restrição de idade nem objeção quanto às condições físicas.


                                                   O MINISTÉRIO

Havia o ministério dos profetas? Há quem negue a existência da escola e do ministério dos profetas como instituição em Israel nos tempos do Antigo Testamento. Entendemos que no ministério mosaico iniciou-se a atividade profética em Israel (Nm 11.25). Entretanto, o profetismo, como movimento, surgiu séculos depois.
Mais tarde vemos que Samuel presidia a congregação de profetas em Naiote, região de Ramá, onde residia (1 Sm 7.17; 19.19-23). E adiante, vemos a existência de uma escola dos profetas composta por “filhos” dos que exerciam o ofício (2 Rs 2.3,5,1 5). É importante ressaltar que “filho”, na Bíblia, significa também “discípulo, aprendiz” (Pv 3.1,21; 2 Tm 2.1; Fm v.10). Note que o texto sagrado revela a existência de uma organização de profetas bem estruturada, e Eliseu chegou a ser o mestre deles (2 Rs 6.1-3).

 A corporação profética. O termo original para “ministério, serviço” não é o mesmo referente à atividade dos profetas. A expressão “ministério do profeta” ou “dos profetas”, na ARC, como aparece nas leituras diárias desta lição, significa na verdade “por meio dos profetas”, como registra a ARA. O vocábulo “ministério” indica o serviço religioso específico e especial, desempenhado pelos levitas (1 Cr 6.32), pelos sacerdotes (1 Cr 24.3) e pelos apóstolos (At 1.25). Isso, porém, não é em si mesmo prova da inexistência de uma corporação profética em Israel (1 Sm 10.5).

 Classificação. Os profetas do Antigo Testamento são categorizados em clássicos, ou profetas escritores, e os conhecidos também como profetas não-escritores ou orais. Estes últimos são também chamados não literários, os quais não escreveram seus oráculos, como Samuel, Elias e Eliseu. Os profetas clássicos são também chamados de literários, os quais escreveram suas profecias, como Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros. Trata-se de uma classificação simplesmente didática. Ambos os grupos desempenharam o mesmo ofício, mas em épocas diferentes. Todos falaram em nome do Deus de Israel. As Escrituras empregam a mesma expressão para ambos os grupos: “veio a palavra do SENHOR a” ou fraseologia similar (1 Sm 15.10; Is 38.4; Jr 1.2). Todos esses profetas usavam a chancela de autoridade divina: “assim diz o SENHOR” (1 Sm 15.2; Is 7.7; Jr 2.2).

O profeta e Moisés

“Para um melhor entendimento da origem divina da instituição profética, a passagem-chave está em Deuteronômio 18.9-22. Em contrapartida à contínua atividade dos adivinhadores e vaticinadores cananeus, Deus prometeu enviar a Israel seus profetas. Portanto, Israel não seria compelida a lançar mão de meios humanos para obter informações sobre a vida e a morte. Antes, a nação deveria dar ouvidos aos profetas que iriam declarar as verdadeiras Palavras de Deus. Dessa forma, assim como Moisés, ele seria um mediador entre Deus e a nação. Da mesma forma como o sacerdote representava o povo perante Deus, também o profeta representava Deus perante o povo. Entretanto nenhum dos profetas foi uma cópia exata de Moisés. Somente com a vinda de Cristo, eles conheceram aquele grande Profeta que fora verdadeiramente representado por Moisés, aquele que conhecia a Deus Pai face a face (Dt 34.10).

Em Hebreus 3.1-6, existe um grande contraste entre Moisés e Cristo. Na casa de Deus, isto é, na divina organização ou dispensação, Moisés era fiel servo, mas Cristo está acima da casa como Filho. A era do Antigo Testamento, ou Era Mosaica, ficou aqui estabelecida como testemunha do período do Novo Testamento. Nesse sentido, todo o desígnio mosaico pode ser considerado como típico e preparatório de uma nova época. E nesse desígnio de aspecto e preparação, Moisés foi a maior figura, o único que era realmente parecido com Cristo”.

