segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ESCOLA DOMINICAL METODOS DE ENSINO N.1


                                     METODOS DE ENSINO  N.1



A necessidade de se repensar a Escola Dominical é ponto pacífico entre os pastores, estudiosos da Educação Cristã, superintendentes, professores e demais envolvidos. Entretanto, é preciso esclarecer que o ato de repensar algo não significa, necessariamente, inová-lo ou mesmo reinventá-lo, antes, implica em reconsiderá-lo resgatando seu propósito original, ao mesmo tempo em que se busca uma forma de mantê-lo relevante para o momento histórico, a fim de superar a crise ou solução de continuidade sofrida pela instituição, empreendimento ou programa.

É calcado neste primeiro saber que nos propomos a falar da Escola Dominical, pois, a despeito de seus benefícios práticos? “instrução; evangelização; assimilação, cuidado, comunidade e unidade; vida e vitalidade espiritual; ação cristã e; preparação para liderança e ministério”[i] ? ela é o único programa de Educação Cristã que contempla a totalidade do propósito original de Deus para a Igreja, exposto na Grande Comissão (Mt 28.19,20). Rob Bukhart, doutor em Educação Cristã, afirma que as nossas Escolas Dominicais têm perdido a razão de ser por diversos motivos e entende que não é fácil organizá-las, não obstante, reconhece que:

Para cumprir com os propósitos de Deus no mundo, a igreja deve alcançar os perdidos e ajudar-lhes a converterem-se em dedicados discípulos.

A igreja deve ajudar aos crentes a crescerem até alcançarem a maturidade espiritual e dar expressão do seu amor a Deus tanto em adoração como em sua vida diária. Isso deve ajudar a forçar os laços de amor e lealdade dentro da igreja, e em amor e testemunho da verdade de Deus, tanto com palavras quanto com atos. O fracasso não é uma opção, mas muitos estão fracassando.

De todos os departamentos que a igreja tem à sua disposição, a ED tem o maior potencial para lograr estes fins. É o meio ideal. Já está disponível uma maior infra-estrutura sobressalente de currículo e preparação. É demonstrado que a igreja pode cumprir melhor com os propósitos de Deus com a ED do que sem ela.

Finalmente, a igreja necessita de uma ED com qualidade mais do que nunca. São muitas as congregações que divagam sem visão e estratégia. É uma fórmula para o desastre. Deus dará a visão e a ED oferece a estratégia.

É hora de despertar o gigante adormecido.[ii]

A Escola Dominical não é uma opção, mas, como afirmamos em nosso artigo Marketing na Escola Dominical, novo paradigma para a administração da Educação Cristã, “é a continuidade da Missão Educativa que Deus outorgou ao seu povo (Gn 18.18 e 19; Dt 4.1-9; 6.1-25; Mt 28.19 e 20; Ef 4.11-16 etc.), visando formá-lo e satisfazer a sua necessidade de conhecimento: ‘Quando teu filho te perguntar [...]’, disse o Senhor (Dt 6.20)”.[iii]

Quando falamos sobre repensar a Escola Dominical e seus métodos de crescimento, reconhecemos que existe uma necessidade de readequá-la ao paradigma educacional dos novos tempos a fim de cooptar novos alunos e (re)integrar os antigos. Pois, levando “em conta que a nossa tarefa educativa é gigantesca, pois devemos ensinar ‘todas as coisas’ que Jesus ensinou a ‘todas as nações’ (Mt 28.19,20), é imprescindível pensar em como realizarmos o nosso trabalho de maneira cristã em moldes contemporâneos”.[iv]

Para isso, não será necessário fazer “grandes mudanças” como pensam alguns, mas unicamente termos uma nova visão do que é Escola Dominical. Qual é essa “nova” visão?

A “nova” visão do que é ED, na verdade, é uma readequação ao que ela sempre foi, mas que, de um tempo para cá deixou de ser. [...] Nessa readequação, devemos saber que sem aluno não se tem ED. Por isso, entender a missão e a visão de Deus para a educação cristã é o ponto crucial para podermos estabelecer uma “política de qualidade” pela qual a equipe da ED deverá se pautar.