(notas Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006, p.1607)


    O Ofício Profético

 — “A Bíblia retrata o profeta como alguém que era aceito nas câmaras do conselho divino, onde Deus ‘revela o seu segredo’ (Am 3.7). O texto hebraico de 1 Samuel 9.15 retrata Deus ‘revelando aos ouvidos’ do profeta. Pelo processo da inspiração divina, Deus revelava o que estava oculto (2 Sm 7.27), de forma que o profeta percebia o que o Senhor dissera (Jr 23.18). Esta comunhão com Deus era essencial para que a verdade de Deus fosse revelada pelo processo de inspiração profética. A Palavra do Senhor era comunicada ao profeta e mediada ao povo pelo Espírito Santo — com uma convicção poderosa e precisão exata”

 (notas LAHAYE, T. Enciclopédia Popular de profecia Bíblica. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, p.383).

      Os Profetas 


— “A pessoa se tornava profeta ao perceber que Deus estava falando com ela e precisava então transmitir a mensagem recebida. A consciência disso se manifestava de várias maneiras e a mensagem era transmitida conforme a personalidade única do profeta. Jeremias diz simplesmente que a mão do Senhor o tocou e palavras foram postas em sua boca (Jr 1.9). Outros profetas tiveram visões e sonhos (1 Sm 28.6,15; Zc 1.8). Algumas vezes a mensagem profética era dada recapitulando a visão (Is 6), outras vezes contando parábolas ou histórias (Is 5.1-7), repetindo um oráculo (2 Rs 13.14-19; Ez 4.1-3), ou escrevendo (Is 30.8).
[...] Grupos de profetas trabalhavam nos centros de adoração (1 Sm 10.5) e se associavam então com os sacerdotes e levitas (2 Rs 23.2). Em vista de conhecerem os abusos do sistema de sacrifícios e compreenderem que a vida moral dos adoradores não correspondia ao cerimonial, eles tendiam a atacar esse. Fizeram o que Jesus fez mais tarde com a samaritana, quando afirmou que a verdadeira adoração aceitável a Deus é ‘em espírito e em verdade’ (Jo 4.24)” 

(notas COWER, R. Uso e Costumes dos Tempos Bíblicos. 1.ed. RJ: CPAD, 2002, pp.367,368). 


 Profetismo
 
 “Movimento que, surgido no século VIII a.C, em Israel, tinha por objetivo restaurar o monoteísmo hebreu, combater a idolatria, denunciar as injustiças sociais, proclamar o Dia do Senhor e reacender a esperança messiânica num povo que já não podia esperar contra a esperança.Tendo sido iniciado por Amós, foi encerrado por Malaquias. João Batista é visto como o último representante deste movimento”.
 (notas ANDRADE, C. C. Dicionário Teológico. RJ: CPAD, p.244).

 

 


        O Ministério Profético na Bíblia — a voz de Deus na    terra 



Comunicação: Processo de emissão, transmissão e recepção de mensagens por meio de métodos ou sistemas convencionais.

Sabemos que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras através dos seus mensageiros (Hb 1.1). Entretanto, pouco se estuda acerca da forma como os profetas de Deus recebiam a revelação divina e como essa mensagem era transmitida ao povo. Assim, o propósito desta lição é estudar a natureza da atividade profética, ou seja, o modus operandi da transmissão dos oráculos divinos aos profetas e, por conseguinte, desses ao povo.


 AS FORMAS DE COMUNICAÇÃO DE DEUS AOS PROFETAS

 “[...] Veio a mim a palavra do SENHOR” (v.4).

 A expressão “veio a mim a palavra do Senhor” geralmente serve para introduzir um diálogo (ou uma visão) entre Deus e o profeta (vv.4,11,13). Essa era a forma usual de o profeta do Senhor demonstrar que a sua mensagem veio do Todo-Poderoso. Algumas vezes, o homem de Deus recebia o oráculo divino de maneira íntima e repentina, ocasião em que somente ele ouvia a voz divina e ninguém mais. São exemplos dessa forma de comunicação entre o Senhor e o seu mensageiro: o que aconteceu com Samuel quando foi ungir Davi (1 Sm 16.6,7), e o que sucedeu ao profeta Isaías ao se encontrar com o rei Acaz (Is 7.3,4).

 Revelação divina em forma de diálogo (vv.6,9,10). 

Como vimos na leitura bíblica, o fato de Jeremias recusar a chamada não era desobediência, mas temor, por causa de sua tenra idade. Entretanto, a situação possibilitou um diálogo, onde Deus tocou a boca do profeta e disse-lhe: “Eis que ponho minhas palavras na tua boca” (v.9). Isso simbolizava a comunicação da mensagem divina. Desde então, Jeremias se tornou um porta-voz de Deus, que conferiu-lhe autoridade sobre nações e reinos (v.10). Investido dessa autoridade, o profeta cumpriu a sua missão de extirpar o pecado e a corrupção generalizada do povo e de anunciar a nova aliança com a vinda futura do Messias (v.16; 23.5,6; 31.31-34; Lc 22.20; Hb 9.14,15).

 Visão ou sonho. 

Duas outras principais formas de Deus comunicar sua mensagem ao profeta são visões e sonhos (Dn 7.1). A visão transmitida pelo Senhor é algo visto fora da contemplação ou percepção humana comum e natural. Já o sonho, sem ser necessariamente uma revelação de Deus, é apenas uma série de imagens acompanhadas de pensamentos e emoções, que a pessoa vê enquanto dorme. Diferentemente, o sonho profético era outra maneira de Deus se revelar aos profetas (Nm 12.6), tal como fez com Daniel: “[...] teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça” (Dn 7.1).
A comunicação da mensagem divina através das visões que o profeta Jeremias teve é um exemplo que ilustra essa forma de o Eterno transmitir seus oráculos:

a) A visão da vara de amendoeira (vv.11,12). A primeira visão do profeta das lágrimas é significativa, pois a amendoeira é uma árvore que se renova mais cedo para a primavera, ou seja, é a primeira a florir. A palavra hebraica para “amendoeira” ou “amêndoa” é shāqēd, e significa “o despertador”, uma vez que o povo a via como o “arauto da primavera”. Assim, visto que o verbo shāqad significa “vigiar, estar de vigília”, havendo apenas uma sutil diferença entre “amendoeira” e “vigiar”, o nome dessa planta representa o lembrete de que Deus está atento ao cumprimento de sua palavra (cf. Jr 31.28; 44.27).

b) A visão da panela fervendo (vv.13-15). Já a segunda visão dada pelo Senhor a Jeremias veio algum tempo depois e mostra uma panela fervendo, virada do norte para a região da Palestina. O “conteúdo” desse caldeirão (algo sinistro e assustador, pois anunciava o trágico destino da nação judaica devido aos seus pecados) seria derramado sobre Judá e Jerusalém. Isso era algo assegurado pelo próprio Deus, que se encarregou de dar a interpretação da visão: “Do Norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra” (v.14). Qual o real significado dessa mensagem? Ao norte de Israel estavam a Fenícia, Síria, Assíria e Babilônia. Porém, ao longo do livro, fica claro que a palavra profética refere-se especificamente ao reino da Babilônia que dominaria outros povos.

 AS FORMAS DE TRANSMISSÃO DA MENSAGEM DOS PROFETAS AO POVO

 Declaração oral e direta.