A célebre pergunta do marketing não é “O que queremos vender?”, mas “Quem é o nosso cliente?” É preciso saber quem são os nossos alunos potenciais, qual o seu perfil, e assim, sem modificarmos a Verdade, readequarmos nossos métodos de atração, conquista, atendimento e manutenção dos mesmos. É preciso, a exemplo de Jesus, oferecer respostas ao que as pessoas buscam (Jo 3.1-21; 4.1-30). É fato que elas poderão não gostar de todas as respostas, mas, a satisfação proporcionada nas ocasiões anteriores assegurará a freqüência e dirão, parafraseando Pedro: “Para onde iremos nós? Só a ED tem as Palavras de vida eterna” (Jo 6.68).

O que aquelas crianças e adolescentes precisavam para viver bem e se sentirem humanas e encontraram no trabalho de Robert Raikes há 225 anos, são as mesmas necessidades que motivam as pessoas pós-modernas a buscarem uma ED:

• Um propósito para o qual viver;
• Pessoas com quem viver;
• Princípios pelos quais viver;
• Força para seguir vivendo.

Uma ED que não oferece satisfação e repostas para essas quatro necessidades básicas não está à altura de representar o Reino de Deus como agência de educação cristã. Evidentemente que cada pessoa, de acordo com a faixa etária, maturação biológica e mental, e condição social, possui carências de diferentes matizes e formas de manifestar diante das quatro necessidades acima elencadas. Um exemplo típico do que está sendo colocado pode ser visto na diferença que existe entre lecionar para uma classe de adultos na faixa etária dos 25 aos 40 anos e lecionar para pessoas da Terceira Idade. Os anseios e motivos podem ser os quatro enunciados acima, no entanto, a forma pela qual irá se manifestar a necessidade bem como a sua satisfação serão diferentes. Os interesses de ambos os grupos são distintos.

A administração, ou a gestão dessa demanda é o que deverá orientar o trabalho da equipe da ED. A missão educativa da Igreja está determinada há dois mil anos. Devemos ensinar e educar. A pergunta inquietante é: Como atrair as pessoas pós-modernas para a ED, quando a mídia, o estresse e outras coisas oferecem a ‘tentação’ de prendê-las ao conforto do sofá aos domingos? A resposta é simples: Precisamos motivá-las. E isso representa um duplo desafio: criar ou identificar a necessidade e apresentar um elemento adequado para satisfazer essa carência.[v]

Aqui chegamos ao ponto crucial de nossa reflexão. A fim de alavancarmos a Escola Dominical, tomaremos como base o exemplo da reconstrução do templo e dos muros de Jerusalém, e percorreremos o caminho protagonizado por Esdras e Neemias ? exemplos de liderança comprometida ? e verificaremos Sete Passos imprescindíveis para reiniciar e implantar uma nova dinâmica no maior e mais popular programa de Educação Cristã da Igreja.

PASSO 1

Capacitar Docentes

Uma leitura desarticulada de textos como 1 Coríntios 12.28; Efésios 4.11; 1 João 2.20,27 etc. comumente nos fazem acreditar que aqueles que possuem o dom de ensinar ou o ministério de ensino ? os mestres ou doutores ? prescindem de alguma formação ou preparação técnica e/ou acadêmica, podendo apoiar-se no Espírito Santo e confiar unicamente na capacitação divina. Pois, afinal, “a letra mata” (2Co 3.6). Evidentemente que esta é uma visão equivocada de passagens bíblicas que são lidas e interpretadas isoladamente sem levar em consideração o contexto ou analogia geral da Bíblia Sagrada sobre determinado assunto.

Um simples exemplo, como o texto de Romanos 12.7b, que diz: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino”, mostra a impossibilidade em harmonizar esse pensamento com o ensino bíblico sobre o tema. Outra versão substitui a palavra “dedicação” por “esmero”. O que é esmero? Segundo o Dicionário Aurélio Eletrônico, esmero é “Cuidado excepcional em qualquer serviço ou atividade”.


Outro exemplo, que, independentemente do ministério de ensino, é princípio geral para a atual eclesiástica, é o texto de 2 Timóteo 2.15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Segundo Deborah Menken Gill, comentarista das epístolas pastorais do colossal Comentário Bíblico Pentecostal (CPAD), esse texto de segunda Timóteo 2. 15, assim como aparece na versão Almeida Revista e Corrigida (ARC) ou como apresenta-se na

tradução da KJV [King James Version], “que compartilha corretamente” ? “a palavra da verdade” ? são expressões que ocorrem somente no Novo Testamento. Este verbo significa literalmente “ser objetivo, compartilhar a palavra da verdade diretamente, sem distrações” (Zerwizk e Grosvenor, 1979, p.641). Tem múltiplas analogias: “um arado preparando um sulco em linha reta” (Crisóstomo), “uma máquina abrindo uma estrada em linha reta”, “um sacerdote preparando corretamente um sacrifício”, e “um pedreiro medindo e cortando uma pedra para ajustá-la em seu devido lugar” (uma definição baseada em Pv 3.6; 11.5). A palavra era frequentemente usada nas liturgias para descrever os deveres do bispo e para denotar a ortodoxia (“que é o ensino direto ou correto”) (Lock, 1973, 98-99; Rienecker, 1980, 642).[i][i]

A respeito de ambos os textos paulinos (Rm 12.7b; 2Tm 2.15), também comenta Hurst, em sua obra E Ele concedeu uns para mestres (Vida):

Paulo ao escrever aos Romanos, parece estar exortando cada um dos seus leitores a concentrar seus esforços na procura da perfeição no dom que recebeu individualmente, para o bem do “corpo” como um todo (Romanos 12.6-8). Inclui nisto o mestre, e insiste em que o mestre desenvolva o seu ministério de ensino. Escrevendo a Timóteo, Paulo o admoesta a “procurar apresentar-se aprovado”, a ser “obreiro que não tem de que se envergonhar”, e que “maneja bem a Palavra da Verdade” (II Timóteo 2.15). Paulo apela à diligência no estudo, e apela a Timóteo no sentido de ele pensar na aprovação de Deus, e na possibilidade de passar vergonha se não se dedicar à tarefa de todo o seu coração, bem como da necessidade de exatidão, sem erros, na exposição da Palavra. Tal lembrança, e tal apelo, deve se repetir no caso de todo professor cristão. A tarefa exige da parte do mestre o melhor que ele possa vir a ser![ii][ii]

Concordamos com Roy B. Zuck que, ao dissertar sobre O Papel do Espírito Santo no Ensino Cristão na excelente obra Manual de Ensino para o Educador Cristão (CPAD), afirma o seguinte:

[Alguns] pedagogos realçam a obra do Espírito Santo em favor da negligência de professores humanos. Eles sugerem que a educação é inimiga da espiritualidade; a educação é obra da carne e entra em conflito e opõe-se à obra do Espírito. Este ponto deixa passar o fato de que nos primórdios do Cristianismo Deus usava professores humanos (Mt 28.19; At 5.42; 15.35; 18.11,25; 28.31; 2Tm 2.2), e o Senhor concedeu o dom de ensinar paras alguns crentes (Rm 12.6,7; 1Co 12.28; Ef 4.11). Professores humanos, como instrumentos do Espírito Santo, podem estimular e desafiar os alunos, guiando-os em uma adequada compreensão e aplicação da Palavra de Deus.

Ressaltar o papel do Espírito Santo no processo pedagógico não sugere que os professores não precisem estudar e preparar-se. Longe disso! “Só o professor que está bem preparado pode cumprir a tarefa com mais eficiência, enquanto que, ao mesmo tempo, confia no Espírito Santo para agir por meio dele e de seus alunos”.[iii][iii] Visto que ensinar na Igreja é um processo divino-humano, um ministério que conjuntamente envolve o Espírito Santo e os professores, o preparo torna o professor um instrumento melhor, uma ferramenta mais afiada nas mãos de Deus. Depender do Espírito Santo no ensino que o crente transmite não significa estar despreparado e “deixar que o Espírito Santo fale por mim”, como se a preparação competisse com a espiritualidade. Justamente o oposto é verdade. O despreparo não é sinal de ser “mais espiritual”. Às vezes, porém, o Espírito Santo pareceu usar esforços pedagógicos parcamente preparados e manifestamente realizou muito. Como explicar este fato? Porquanto seja verdade que o Espírito Santo anule e realmente reduza a nada o serviço malfeito de um professor, a falta de preparação não é encorajada em nenhuma parte da Bíblia.