 A forma mais usual e conhecida de transmissão profética acontece quando o porta-voz divino leva diretamente a alguém a mensagem. É algo muito comum nos profetas pré-clássicos, por exemplo, os profetas e videntes Samuel (1 Sm 15.16,17), Natã (2 Sm 7.8-17; 12.7-10), Gade (1 Sm 22.5), Hanani (2 Cr 16.7) e Elias (1 Rs 21.19-27). Essa forma de comunicação ocorre também nos clássicos, mas a sua quantidade de ocorrências é menor (Jr 38.17). A respeito do conteúdo dos oráculos divinos, sabemos que podem ser de repreensão, advertência, conforto ou ensino. Quanto ao seu cumprimento, pode ser imediato, no tocante a sua geração, num futuro distante ou escatológico.

 Figuras e símbolos proféticos.

Outras formas de os arautos proclamarem a mensagem profética são as figuras e símbolos. Tratam-se de ilustrações pictóricas utilizadas pelo profeta, cujo objetivo é chamar a atenção do seu interlocutor para a mensagem, assim como aconteceu com o profeta Aías, que rasgou um manto em doze pedaços e ofereceu dez deles a Jeroboão I, comunicando-lhe acerca da divisão do reino de Salomão (1 Rs 11.29-32). O profeta Jeremias, orientado por Deus, enterrou próximo ao rio Eufrates um cinto de linho (13.1-11). Semelhantemente, sua ida à casa do oleiro (18.2-6) e o uso da canga de madeira sobre o seu pescoço (27.2; 28.12), são exemplos dessa forma de comunicar a mensagem profética.

 Casos reais que servem de representação para comunicar a mensagem. Uma forma rara de comunicação da mensagem divina é a que envolve casos reais, utilizados para exemplificar a situação entre Deus e o povo. Chamada em hermenêutica de “oráculo por ação”, essa forma pode ser exemplificada mediante a experiência do casamento do profeta Oséias com a prostituta Gomer (Os 1.2,3).



 A QUESTÃO EXTÁTICA DO PROFETA

Interpretação naturalista. 

Os intérpretes naturalistas consideram o estado de êxtase como um dos aspectos mais característicos da atividade dos profetas hebreus, mas negam a origem divina de seus oráculos. Eles afirmam que o fenômeno do êxtase era apenas um estado emocional da pessoa. Tal linha de pensamento pretende igualar os profetas de Deus aos adivinhos, falsos profetas hebreus e aos profetas dos deuses das nações vizinhas de Israel. Por conseguinte, é uma “explicação” que deve ser rejeitada pelos crentes em Cristo Jesus.

 Falácia dos naturalistas.

 A interpretação naturalista é antibíblica, porque as Escrituras Sagradas declaram que a fonte dos oráculos proféticos é o próprio Deus (Os 12.10; 2 Pe 1.21). Há na Bíblia inúmeras evidências irrefutáveis e indestrutíveis que provam serem os profetas de Israel embaixadores de Deus enviados ao povo (Ag 1.13). Um embaixador ou mensageiro não fala em seu próprio nome e nem diz o que quer; ele transmite a mensagem em nome de quem o enviou, por isso, é muito comum o profeta se expressar empregando a primeira pessoa nos seus discursos, pois está falando em nome do Senhor, as palavras que Ele mesmo mandou (Jr 1.9).

 A base dos naturalistas e uma refutação. 

Alguns relatos bíblicos parecem mostrar alguém profetizando em estado de êxtase como Balaão: “[...] caindo em êxtase e de olhos abertos” (Nm 24.4,16). Entretanto, antes de mencionar um desses casos e sua respectiva ressalva, é importante destacar que o termo “êxtase” sequer aparece no Antigo Testamento com esse sentido. A ARC emprega o termo, em itálico, para descrever o estado emocional de Balaão enquanto alçava a sua parábola (Nm 24.4,16). O emprego de palavras em itálico no texto bíblico traduzido indica que não constam explicitamente do texto nas línguas originais. Além do mais, Balaão pode ter sido inicialmente um profeta, mas depois se desviou. Em nenhum lugar do Antigo Testamento, ele é chamado de profeta, antes é reconhecido como “adivinho” (Js 13.22). Deus o usou assim como usou a sua jumenta; bem como usou a Caifás (Jo 11.49-52). Quanto ao caso que alguns afirmam ter paralelo com o “êxtase” de Balaão, trata-se de Saul: “[...] e ele também profetizou diante de Samuel, e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite” (1 Sm 19.24). Contudo, é bom lembrar que Saul, à época dessa experiência, estava distanciado de Deus (1 Sm 16.14).