As palavras de Paulo em 1 Coríntios 3.6: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento”, deixam claro que o esforço humano é acompanhado, não substituído, pela obra divina do próprio Deus. Em vez de ser desculpa para a preguiça ou ignorância, o papel do Espírito no processo educacional proporciona um desafio para a excelência.[iv][iv]

No Mensageiro da Paz, edição de março deste ano, nosso maior expoente da Escola Dominical nas Assembléias de Deus, pastor Antonio Gilberto, falando sobre esse assunto, afirmou que é “fundamental a dependência do Espírito Santo”, e acrescentou que o “ensinador eficiente não é simplesmente aquele que sabe lançar mão de fontes de consulta”, mas que este “deve depender do Espírito Santo para o guiar na escolha, iluminar sua mente e também conduzir o trabalho”.[v][v] Alguém pode então pensar que tudo o que foi dito até aqui não tem importância. Espere! Quando perguntaram ao pastor Antonio Gilberto “o que é mais importante para o ministério de ensino”, sua resposta foi enfática: “O mais importante é a pessoa dedicar-se mais, ou seja, não julgar que aquilo que já sabe é tudo que existe. Ao contrário, o universo de Deus nessa parte é infinito, de modo que quem ensina precisa estar aberto para aprender mais”.[vi][vi]

Insistimos neste ponto sobre capacitação docente, por saber que “o principal responsável pelo atendimento de necessidades discentes é o professor da ED, pois as aulas podem ser elementos satisfatórios na busca de respostas espirituais”.[vii][vii] E, como dissemos em nosso mais recente artigo ? Educar adolescentes cristãos na pós-modernidade: desafio e necessidade ? publicado na Revista Ensinador Cristão (CPAD), “ser atualmente um educador cristão é algo que demanda muito mais que conhecimento e boa didática, é uma posição que reclama equilíbrio emocional e um bom relacionamento intra e interpessoal. Isso exige docentes que sejam éticos, instigadores, criativos, dedicados e profundamente interessados com as demandas educacionais do Reino”.[viii][viii]

Nada menos que isso é suficiente para este tempo, pois é preciso que os educadores sejam como o sacerdote Esdras, do qual a Bíblia afirma que “era escriba hábil na Lei de Moisés, dada pelo SENHOR, Deus de Israel” (Ed 7.6b). Bem, podemos até pensar que não temos nenhuma novidade na informação de que Esdras “era escriba hábil na Lei de Moisés”, pois, sabemos que o “cargo de escriba, de acordo com o que se lê no Antigo e no Novo Testamento, era ocupado somente por homens hábeis e capazes, competentes e instruídos, homens que soubessem descrever todos os acontecimentos históricos de sua época”.[ix][ix] Portanto, a “habilidade” de Esdras tinha uma origem: sua dedicação.

Mas, o que levou Esdras a fazer a diferença? Ele não se limitou a ser apenas mais um sacerdote nem mais um escriba, pois já havia muitos em Israel. O que o destaca dos demais está registrado em três momentos do mesmo capítulo 7: a “mão do Senhor estava sobre ele” (vv. 6,9,28). Por ter um compromisso sério com Deus e com a Palavra, Esdras percebeu que se quisesse fazer alguma coisa para mudar a situação e buscar uma renovação espiritual, não poderia limitar-se a fazer apenas o que era sua obrigação.

Qual era a função de um escriba? Responde-nos com propriedade John D. Davis em seu clássico Dicionário da Bíblia (Juerp):

1. Notário público, Ez 9.2, empregado como amanuense para escrever o que lhe ditavam, Jr 36.4, 18, 32, e lavrar documentos públicos, 32.12.
2. Secretário do governo para correspondência oficial e registro dos dinheiros públicos, 2 Rs 12.10; Ed 4.8. Os levitas serviam de escribas para tomar conta dos negócios com a reparação do templo, 2 Cr 34.13.
3. Homem encarregado de fazer cópias do livro da lei e de outras partes das Escrituras, Jr 8.8. O mais notável dos escribas foi o sacerdote Esdras, doutor muito hábil na lei de Moisés e que tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para cumprir e ensinar em Israel os seus preceitos e as suas ordenanças, Ed 7.6, 10. Neste respeito é ele o protótipo dos escribas dos últimos tempos, e que era ao mesmo tempo intérprete oficial da lei. Em o Novo Testamento tem ele o nome de grammateis, ou mais exatamente, nomikoi, doutores da lei, e nomodidaskaloi, que ensinam leis. Empregam-se: (a) No estudo e interpretação da lei, tanto civil como religiosa, e nos pormenores de sua aplicação na vida prática. As decisões dos grandes escribas constituíam a lei oral, ou tradição. (b) Dedicavam-se ao estudo das Escrituras em geral, sobre assuntos históricos e doutrinais. (c) Ocupavam as cadeiras de ensino que ministravam a um grupo de discípulos [...]. A profissão de escriba recebeu grande impulso, depois que os judeus voltaram do cativeiro, quando havia cessado a profecia, restando apenas o estudo das Escrituras para servir de alicerce à vida nacional.[x][x]