A Bíblia revela que é propósito de Deus, desde Adão, comunicar-se com as suas criaturas racionais para comunhão, direção, ensino, revelação, exortação e para que possamos entendê-lO. O Senhor usou várias formas para se comunicar com os profetas, e esses, com o povo, de modo que a mensagem se tornasse compreensível. Por isso, é de fundamental importância que os seres humanos também se interessem pelo conhecimento da vontade de Deus, lendo a sua Palavra e sendo instruídos pelos verdadeiros servos do Senhor.

Funções da Profecia

Prenunciar. Os profetas foram os primeiros de todos os prenunciadores e porta-vozes de Deus. Abraão, quando recebeu e anunciou a aliança que Deus havia feito com ele a respeito de sua semente, foi um profeta (Gn 12.1-3; 15.1; 22.15ss.). Moisés o maior de todos os profetas deveria receber a Palavra diretamente de Deus e transmiti-la a Arão, que era seu porta-voz (Êx 7.1,2). Como Moisés deveria ser “o deus” do Faraó, o ministério de Arão demonstra perfeitamente o ministério do porta-voz. Todos aqueles que agem na função de proclamar a Palavra de Deus são seus porta-vozes. É nesse sentido que o crente do NT pode profetizar, quando está diretamente habilitado pelo Espírito Santo. Profetizar. Embora nem todos o fizessem, muitos profetas previam o futuro. Abraão, como o primeiro homem a receber o nome de profeta, era ao mesmo tempo um prenunciador e um pressagiador. Ele transmitiu a Isaque e seus descendentes a profecia sobre Israel, que revelava a promessa da primeira vinda de Cristo como semente (cf. Gl 3.8,16), e também a instalação de Reino.
(notas Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. RJ: CPAD, p.1599) 



              O papel da Predição no Ministério dos Profetas

“[...] Há essencialmente dois tipos de material nos profetas. Há a predição de visão próxima, de eventos a acontecer dentro do tempo de vida do ouvinte; e predição de visão distante, de eventos a acontecerem além do período de vida dos ouvintes. Predições de visões próximas, como Miqueias, serviram frequentemente como prova de que a reivindicação da pessoa de falar por Deus era verdadeira. 

Elas legitimavam o porta-voz como mensageiro de Deus. Predições para posteridade tinham um propósito diferente no ministério do profeta aos seus contemporâneos, embora hoje possamos prosseguir o cumprimento literal de muitas predições que ficaram para o futuro quando foram proferidas. Predições de visões distantes, que descrevem eventos por acontecer além do período de vida, transmitem a filosofia da história da Escritura. Elas descrevem o triunfo final de Deus sobre o mal e o estabelecimento da justiça na Terra. Elas retratam uma reunião de Israel e a conversão nacional: um tempo de incomparáveis bênçãos quando todas as promessas da aliança feitas a Abraão e Davi, e a Nova Aliança, em Jeremias, serão mantidas. As passagens sublinhadas dessas predições é que Deus é responsável pela história e que ela se desenvolve inexoravelmente em direção ao Seu intencionado fim. Essa é uma mensagem de esperança e confiança. Deus conhece o fim desde o princípio. Nada que acontece na história pode alterar o plano de Deus ou enfraquecer Seu compromisso com Seu povo escolhido” 

(notas RICHARDS, L. O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p.407).


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