O diferencial é exatamente o fato de que “Esdras tinha decidido dedicar-se e estudar a Lei do SENHOR, e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas” (Ed 7.10 – Nova Versão Internacional). A esse respeito nos fala o saudoso “apóstolo da imprensa evangélica pentecostal no Brasil”, Emílio Conde, em seu Tesouro de Conhecimentos Bíblicos (CPAD):

Desde a Babilônia, os judeus se apegaram à religião para defender sua integridade nacional. Quando retornaram, o ressurgimento religioso baseou-se na Lei, a cujo estudo se dedicaram de todo o coração. Esdras foi o iniciador do movimento, porque instituiu a leitura da Torá (“Tõrãh”) aos sábados, nas festas e em todas as ocasiões públicas. A leitura era uma exposição e uma interpretação da Lei.

Foram os escribas que, sem dúvida, fixaram o cânon do Antigo Testamento hebraico, tanto que nos séculos seguintes foram denominados de homens de Grande Assembléia. Seu trabalho principal era o de mestre e comentarista da Torá e dos demais escritos bíblicos do cânon hebraico. Assim, surgiu o “Halãkãh”, a tradição oral e o “Aggãdãh”, fruto de exegese edificante das Escrituras. Dos dois, surgiu o Talmude.

O método que os escribas usavam para a interpretação das Escrituras era analítico, levando em conta que cada palavra ou frase da “Tõrãh” tinha um significado especial. Assim, davam uma interpretação plena e pormenorizada. Os escribas incutiram a idéia de que as formas práticas de solução estavam implícitas no Pentateuco. Essas atividades interpretativas abriram o caminho para novos estudos e maior desejo de conhecer a Lei.

Depois de Esdras, o escriba foi classificado como tal e era versado na Torá, chamado também de doutor da lei, mestre, ou rabino (Mt 22.35; Lc 5.17). Desde que em Israel cessaram os profetas, os sábios se ocuparam profissionalmente da interpretação das Sagradas Escrituras; assim foi formado um grupo de doutores da lei, os escribas, que logo chegaram à categoria de condutores do povo.[xi][xi]

A partir deste propósito, Esdras deixa de ser apenas um copista estatal e passa a ser então “o escriba das palavras, dos mandamentos do SENHOR e dos seus estatutos sobre Israel” (Ed 7.11), ou seja, há uma mudança de paradigma aqui que afetou não somente o próprio Esdras, mas toda a classe de escribas (contemporânea e posterior), conforme comentários supracitados, pois, eles passaram a ser professores do povo. O fato de o Senhor Jesus se referir aos escribas de forma negativa (Mt 23.1-39; Lc 11.37-53) é claramente explicável, visto que nesse tempo eles já pertenciam à seita dos fariseus, que “complementavam” a Lei com suas tradições, tornando-a obscura e sem efeito. Assim, a “função de escriba era nobre e digna, porém os que a exerciam falharam em observá-la”.[xii][xii]


O professor de Escola Dominical não deve se menosprezar diante dos professores da escola laica ou mesmo por causa de outras funções e departamentos da igreja, mas ver-se como o professor das coisas de Deus. Um dos maiores erros cometidos ? inclusive repetidos durante muitos anos ? por quem liderava a Escola Dominical era escolher pessoas despreparadas para o corpo docente. Agora, percebe-se uma busca desenfreada pela qualidade do ensino, pois essa é a única esperança da igreja para combater as heresias e os modismos da pós-modernidade.
fonte cpad 

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